Panorama Bíblico do Novo Testamento
Uma visão geral da história bíblica do Novo Testamento, uma compilação de livros e cartas escritas após o nascimento de Jesus.
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Sumário
- Lição 1 – Entre o Antigo e o Novo Testamento
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. O Período Intertestamentário e o Propósito de Deus
- 2. Os Impérios Persa, Grego e o Reinado Macabeus
- 3. O Império Romano e o Domínio Sobre a Palestina
- 4. A Influência dos Impérios na Sociedade Judaica
- Conclusão
- Lição 2 – A Vida de Jesus
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. Antes do Início do Ministério de Jesus
- 2. O Ano Inicial do Ministério de Jesus
- 3. Jesus Se Torna Conhecido
- 4. Jesus Enfrentando Seus Opositores
- Conclusão
- Lição 3 – Jesus em Seus Últimos Dias
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. O Que Aconteceu nos Últimos Meses de Jesus
- 2. Os Últimos Dias de Jesus Enquanto Homem
- 3. A Ressurreição do Senhor e Salvador do Mundo
- 4. O Senhor Jesus Como o Messias Glorificado
- Conclusão
- Lição 4 – O Início da Igreja
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. Um Começo Nada Fácil
- 2. Morte e Crescimento
- 3. Começou a Perseguição
- 4. De Perseguidor a Perseguido
- Conclusão
- Lição 5 – A Expansão da Igreja
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. As Viagens Missionárias de Pedro
- 2. Os Cristãos da Antioquia
- 3. A Primeira Viagem Missionária de Saulo e Barnabé
- 4. A Segunda Viagem Missionária de Paulo e Silas
- Conclusão
- Lição 6 – O Cuidado por Meio das Cartas
- Objetivo Geral
- 1. As Cartas aos Tessalonicenses
- 2. Terceira Viagem Missionária de Paulo
- 3. A Carta aos Gálatas
- 4. As Cartas aos Coríntios
- Conclusão
- Lição 7 – Conhecendo a Igreja por Meio das Cartas
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. A Mais Longa Epístola de Paulo
- 2. A Epístola de Tiago, Irmão de Jesus
- 3. A Prisão de Paulo por Seus Compatriotas
- 4. A Viagem de Paulo a Itália
- 5. As Cartas de Pedro: Esperança e Firmeza
- Conclusão
- Lição 8 – Os Últimos Registros Inspirados Pelo Espírito Santo
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. As Cartas de Paula na Prisão em Roma
- 2. A Carta aos Hebreus
- 3. As Cartas Pastorais e de Despedida
- 4. A Carta do Apóstolo Judas
- 5. Os Escritos de João
- Conclusão
- Editorial
Lição 1 – Entre o Antigo e o Novo Testamento
Objetivo Geral
Apresentar o contexto histórico e cultural compreendido entre o Antigo e o Novo Testamento.
Introdução
Nesta lição, a ideia é apresentar o contexto histórico e cultural compreendido entre o Antigo e o Novo Testamento, de forma que o aluno entenda a importância desse período para a compreensão de passagens bíblicas do Novo Testamento.
O período intertestamentário é, provavelmente, o assunto menos ensinado nas igrejas, principalmente, porque há poucas referências bíblicas sobre ele. Também conhecido como período negro, interbíblico ou período do silêncio de Deus, esse momento histórico começou após a última profecia de Malaquias e durou cerca de 400 anos, até os tempos de João Batista – a voz que clama no deserto (Is 40:3, Mt 3:3; Mc 1:3; Lc 3:4 e Jo 1:23). Então, esse é o período entre o Antigo Testamento (AT) e o Novo Testamento (NT).
O Antigo Testamento terminou com a reconstrução dos muros de Jerusalém, ou seja, o Estado de Israel estava sendo reconstruído após a saída do Império Babilônico, que havia sido derrotado pelo Império Persa. Nessa época, surgiram outras dinastias e, cada uma delas, exerceu um papel importante na transformação social, cultural e religiosa. Enquanto isso, Deus já preparava a humanidade para receber o Messias, o Filho de Deus.
Para começar a entender o Novo Testamento, é fundamental conhecer os fatos ocorridos nesses 400 anos do silêncio do Senhor Deus com o povo de Israel. Por isso, o estudo do período intertestamentário é imprescindível, pois ao compreender os contextos histórico, político, social e teológico daquela época várias passagens do Novo Testamento ficarão mais claras.
1. O período intertestamentário e o propósito de Deus
Em termos etimológicos, interbíblico quer dizer entre a Bíblia, ou entre os dois Testamentos. Daí surgiu o termo intertestamentário. O período interbíblico começou com a interrupção do ministério profético para o povo de Deus, por meio da última profecia transmitida por Malaquias, até o início do ministério de João Batista, compreendendo quatrocentos anos.
No decorrer desses anos, aconteceram grandes mudanças na Terra e na vida do povo de Deus, bem como na vida e nos costumes das nações existentes naquela época. No entanto, o silêncio de Deus fez a humanidade sofrer desesperadamente buscando soluções para os problemas espirituais. A filosofia se perdeu, a imoralidade religiosa atingiu patamares assustadores e comprovamos que, sem Deus, o homem e suas instituições estão fadados ao fracasso.
Certamente, Deus estava em silêncio, mas não estava inerte. Nesse tempo, diversos acontecimentos foram cruciais para o cumprimento do propósito maior de Deus, ou seja, a vinda de Jesus ao mundo para salvar a humanidade. Vale ressaltar que a história escrita no período intertestamentário está diretamente ligada à última profecia de Malaquias, no Antigo Testamento, e, essa é a principal razão do estudo desse assunto, pois é preciso compreender cada fato narrado nesse período para entender a sociedade que testemunhou o nascimento do Senhor Jesus.
2. Os impérios persa, grego e o Reinado Macabeus
Após a saída dos domínios do Império babilônico, Israel foi controlado pelo Império Persa. Os persas permitiram que os judeus voltassem a praticar seus costumes religiosos e a reconstruir o templo. Isso ocorreu nos últimos 100 anos do A.T. e nos primeiros 100 anos do período interbíblico.
No entanto, Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, derrotou Dário, o rei da Pérsia e, com isso, introduziu o reino grego ao mundo. Ele começou a promover a cultura grega sobre os povos conquistados, período que ficou conhecido como Helenismo. Um exemplo disso foi a tradução do Antigo Testamento para o grego, versão chamada Septuaginta. Esse fato foi muito importante para a vinda de Jesus. A cultura grega era uma ameaça para Israel, mas felizmente Alexandre permitiu que os judeus voltassem a cultuar segundo os seus costumes.
Após a morte de Alexandre, o território judeu foi dividido entre os seus generais. Entre eles, destacaram-se Ptolomeu, que estabeleceu sua dinastia na região do Egito, e o general Seleuco, que reinou sobre a Síria e a Macedônia.
Dessa forma, os gregos contribuíram muito para a expansão do Evangelho, pois a filosofia deles se aproximava do monoteísmo e, além disso, enfatizavam a dignidade e consciência humana. A língua grega se tornou universal e, com isso, a tradução do A.T. para o grego foi essencial para a pregação do Evangelho a todas as nações da época, bem como para a própria escrita do Novo Testamento.
O domínio grego sobre Israel terminou quando a revolta, liderada pelo sacerdote Matatias e seu filho Judas Macabeu, se levantou contra as atrocidades do reinado de Epífanes, na Síria.
3. O Império Romano e o domínio sobre a Palestina
É importante destacar que o povo de Israel foi dominado por vários impérios. Pelos persas, com Ciro e Dario. Pelos gregos, com Alexandre, o Grande, e seus generais sucessores, posteriormente derrotados pela Revolta dos Macabeus. Por fim, pelo império Romano, com César e Herodes, esse como rei da Judeia já nos tempos do Novo Testamento.
Em 63 a.C., o general Pompeu, de Roma, conquistou a Palestina e colocou o povo judeu sob os domínios de César, fazendo Herodes se tornar rei da Judeia, província romana. Roma controlava os judeus cobrando impostos altos, o que tornava o jugo romano extremamente pesado. Diante desse quadro de exploração e da existência da profecia do Messias, o povo judeu aguardava um libertador.
Por outro lado, Roma concedia certa liberdade aos povos vencidos e, com isso, alguns deles poderiam ter seu próprio rei. Em cada região conquistada, Roma mantinha um representante, que poderia ser governador, procônsul ou juiz, além dos publicanos, ou seja, os cobradores de impostos. Desde o início, Herodes mostrou crueldade para governar a Judeia, burlando as leis dos judeus. Entre os feitos cruéis, destacaram-se a crucificação de Jesus e a perseguição aos cristãos. Herodes também desvirtuou o cargo de sumo sacerdote e o transformou em cargo político, para atender interesses próprios.
Como a maioria dos tiranos, Herodes encobria seus crimes por meio da construção de cidades e reconstrução de templos e, assim, esperava ganhar a simpatia dos súditos. Ele reconstruiu o Palácio dos Hasmoneanos, levantou os muros de Jerusalém e construiu uma fortaleza em memória de Marco Antônio. Além disso, Herodes reconstruiu e expandiu o templo dos judeus.
4. A influência dos impérios na sociedade judaica
É impossível falar da composição da sociedade sem mencionar as diásporas judaicas, momentos em que o povo judeu foi forçado a se espalhar pelo mundo. Tal evento ocorreu, essencialmente, por duas vezes. A primeira se deu quando o Reino do Norte foi destruído pelos assírios e, com isso, dez tribos de Israel foram levadas ao cativeiro. A segunda ocorreu em 70 d.C. quando os romanos destruíram Jerusalém e os judeus fugiram para a Ásia Menor, África ou sul da Europa.
Nesse período, surgiram grupos religiosos e políticos, como os fariseus, os saduceus e os escribas. Os fariseus apareceram, provavelmente, entre os anos 135 e 105 a.C. Eles elaboravam as próprias leis considerando-as mais importantes do que as leis de Moisés. Opositores dos saduceus, os fariseus instituíram as sinagogas, para unir os judeus em questões espirituais. Seria possível, assim, cultivar o estudo da lei e alimentar a esperança na vinda do Messias. Além disso, buscava-se proteção contra influências pagãs.
Já os saduceus, considerados como uma seita ou um partido, representavam os aristocratas, ou seja, o alto escalão social e econômico da Judeia. Eles exerciam o poder por meio da assembleia de juízes judeus, chamada Sinédrio, que tinha competências de administrar, coletar impostos, cuidar do exército e mediar queixas domésticas. Durante o período do Segundo Templo, a existência dos saduceus foi mais marcante, inclusive eles eram responsáveis pela manutenção do Templo, pois possuíam atribuição sacerdotal, embora nem todo sacerdote fosse um saduceu.
Os escribas eram os doutores ou mestres especializados na interpretação da lei. A origem deles está associada ao cativeiro babilônico, também conhecido como Exílio na Babilônia. Esse foi um dos acontecimentos mais importantes da história, visto que houve deportação forçada de hebreus para a Babilônia. O papel do escriba tem destaque no período intertestamentário, pois a Lei Mosaica assumiu uma condição ainda mais proeminente. Neemias, por exemplo, era sacerdote e escriba (Ne 8:9). Alguns deles também pertenciam ao sinédrio (Mt 16:21; 26:3), onde eram responsáveis pela administração da Lei nos julgamentos. Além disso, os escribas eram resistentes às inovações decorrentes da influência helenística.
Outros grupos que estiveram presentes na sociedade judaica foram os herodianos, os essênios, os zelotes, os publicanos e os samaritanos.
Vale reforçar que a tradução do Antigo Testamento para o grego, a língua universal da época, contribuiu para o alcance das escrituras, pois facilitou a comunicação do Evangelho aos judeus e a outros povos, aumentando o acesso às profecias sobre o evangelho e a vinda do Messias.
Assim, o Império Romano se tornou um instrumento poderoso para a expansão do evangelho, mesmo em meio à perseguição. Entre os fatores que colaboraram para esse crescimento, estiveram a língua grega, as estradas, o sistema legal, o correio e o tamanho territorial.
Conclusão
Embora seja considerado o período mais obscuro da Bíblia, ele nos trouxe muitos benefícios. Graças ao período intertestamentário a vinda de Jesus à Terra se tornou mais tranquila e favorável para os gentios. Também fica evidente a importância de conhecer alguns aspectos do período interbíblico, pois isso traz mais entendimento sobre passagens bíblicas do Novo Testamento.
Nesse sentido, entre os aprendizados desta lição, destacam-se: Deus preparou o mundo para receber seu Filho Unigênito. Roma, pelas armas, trouxe paz ao mundo. A Grécia deu ao mundo a cultura e a língua. A Judeia contribuiu com o tradicionalismo religioso e a fidelidade ao Senhor. Já o mundo, estava preparado para receber o Messias. O nascimento de Jesus, em Belém, está ligado a um passado multissecular de intensa atividade de Deus para preparar todas as coisas para aquele glorioso momento.
Por um lado, percebemos um mundo em constantes lutas, em meio à imoralidade. Um mundo de escravos e opressores, de ambiciosos. Um mundo de filosofias, ciências, religião, deuses, templos, sacerdotes, um mundo de crimes e horrores. Por outro lado, percebemos a mão de Deus preparando tudo para salvar a humanidade errante e perdida. Foi nesse tempo que nasceu o nosso Senhor Jesus Cristo, na plenitude dos tempos.
Lição 2 – A vida de Jesus
Objetivo Geral
Apresentar a vida de Jesus desde a infância até os momentos de oposição enfrentados no ministério.
Introdução
Nesta lição, o objetivo é contar fatos da vida de Jesus vivenciados na infância, no ministério e nos momentos de oposição.
O Novo Testamento começa descrevendo o nascimento de Jesus Cristo. A história do Filho de Deus é marcada por milagres desde o início quando o anjo Gabriel apareceu ao sacerdote Zacarias, para avisar sobre o nascimento de João Batista, e à Maria, para anunciar que ela daria à luz ao Salvador. Também houve proteção divina durante o nascimento de Jesus e quando ainda era criança, mas já tinha sabedoria para ensinar no Templo.
O primeiro ano do ministério de Jesus foi marcado pela obediência aos princípios bíblicos, pelo cumprimento do batismo e pela consagração e vitória em relação à carne e ao diabo. Além disso, foi nessa época que Jesus escolheu os discípulos, transformados em grandes homens de Deus e viveram dedicados ao evangelho devido aos ensinamentos do mestre.
A Bíblia diz que a fama de Jesus se espalhava pelas cidades e as multidões vinham de todos os lugares para ver, ouvir e viver os milagres. Os ensinamentos, parábolas e exortações de Jesus traziam cada vez mais pessoas para O seguir, mas, por outro lado, despertavam, principalmente nos religiosos, inquietação, incômodo e oposição ao Seu ministério. Isso porque as palavras de Jesus confrontavam o pecado. A vida de Jesus é um assunto empolgante e desafiador, pois revela o quanto Deus nos amou, desde quando ainda éramos pecadores e distantes da Sua glória.
A cada tópico deste estudo veremos que a Graça de Deus revelada Nele é derramada sobre nós. Por isso, é importante meditar em cada passagem aqui citada.
1. Antes do início do ministério de Jesus
Iniciamos essa narrativa com o primeiro milagre do ministério de Jesus na Terra. Enquanto cumpria suas obrigações como sacerdote, no santuário do templo, Zacarias recebeu a visita do anjo Gabriel informando que Deus responderá suas orações e Isabel, a sua mulher, teria um filho, chamado João Batista. Zacarias não acreditou no anjo, pois ele e Isabel tinham idade avançada para ter um bebê. O anjo disse ainda que João seria o precursor do ministério de Jesus, ou seja, ele seria um profeta de Deus.
Entre 6 e 5 a.C., esse mesmo anjo foi à Maria e disse que ela seria a mulher que traria o Messias ao mundo a partir do milagre de sua concepção pelo Espírito Santo. Alguns dias mais tarde, Maria foi apressadamente às terras montanhosas da Judeia, à vila onde Zacarias morava, para visitar Isabel. Quando Maria saudou a prima, o menino de Isabel saltou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, tomada pelo Espírito Santo Isabel glorificou ao Senhor reconhecendo que o Salvador nasceria de Maria.
A Bíblia também relata o cuidado de Deus com José, pois ele e Maria estavam para se casar. Então, certa noite, um anjo aparecem a José em sonho para acalmar a sua alma. Ele disse que o bebê de Maria era o Filho de Deus. Assim seria cumprida a profecia de Isaías sobre a vinda de Jesus Cristo. O profeta prometeu que Deus enviaria, à Galileia, luz e alegria por meio do nascimento de uma criança que quebraria o jugo da carne e seria chamada “Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai da Eterno, Príncipe da Paz”.
O Filho de Deus nasceu em Belém, da Judeia, por volta do ano 4 a.C.. Maria e José, seguindo orientação do anjo Gabriel, chamaram o bebê de Jesus. Como reconhecimento da Sua divindade os pastores foram visitá-Lo para adorá-Lo.
Devido à maldade de Herodes, que temia a chegada do messias, porque acreditava que Ele tomaria seu trono, o rei mandou matar todas as crianças do sexo masculino nascidas naquele período. Antes do nascimento de Jesus já existia a previsão, segundo a tradição judaica, da vinda do Cristo. Diante dessa ameaça, José fugiu com sua família para o Egito. Ele foi alertado por homens sábios, que vieram orientados por uma estrela para encontrar o Rei recém-nascido, sobre a pretensão de Herodes de matar Jesus.
Após a morte do rei Herodes, José e sua família voltaram à Nazaré, terra natal de José e Maria, cidade onde Jesus cresceu. Conforme orientação da Torá, a Lei de Moisés, José e Maria levaram Jesus ao templo, em Jerusalém, para ser apresentado ao Senhor. Neste dia, Simeão, ao ver Jesus disse: “Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos”; (Lc 2.29-31). Assim, Jesus crescia em estatura e, principalmente, em sabedoria. Com apenas 12 anos, Ele já ensinava no Templo.
2. O ano inicial do ministério de Jesus
Após a aparição de Jesus no Templo aos 12 anos, as escrituras somente relatam novos fatos sobre a Sua vida na fase adulta. Esse período é compreendido como o primeiro ano do ministério de Jesus.
Enquanto isso, João Batista ensinava às pessoas sobre Jesus Cristo. Ele dizia que elas deveriam se arrepender dos pecados para serem batizadas, por ele, nas águas do rio Jordão. João Batista, porém, anunciava que depois dele viria alguém mais poderoso, que batizaria com o Espírito Santo. Muitos creram em João sendo batizados. Nesse tempo, Jesus veio até João para ser batizado. Ao sair das águas, veio sobre Ele o Espírito Santo como uma pomba e uma voz do céu disse: “Esse é meu filho amado, em quem me comprazo”. A seguir, Jesus, após ficar 40 dias sem comer, foi ao deserto onde foi tentado por Satanás. Diante desses fatos João agora pregava que Jesus era o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Com o testemunho de João, André e Simão seguiram Jesus.
Então, Jesus encontrou Felipe e disse: “Siga-me”. Felipe, anunciando haver conhecido o Messias, chamou a Natanael.
Dias depois, Jesus foi convidado a um casamento e lá realizou o primeiro milagre público transformando água em vinho. Neste mesmo período, próximo à Páscoa, Ele encontrou vendedores comercializando no Templo, onde realizou o que é chamado purificação do Templo, expulsando os comerciantes dizendo: “não façais da casa de meu Pai casa de vendas”.
Jesus pregou em Jerusalém e muitos creram, devido aos sinais que Ele fazia. Jesus, porém, conhecia o coração deles e sua natureza. Em uma conversa com um importante judeu chamado Nicodemos, Jesus Ensinou: “... aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”, mostrando que aquele que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
Depois disso, Jesus deixou a Judeia em direção à Galileia. Passou por Samaria, na cidade chamada Sicar, onde encontrou uma mulher samaritana. Esse encontro foi tão transformador que ela foi à sua cidade e trouxe outros para ouvir Jesus.
Após deixar o avivamento em Samaria, continuou Sua caminhada até a Galileia. Em Caná, foi procurado por um oficial do rei porque o filho estava doente. Ele creu na palavra de Jesus e o filho foi curado à distância.
3. Jesus Se torna conhecido
Jesus já era conhecido por Seus feitos nas terras ao redor da Galileia, além disso, ensinava na Sinagoga e era admirado por todos. Ele mostrou a falsidade do povo ao declarar que nenhum profeta tinha honra em sua própria casa. O povo irado tentou matá-Lo e Ele foi expulso da cidade indo para Cafarnaum onde continuou realizando muitos milagres e reunindo Seus discípulos. Nessa cidade, Jesus realizou a pesca maravilhosa, curou a sogra de Pedro e um endemoninhado, demonstrando toda a Sua autoridade.
O ministério de Jesus foi marcado por milagres por onde Ele passava, como a cura do leproso na Galileia (Mc 5). Outro marco na Sua trajetória foi a missão de reunir e preparar os discípulos com os Seus ensinamentos. Mateus foi um dos discípulos que Jesus encontrou ao retornar à Galileia. Jesus ensinou sobre a Sua divindade, o dia do repouso (Mt 12) e o sermão do Monte (Mt 5). Ali também foi onde Jesus enfrentou Seus maiores opositores: os Fariseus, a quem Jesus condenava veementemente por sua religiosidade.
Jesus ensinava por parábolas ilustrando as verdades do Reino dos Céus de forma simples. Na parábola do rico insensato, por exemplo, Ele ensinava sobre o perigo do amor à riqueza. Já na parábola das bodas Jesus, Ele mostrava que o Reino também pertence aos gentios, mas somente aos que são dignos dele. Jesus também ensinou por meio das parábolas do mordomo fiel, do semeador, do joio e trigo, do fermento e do tesouro escondido. Essa forma de comunicação fazia com que todos entendessem as verdades das escrituras e, a multidão parava para ouvir Jesus.
4. Jesus enfrentando Seus opositores
Apesar de operar milagres, ensinar de maneira extraordinária e possuir tamanha autoridade vinda do Pai, Jesus enfrentou momentos de oposições, durante o Seu ministério. Algumas foram pessoais ou circunstanciais, como o desprezo pelo próprio povo de Nazaré, o abandono de alguns discípulos (Jo 6:60), o desprezo dos samaritanos, Suas viagens a cidades onde não havia comunhão com os judeus (Fenícia, região de Decápolis) e até mesmo a morte trágica de Seu primo João Batista. Mesmo assim, Jesus permanecia demonstrando o Seu poder, enquanto Filho de Deus, como as multiplicações dos pães para alimentação de milhares e a Sua transfiguração.
A sabedoria e a liderança marcaram os três anos do ministério de Jesus na terra. O reconhecimento dos Seus discípulos era latente. Um exemplo foi quando Pedro confessou que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus. Outra demonstração da liderança e inspiração de Jesus está no comissionamento de setenta discípulos que voltaram maravilhados com tudo o que fizeram sob a autoridade do Nome de Jesus.
Também vale lembrar dos ensinamentos de Jesus na casa de Marta e Maria, na Festa da Dedicação e ainda na Festa dos Tabernáculos ou Festa da Colheita.
Conclusão
Nesta lição abordamos os primeiros acontecimentos antes do nascimento do Messias. É notório o cuidado de Deus com José e a sua família, desde a anunciação à Maria até as orientações do anjo Gabriel. Havia a preocupação de preservar a integridade física de todos diante das investidas de Herodes contra Jesus. Após nascer, o Mestre já demonstrava Sua sabedoria e graça ao ensinar no templo sendo uma criança de apenas doze anos.
O profeta João Batista, enquanto precursor do ministério de Cristo, já anunciava que Jesus viria para batizar com o Espírito Santo e com fogo. Jesus, em sinal de obediência, pede para ser batizado por João Batista. Esse é o início do poderoso ministério de Jesus.
Foram tantos milagres, curas, arrependimento de pecados e salvação! A fama de Jesus foi espalhada por todos os lugares. Até os gentios foram alcançados pelas palavras carregadas de sabedoria e autoridade vindas do Pai. A fama, porém, trouxe muitos opositores. Os fariseus, rechaçados com sua religiosidade, e os próprios judeus que não reconheceram Jesus como o Messias esperado. Mesmo diante de tantas provas de amor, sabedoria e poder, o nosso Salvador precisou enfrentar muitas situações para completar o plano de Salvação.
Lição 3 – Jesus em seus últimos dias
Objetivo Geral
Expor ao leitor os principais acontecimentos do ministério de Jesus que antecederam a crucificação e a Sua ressurreição
Introdução
De forma sucinta, vamos rememorar os acontecimentos que marcaram os últimos dias da vida e ministério terreno do nosso Mestre Jesus e entender um pouco mais do que Ele nos ensinou nesses últimos momentos.
O Senhor Jesus ressuscitou a Lázaro com o objetivo de preparar a fé da humanidade e mostrar ao mundo o poder de Deus sobre a morte. Seus feitos milagrosos e Seus ensinamentos fizeram com que muitos se colocassem em oposição a Ele, a ponto de planejarem a Sua morte.
As parábolas de Jesus trazem consigo riquíssimos ensinamentos que, através de suas analogias, nos faz compreender a vontade do Pai em relação à nossa postura diante da vida. Parábolas como o Filho Pródigo, o mordomo infiel, a moeda perdida, e tantas outras, nos fazem refletir sobre a vida cristã verdadeira que agrada a Deus e que nos torna quem Ele quer que sejamos enquanto representantes do Seu Reino.
A morte de Jesus e Sua ressurreição é o maior acontecimento da humanidade para aqueles que creem n’Ele e hoje vivem por causa desse sacrifício. Ele nos redimiu do pecado e nos levou de volta ao relacionamento com Deus. Tudo o que aconteceu após este grandioso evento mostra o quão maravilhoso é andar com o Mestre. Jesus, depois de ressuscitar, reapareceu aos Seus discípulos cheio de glória e de poder, mesmo assim, ainda permaneceu perto deles até a Sua assunção aos céus, quando nos deixou o Espírito Santo.
1. O que aconteceu nos últimos meses de Jesus
Já no final de Seu ministério, Jesus Se concentra na realização de Seus últimos milagres e sinais, permanecendo ensinando por parábolas e pregando o evangelho pelas cidades próximas. Nesse período, aconteceu um dos milagres mais marcantes: Lázaro morreu e o Senhor o ressuscitou (Jo 11). A maneira como Jesus reagiu à notícia da morte de Lázaro mostra claramente que Jesus queria evidenciar o poder de Deus para ressuscitar e assim nutrir a fé de todos. Mas, por causa disso, Seus opositores já queriam matar a Jesus. Ele teve que Se refugiar na aldeia de Efraim com Seus discípulos.
Depois desse período de reclusão, Jesus deixou a Galileia e foi para o território da Judeia, além do Jordão. Seguiram-No muitas multidões, e as curou ali. Além da cura, os ensinamentos de Jesus, em sua maioria foram marcados por uma narrativa alegórica que transmite uma mensagem de forma indireta. Ensinou a multidão sobre o número de salvos, o perigo da avareza e sobre a solicitude da vida. Logo depois disso, teve a oportunidade de entrar na casa de um dos principais fariseus daquela região. Ali, curou um hidrópico, proferiu as parábolas dos primeiros assentos e da grande ceia.
Na mesma região, diante dos publicanos e pecadores abordou a parábola da ovelha perdida, da moeda perdida, do filho pródigo e do mordomo infiel. Ouvindo os fariseus todos esses ensinamentos tentavam ridicularizar a Jesus. Porém, o Senhor os afrontou expondo o seu ensinamento errado acerca do divórcio e do relato sobre “o rico e o mendigo”. Logo depois, Ele Se voltou aos Seus discípulos e ensinou sobre a indulgência, a fé e a humildade. Persistindo em questioná-Lo, os fariseus interrogaram sobre a vinda do reino de Deus e Jesus falou sobre a segunda vinda. Para explicá-la, expôs as parábolas do juiz iniquo, bem como do fariseu e o publicano. Nesse mesmo período, foi abordado pelo Jovem rico, ocasião em que Jesus aproveitou para alertar sobre o perigo das riquezas.
Ao ensinar sobre a vida eterna e sobre o perigo de amar as coisas do mundo, Jesus também contou a parábola do homem rico e do mendigo chamado Lázaro. Nesse mesmo contexto, o Mestre nos ensinou a perdoar quantas vezes fossem necessárias diante de um pedido arrependido; comparou a fé a um pequeno grão de mostarda e nos ensinou a sermos humildes ao agradecer pelo bem que fazem a nós, bem como a ter o reino de Deus como o tesouro mais valioso (jovem rico).
2. Os últimos dias de Jesus enquanto homem
No domingo, ocorreu a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém onde foi aclamado Rei e saudado com ramos, cumprindo-se a profecia de Zacarias, pois, a realeza de Cristo foi reconhecida pelo povo. Esse evento também marcou o início da Paixão de Cristo.
Na segunda-feira, Jesus foi ao templo e o encontrou como um covil de ladrões cheio de cambistas e vendedores que ocupavam o lugar das orações atrapalhando os cultos e enganando o povo com preços injustos. No dia seguinte, Jesus estava pregando no templo e teve Sua autoridade questionada a respeito dos milagres e curas que Ele realizou. O Senhor respondeu que toda autoridade vem do Pai e que o Filho nada faz por Si mesmo. Também alguns gregos foram ao templo com a intenção de ouvirem as palavras de Jesus. Nessa ocasião, Ele falou sobre a necessidade de Sua morte para a salvação.
A quinta-feira foi o dia de preparar a última ceia. Nessa ocasião, o diabo já tinha colocado no coração de Judas o desejo de trair Jesus. Nesse dia, ainda o Mestre praticou o maior ensinamento sobre servidão, quando lavou os pés de Seus discípulos, prática essa reservada aos escravos.
Na sexta-feira, Jesus foi preso e levado ao sacerdote para ser interrogado, depois foi para o sumo- sacerdote Caifás, e finalmente para Pilatos. Este tentou se eximir de culpá-Lo, ainda assim, condenou Jesus à morte de cruz. Após todo o sofrimento inerente a este tipo de morte, Jesus entregou Seu espírito dizendo: “Está consumado”. José de Arimateia pediu a Pilatos o corpo de Jesus para sepultá-Lo. Com medo das palavras de Jesus sobre a ressureição, os fariseus pediram a Pilatos para que guardas vigiassem o túmulo.
3. A Ressurreição do Senhor e Salvador do mundo
No domingo, houve um terremoto! A pedra foi removida. Jesus ressuscitou ao terceiro dia! Os anjos de Deus estavam no sepulcro vazio e anunciaram este feito às mulheres que ali foram com óleos aromáticos ungir o corpo de Jesus. No entanto, elas foram tomadas de espanto e alegria, pois Jesus não estava morto. Elas correram para anunciar aos discípulos. Eles, ao virem o sepulcro vazio, se lembraram das palavras do Senhor. Alguns guardas da escolta que vigiavam o túmulo foram à cidade contar sobre o terremoto, o aparecimento dos anjos e sobre a ressurreição de Jesus, no entanto, eles foram subornados pelos fariseus para dizerem apenas que o corpo havia sido roubado pelos discípulos de Jesus.
A primeira aparição de Jesus foi para as mulheres, dentre elas, a Maria Madalena. Logo em seguida, a Pedro e depois aos discípulos a caminho da cidade de Emaús. Eles não o reconheceram, mas sentiram seu coração queimar ao ouvir Suas palavras, por isso, resolveram voltar a Jerusalém e acharam congregados os onzes apóstolos. Depois disso, quando os discípulos estavam reunidos de portas trancadas, Jesus apareceu no meio deles e para que todos cressem que era realmente o Mestre Ressuscitado, Ele os mostrou as marcas nas mãos e no lado. Sua terceira aparição foi a mais de quinhentos irmãos reunidos na Galileia.
Após todos estes episódios de aparições, Jesus se afastou da multidão com os Seus discípulos para os abençoar e para entregar a eles (e a nós) a “Grande Comissão” prometendo que sempre estaria conosco. Neste momento, Jesus foi elevado aos céus na presença dos Seus discípulos, quando muitos se alegraram e tiveram a sua fé fortalecida.
4. O Senhor Jesus como o Messias Glorificado
Após a ascensão de Jesus aos céus, Ele ainda foi visto de forma sobrenatural já glorificado ao lado do Pai. Estevão quando estava sendo apedrejado por pregar o evangelho viu os céus abertos e Jesus à direita de Deus. Saulo, abordado no caminho de Damasco, viu uma grande luz e ouviu uma voz dizendo: “Eu sou Jesus a quem você persegue”. João, em sua visão na ilha de Patmos, viu um semelhante ao Filho do Homem em meio a candelabros de ouro. Jesus foi glorificado no céu e foi preparar a nossa morada eterna com Ele.
O Senhor nos enviou o Consolador, o Espírito da Verdade que nos guiará. Ele nos ensina a guardar todas as ordenanças e nos acompanha todos os dias. O Rei Soberano ainda nos prometeu uma coroa incorruptível quando Ele Se manifestar como o Supremo Pastor.
E quando Ele vier como Rei, em um momento em que ninguém espera, devemos vigiar para não nos distrairmos, pois nessa segunda vinda os que permanecerem fiéis irão reinar juntamente com Ele. Neste dia, o Senhor julgará a todos e fará a separação entre os fiéis e os infiéis e receberá em Seu Reino os escolhidos que O verão dessa vez glorificado com Suas vestes talares, cabelos brancos como a neve e olhos como chamas de fogo. Essa visão, humanamente não conseguimos dimensionar, mas quando
estivermos com Ele seremos totalmente renovados e O veremos como Ele realmente é: Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Conclusão
Todos os dias de Jesus entre os homens fez parte do plano de salvação de Deus Pai para todos nós. Jesus viveu de maneira irrepreensível e incorruptível durante toda a Sua vida e, principalmente, em Seus últimos dias, mesmo sabendo que se aproximavam os acontecimentos mais angustiantes que um ser humano seria capaz de vivenciar e suportar. Uma morte terrível e injusta, pois a morte de cruz era a punição mais severa daquela época e era destinada às piores pessoas.
Sua ressurreição, já profetizada desde o Antigo Testamento e predita por Ele mesmo em várias ocasiões selou a obra salvadora de Jesus provando que nem a morte é capaz de vencer Aquele que tem todo o poder nos Céus e na Terra. Esse poder nos foi dado mediante o reconhecimento de que Jesus é o Senhor e Salvador de nossas vidas. Isso nos dá a certeza de que teremos vida por toda a eternidade.
Seus últimos dias foram marcados por total entrega à vontade soberana de Deus. Em todo o tempo Jesus esteve com Seus discípulos ensinando-os e preparando-os para a Sua morte e ressurreição. Este grande acontecimento profetizado por uns, presenciado por outros e crido por muitos nos levou de volta ao Pai e nos deu a chance de vivermos a eternidade em glória diante do Rei dos reis, Jesus.
Lição 4 – O início da Igreja
Objetivo Geral
Conhecer os primeiros anos da Igreja primitiva.
Introdução
Iremos conhecer de forma histórica e cronológica o começo da Igreja para entendermos como os discípulos de Jesus reagiram a sua partida definitiva após a ressureição. A ideia é que entendamos o contexto histórico em que se deram os primeiros anos da Igreja primitiva. Iremos ver que à semelhança das sementes, a morte trouxe a multiplicação de novos convertidos.
Essa Igreja primitiva testemunhava a Jesus como o Filho de Deus e tal testemunho afrontava os principais líderes religiosos e aos partidos que controlavam a Judeia. Esse incômodo provocou as primeiras perseguições, pois essa Igreja crescia de forma extraordinária. Dessa forma, a perseguição teve um papel importante.
Vamos ver que o principal líder da perseguição, aquele que possuía cartas de autorização para perseguir os cristãos até com a morte, teve um encontro com Cristo e, desse dia em diante, mudou drasticamente a trajetória de sua vida.
Descobriremos os primeiros anos da Igreja cristã, bem como os principais acontecimentos e os principais atores históricos desse período que irão nos ajudar a entender o propósito da Igreja e isso nos inspirará a viver o Evangelho de forma exemplar, como foram esses irmãos.
1. Um começo nada fácil
O contexto se deu no ano 30 d.C, sob o governo de Herodes Agripa e no Império de Tibério Cláudio. A Igreja era liderada pelos apóstolos e era formada por homens, na sua maioria, de poucas letras (At 4.14). Eles sabiam daquilo que Jesus havia ensinado, mas contavam com um enorme aliado, o Espírito Santo que os capacitavam para pregar as boas novas de salvação. Atos versa que o Espírito Santo é o centro de todos os movimentos no livro, começando com o derramamento (At 2.4), até surpreender aos judeus, manifestando-se também entre os gentios.
No início deste segundo relato de Lucas, no livro de Atos, após ressuscitar, Jesus disse aos Seus discípulos que eles seriam batizados com o Espírito Santo, receberiam poder e tornar-se-iam testemunhas “até a parte mais distante da terra” (At 1.8).
Ao Jesus ascender, desaparecendo da vista deles, dois homens vestidos de branco lhes disseram: “Este Jesus, que dentre vós foi acolhido em cima, no céu, virá assim da mesma maneira”.
No capítulo 2 aconteceu o maior milagre, o primeiro momento precioso do cristianismo, o cumprimento da promessa de Jesus, que foi o esperado derramamento do Espírito Santo, que veio como som veemente e impetuoso, enchendo a todos (v.4) os que estavam dentro da casa com o Espírito e línguas como que de fogo se assentaram sobre os que estavam presentes. Eles ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas diferentes sobre “as coisas magníficas de Deus” (At 2.11). Os espectadores, judeus de várias partes do mundo que subiram a Jerusalém para oferecer sacrifícios, ficaram perplexos. Então, Pedro se levantou para falar. Ele explicou que aquele derramamento do Espírito era o cumprimento da profecia de Joel (Jl 2.28-32) e que Jesus Cristo, ressuscitado e enaltecido à destra de Deus, “derramou isto que veem e ouvem”.
A ousadia e intrepidez de Pedro foi novamente vista no seu discurso no templo, logo após a cura de um homem que desde a sua concepção era coxo. Essa ousadia afrontou aos líderes religiosos, que enfurecidos, lançaram Pedro e João na prisão e, posteriormente, os liberaram recomendando que deixassem de anunciar a Jesus. No entanto, eles continuaram pregando e novamente foram levados perante o Sinédrio, sendo acusados de “encher Jerusalém com o seu ensino”. Eles replicaram: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens”. Embora chibatados e ameaçados, ainda assim se recusaram a parar, e “cada dia, no templo e de casa em casa, continuaram sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas a respeito do Cristo, Jesus” (At 5.28-29, 42).
2. Morte e crescimento
Juntamente com o crescimento surgiram os problemas na Igreja. Helenistas (judeus que falavam grego) reclamavam que suas viúvas estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de alimentos e os apóstolos não achavam razoável deixar de pregar a Palavra para servir as mesas. Então, os apóstolos convocaram os discípulos e propuseram que fosse formada uma comissão de "sete homens acreditados, cheios de espírito e de sabedoria" (At 6.3), que se incumbiriam da distribuição. São os sete: Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau.
Estevão era homem cheio de fé e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Mesmo assim, levantaram-se alguns que eram da sinagoga dos Libertos, composta por judeus helenistas que, na sua maioria, eram turistas e imigrantes. Estes subornaram alguns homens para dizer mentiras e, com isso, Estevão foi preso e posto diante Sinédrio. Em sua defesa, Estevão fez uma exposição que começou no chamado de Abraão até os dias de Jesus, bem como mostrou a dureza dos corações daqueles que o ouvia. Isso despertou a ira dos ouvintes e o condenou à morte. Em seguida, Estevão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, Jesus de pé, à direita de Deus, e disse: "Vejo o céu aberto e o Filho do homem de pé, à direita de Deus" (At 6.56). Logo em seguida, os que o ouviram o levaram para fora da cidade, colocando suas roupas aos pés de Saulo, apedrejando-o, quando ainda, Estevão declarou: “Senhor, não os consideres culpados deste pecado" (At 7.60).
Após a morte de Jesus, Estevão se tornou o primeiro mártir da Igreja, no entanto, isso não foi suficiente para parar o crescimento da Igreja, seja em Jerusalém, seja fora da Judeia.
3. Começou a perseguição
Após a morte de Estevão, o Evangelho foi impulsionado para fora de Jerusalém, por causa das constantes perseguições e desencadeou o segundo precioso momento para o cristianismo. Nesse tempo, muitos foram espalhados pelas terras da Judeia e Samaria, exceto os apóstolos que se mantiveram em Jerusalém. Saulo, após a morte de Estevão, manteve a perseguição à Igreja, entrando em casas e arrastando homens e mulheres para a prisão. No entanto, quanto mais perseguiam, mais a Igreja se espalhava por várias regiões.
Nesse contexto, Filipe desceu a Samaria, onde as multidões reunidas ouviram-no, pois viram os sinais miraculosos que ele realizava, como a libertação de espíritos imundos, a cura de coxos e, por isso, havia muita alegria naquela cidade. Filipe aproveitou para realizar o batismo de muitas pessoas. Notícias de Samaria chegaram a Jerusalém, e por isso João e Pedro foram verificar pessoalmente quando tiveram a oportunidade de orar para que os novos convertidos recebessem o Espírito Santo (At 8.15).
Mesmo diante desse mover do Espírito Santo em Samaria, Filipe foi levado pelo próprio Espírito para encontrar um eunuco etíope, um oficial importante, encarregado de todos os tesouros de Candace, rainha dos etíopes. Esse homem viera a Jerusalém para adorar a Deus e, de volta para casa, sentado em sua carruagem, lia o livro do profeta Isaías. No entanto, não entendia o que lia e Filipe subiu em sua carruagem para ensiná-lo acerca de Cristo e do batismo.
A tradição afirma que esse eunuco levou o Evangelho e a verdade de Cristo ao Norte da África, pois, até então, ele subia a Jerusalém para apresentar suas ofertas e sacrifícios no Templo, segundo estabelecia a Torah. Depois do batismo do eunuco, Filipe apareceu em Azoto e, indo para Cesareia, pregou o Evangelho em todas as cidades pelas quais passava.
4. De perseguidor a perseguido
No ano 37 d.C. durante o governo de Herodes Agripa I e no Império de Calígula, ocorreu a conversão mais improvável, a conversão de Saulo de Tarso. Sendo que seu chamado foi para o apostolado. Esse fato pode ser entendido como o terceiro precioso momento para o cristianismo.
Paulo, apesar de ser judeu, nasceu em Tarso, tendo cidadania romana. Sua primeira aparição na Bíblia foi relatada em Atos 7, durante o apedrejamento de Estêvão. Ele foi batizado como “Saulo”, possivelmente em homenagem ao rei Saul, que era da Tribo de Benjamim como ele. Paulo e sua família não viviam como os gentios, pelo contrário, ele se classificava como “hebreu de hebreus”, criado em Jerusalém, “aos pés de Gamaliel”, o mais ilustre rabino de sua época. Na juventude, mudou-se para Jerusalém, muito provavelmente, com sua irmã. Ali, ligou-se às tradições judaicas, vendo no cristianismo uma grande ameaça. Por isso, tornou-se um dos maiores perseguidores da Igreja.
Saulo, “respirando ainda ameaça e assassínio contra os discípulos do Senhor”, empreendeu viagem para prender os que “pertenciam ao Caminho”, em Damasco. Repentinamente, em volta dele apareceu uma luz vinda do céu, e ele caiu cego em terra. Uma voz do céu lhe disse: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”. Depois de três dias em Damasco, um discípulo de nome Ananias veio prestar-lhe
ajuda. Saulo recuperou a vista, foi batizado e ficou cheio de Espírito Santo, de modo que se tornou um zeloso e habilitado pregador das boas novas. (At 9.1-2, 5). Nessa surpreendente reviravolta de acontecimentos, o perseguidor passou a ser o perseguido e teve de fugir para salvar sua vida, primeiro, de Damasco, depois, de Jerusalém.
Após ser batizado, passou alguns dias com os discípulos em Damasco, onde começou a pregar a Jesus como o Filho de Deus nas Sinagogas. Aqueles que o via diziam: “Não é ele o homem que procurava destruir em Jerusalém aqueles que invocam este nome? E não veio para cá justamente para levá-los presos aos chefes dos sacerdotes" (At 9.21). Decorridos muitos dias, os judeus decidiram de comum acordo matá-lo, mas Saulo ficou sabendo do plano deles. Dia e noite eles vigiavam as portas da cidade a fim de matá-lo, mas os seus discípulos o levaram de noite e o fizeram descer num cesto, através de uma abertura na muralha.
Em Jerusalém, tentou reunir-se com os discípulos, mas todos estavam com medo dele, não acreditando que fosse realmente um discípulo. Então, Barnabé o levou aos apóstolos e lhes contou como, no caminho, Saulo vira o Senhor, que lhe falara e como em Damasco ele havia pregado corajosamente em o Nome de Jesus. Assim, Saulo ficou com eles e andava com liberdade em Jerusalém, pregando corajosamente em o Nome do Senhor. Falava e discutia com os judeus de fala grega, mas estes tentavam matá-lo também. Sabendo disso, os irmãos o levaram para Cesareia e o enviaram para Tarso.
Conclusão
Após a ascensão de Jesus Cristo, a Igreja teve os seus primeiros passos sem a presença física de Jesus. Conhecendo esses dias iniciais percebemos que não foram momentos fáceis para a Noiva do Senhor, pois a perseguição começou logo nos primeiros anos e de forma implacável. Essa perseguição foi tão intensa a ponto de ceifar a vida de Estevão, no entanto, quanto mais perseguiram a Igreja, mais ela cresceu e se espalhou por várias partes. E, por fim, o mais improvável aconteceu, o maior perseguidor do período tornou-se o perseguido por pregar a Jesus como o Filho de Deus.
Os temas estudados são de vital importância, pois nos mostra como a Igreja conseguiu passar pelas fases mais dolorosas e, nas aflições, encontrar meios de superá-las, crescendo ao mesmo tempo em amor e comunhão, sempre orientada pelo poder do Espírito Santo.
Devemos aprender com nossos primeiros irmãos a não desistir da nossa fé, mesmo enfrentando as maiores dificuldades, rompendo e rumando para o alvo que é Jesus Cristo.
Lição 5 – A expansão da Igreja
Objetivo Geral
Conhecer as principais viagens missionárias que expandiram a Igreja para além da Judeia e Samaria, bem como conhecer o seu início em Antioquia.
Introdução
É importante para todo cristão conhecer os principais relatos bíblicos sobre a Igreja do primeiro século, pois por meio deles é possível conhecer as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros do Evangelho de Cristo.
Nesta lição, buscaremos expor a viagem missionária de Pedro e sua contribuição para a expansão da Igreja, como bem a importância da igreja em Antioquia e os principais fatos que ali ocorreram na fase de crescimento do evangelho sobre as regiões mais próximas a Judeia. Vamos também conhecer as viagens missionárias dos apóstolos Barnabé e Paulo e os desafios que enfrentaram em cada cidade que visitaram.
Todas essas informações históricas são importantes para entendermos que a Igreja de Cristo sobre a Terra sempre enfrentou desafios e dificuldades, mas Deus, por Sua infinita misericórdia, capacitou Seus enviados e os orientou para superar as barreiras e levar o Evangelho a todos que necessitam.
1. As viagens missionárias de Pedro
Muito se fala nas viagens missionárias de Paulo, mas as viagens missionárias de Pedro também obtiveram resultados fundamentais para o crescimento e consolidação do evangelho pelo mundo. Até o capítulo 13, do livro de Atos dos Apóstolos, Pedro aparece com bastante destaque. Inclusive, durante os primeiros anos, ele foi o líder da igreja em Jerusalém. Durante seu ministério, ocorreram grandes milagres ao ponto de até mesmo os doentes serem colocados à beira do caminho para sobre eles passar a sombra do apóstolo (At 5.15).
Após a morte de Estêvão, houve uma forte perseguição na igreja de Jerusalém, isso por volta do ano 37 d.C. e se intensificou nos anos seguintes, a ponto dos discípulos deixarem a cidade para ir às regiões da Judeia, Galileia e Samaria, onde tinha paz (At 9.31). Nesse período, Filipe realizou um grande trabalho de evangelização em Samaria e a notícia do que ocorria nessa região chegou à Jerusalém e por isso Pedro e João foram enviados para lá. Já em Samaria, os dois apóstolos oraram por imposição de mãos para que os membros daquela igreja pudessem receber o Espírito Santo, pois só haviam sido batizados nas águas. Tendo testemunhado e proclamado a Palavra do Senhor, Pedro e João voltaram a Jerusalém, pregando o Evangelho em muitos povoados samaritanos.
Na segunda viagem de Pedro, aproveitando do período de paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria, ele foi a Lida, cidade fundada por um membro da tribo judaica de Benjamim, chamado Samed (1Co 8 .12). Lida ficava na região de Jope, uma cidade portuária na costa sudoeste da Palestina, tida como uma das mais antigas do mundo, cujo nome significava “bela”. Nessa região, Pedro orou pela cura de Eneias, um paralítico há oito anos. Por esse milagre, todos os que viviam em Lida e Sarona o viram e se converteram ao Senhor. Ainda na região de Jope, Pedro orou por Tabita, que havia falecido e ela voltou à vida. Esse fato foi amplamente conhecido e, por isso, ele ficou muitos dias em Jope. Nesse período, um homem chamado Cornélio, centurião do regimento conhecido como italiano, mandou buscar Pedro após ter uma visão. Assim, Pedro, após receber uma revelação divina, atendeu ao chamado da família de Cornélio em Cesareia. Nesta cidade, Pedro foi recebido por Cornélio que o esperava com seus parentes e amigos. Naquele encontro, Pedro falou sobre Jesus e aqueles gentios creram a ponto de receberem o Espírito Santo e o batismo nas águas.
Após essa viagem, quando retornou a Jerusalém, Pedro enfrentou críticas dos que eram do partido dos circuncisos, pois estes alegavam que Pedro havia entrado na casa de homens incircuncisos e havia comido com eles. Em sua defesa, Pedro relatou a visão dos animais impuros e a orientação divina sobre não chamar de impuro aquilo que Deus purificou. Relatou ainda a orientação divina para ir até Cornélio e o que Deus havia feito no meio dos gentios. Diante desses relatos, a igreja em Jerusalém louvou a Deus, dizendo: "Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios".
2. Os cristãos da Antioquia
Com a perseguição severa em Jerusalém, alguns irmãos foram para Fenícia, Chipre e Antioquia. A Fenícia, localizada no atual Líbano, era uma faixa estreita à beira-mar no oriente do mar Mediterrâneo que incluía os portos de Tiro e Sidom. Enquanto o Chipre é, ainda hoje, uma ilha grande no nordeste do Mediterrâneo. Antioquia, nesse período, era a capital da Síria, e da província romana da Ásia. Estava em terceiro lugar em importância no império romano, vindo depois de Roma e Alexandria. Nesse momento, o Evangelho foi levado somente aos judeus (At 11.19). No entanto, alguns cipriotas e cireneus foram a Antioquia e começaram a falar também aos gregos, contando-lhes as boas novas a respeito do Senhor Jesus. Por essa atitude, a mão do Senhor os abençoou e houve um grande crescimento do número de pessoas que se converteram.
Esse mover chegou ao conhecimento da igreja em Jerusalém. Diante disso, a igreja enviou Barnabé a Antioquia. Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo o coração. Desse local, partiu para Tarso à procura de Saulo. Quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante um ano, inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos (At 11. 26 ).
Naqueles dias, alguns profetas desceram de Jerusalém para Antioquia. Ágabo, pelo Espírito, disse que uma grande fome viria sobre todo o mundo romano. Isso aconteceu durante o reinado de Cláudio. Os discípulos, cada um segundo as suas possibilidades, decidiram providenciar ajuda para os irmãos que viviam na Judeia. Para levar as provisões, enviaram as ofertas aos presbíteros pelas mãos de Barnabé e Saulo. Ao término dessa missão os dois voltaram a Jerusalém, levando a João Marcos.
Nesse período, o rei Herodes Agripa, o neto de Herodes, o Grande e sobrinho de Herodes Antipas, aquele que matou a João Batista, prendeu alguns que pertenciam à igreja, com a intenção de maltratá-los. Ele mandou matar a Tiago, irmão de João. Vendo que isso agradava aos judeus, mandou prender a Pedro, durante a festa dos pães sem fermento. Herodes Agripa pretendia submetê-lo a julgamento público depois da Páscoa. No entanto, de forma extraordinária as cadeias onde Pedro estava foram abertas e um anjo o conduziu à liberdade. Herodes ficou extremamente irado a ponto de mandar executar os guardas da prisão. Pouco tempo depois, após ser aclamado pelo povo de Tiro e Sidom, por não glorificar a Deus, um anjo do Senhor o feriu; ele morreu comido por vermes.
3. A primeira viagem missionária de Saulo e Barnabé
A igreja de Antioquia se reunia para um período de oração e jejum. Enquanto eles estavam orando, o Espírito Santo falou para separar Paulo e Barnabé para enviá-los (At 13.2). Depois de ouvir a voz do Espírito, impuseram as mãos sobre suas cabeças e os consagraram para fazer a obra que Deus. Paulo e Barnabé, juntamente com João Marcos, partiram para Chipre. Lá, eles pregaram na sinagoga e depois viajaram por toda a ilha até chegarem a Pafos.
Em Pafos havia um falso profeta chamado Bar-Jesus e o feiticeiro Elimas que tentaram impedir a pregação do Evangelho por Paulo e Barnabé. Em resposta, Paulo, cheio do Espírito Santo, disse que Elimas ficaria cego, e no mesmo instante caiu sobre ele uma nevoa e escuridão (At 13.11). O procônsul Sergio Paulo, que desejava ouvir a Palavra de Deus, viu a cegueira instantânea e creu na doutrina de Cristo.
Depois que eles deixaram Pafos, navegaram para Perge, na Panfília. Lá, João Marcos, que era primo de Barnabé, deixou a viagem e voltou para Jerusalém. De Perge, eles seguiram para Antioquia da Pisídia, o que é hoje a Turquia. Nessa região, buscaram anunciar o Evangelho na sinagoga local. Quando Paulo e Barnabé estavam saindo da sinagoga, o povo os convidou a falar no sábado seguinte. Muitos dos judeus e estrangeiros convertidos ao judaísmo os seguiram. No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a Palavra do Senhor. Quando os judeus viram a multidão, ficaram cheios de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo dizia. No entanto, os gentios criam cada vez mais e Palavra do Senhor se espalhava por toda a região. Entretanto, os judeus incitaram algumas mulheres de elevada posição e os principais da cidade, e provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, que os expulsaram do seu território.
Em Icônio, Paulo e Barnabé foram à sinagoga judaica. Ali veio a crer uma grande multidão de judeus e gentios. Entretanto, os judeus que não creram incitaram os gentios contra os eles. Mesmo assim, Paulo e Barnabé passaram bastante tempo ali, falando corajosamente do Senhor, que realizava sinais e maravilhas pelas mãos deles. O povo da cidade ficou dividido. Alguns estavam a favor dos judeus, outros a favor dos missionários. Formou-se, então, uma conspiração de gentios, judeus e seus líderes, para maltratá-los e apedrejá-los. Quando eles souberam disso, fugiram para as cidades licaônicas de Listra e Derbe, e seus arredores, onde continuaram a pregar as boas novas.
Em Listra, Paulo curou um homem paralítico dos pés, aleijado desde o nascimento. Ao ver o que Paulo fizera, a multidão começou a gritar em língua licaônica: "Os deuses desceram até nós em forma humana!". Eles acreditavam que Barnabé era Zeus e Paulo era Hermes. O sacerdote de Zeus, cujo templo ficava diante da cidade, trouxe bois e coroas de flores à porta da cidade para sacrifícios. No entanto, eles não aceitaram e alertaram a multidão que eram homens comuns trazendo as boas novas para eles. Então, alguns judeus chegaram de Antioquia e de Icônio e mudaram o ânimo das multidões. Em seguida, apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, pensando que estivesse morto. No dia seguinte, ele e Barnabé partiram para Derbe.
Em Derbe, eles pregaram as Boas Novas e fizeram muitos discípulos. Então, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: "É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus". Paulo e Barnabé designaram-lhes presbíteros em cada igreja.
Passando pela Pisídia, chegaram à Panfília e, tendo pregado a Palavra em Perge, desceram para Atália, navegaram de volta a Antioquia. Chegando ali, reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus tinha feito por meio deles e como abrira a porta da fé aos gentios.
4. A segunda viagem missionária de Paulo e Silas
Alguns homens desceram da Judeia para Antioquia e passaram a ensinar aos irmãos a necessidade da circuncisão conforme a lei de Moises. Isso levou Paulo e Barnabé a uma discussão com eles. Assim, os dois foram designados para irem a Jerusalém tratar dessa questão com os apóstolos e com os presbíteros. Chegando a Jerusalém, os apóstolos e os presbíteros se reuniram para considerar essa questão. Nessa oportunidade, Pedro relatou toda a sua experiência com os gentios e o fato de obterem a salvação pela graça. Em seguida, Barnabé e Paulo falou de todos os sinais e maravilhas que, por meio deles, Deus fizera entre os gentios. Então, a igreja decidiu enviar alguns deles a Antioquia recomendado somente a abstenção comida sacrificada aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da imoralidade sexual.
Algum tempo depois, Paulo, que estava ainda em Antioquia, chamou a Barnabe para visitar as igrejas que haviam conhecido na primeira viagem. Durante essa preparação os dois tiveram um desentendimento por causa de João Marcos, uma vez que este os havia abandonado na Panfídia. Por isso, os dois tomaram rumos diferentes.
Barnabé e Marcos embarcaram rumo a Chipre, enquanto Paulo e Silas foram para a Síria e a Ásia Menor. Timóteo se juntou a Paulo em Listra, e prosseguiram para Trôade, na costa do mar Egeu. Ali, Paulo viu numa visão um homem que lhe súplicava: “Passa à Macedônia e ajuda-nos.” (At 16 .9) Lucas se juntou a Paulo e eles tomaram um navio para Filipos, a cidade principal da Macedônia, onde Paulo e Silas foram lançados na prisão. Ao serem soltos, foram para Tessalônica e ali os judeus, ficando com ciúmes, incitaram a turba contra eles de modo que os irmãos enviaram Paulo e Silas de noite a Bereia. Ali, os judeus mostraram ter mentalidade nobre, recebendo a palavra, examinando cuidadosamente as Escrituras, em busca de confirmação das coisas aprendidas. Paulo, deixando Silas e Timóteo nesta nova congregação, assim como havia deixado Lucas em Filipos, continua rumo ao sul, para Atenas.
Em Atenas, filósofos epicureus e estoicos chamaram a Paulo de “paroleiro” e “publicador de deidades estrangeiras”, e o levaram ao Areópago, ou colina de Marte. Paulo argumentou em favor de se buscar o verdadeiro Deus, o “Senhor do céu e da terra”, que garante um julgamento justo por intermédio daquele a quem ressuscitou dentre os mortos. A menção da ressurreição divide a sua assistência, mas alguns se tornam crentes.
A seguir, em Corinto, Paulo fica com Áquila e Priscila, trabalhando com eles na profissão de fazer tendas. A oposição à sua pregação o obriga a sair da sinagoga e a realizar as suas reuniões numa casa, no lar de Tício Justo. Crispo, o presidente da sinagoga, tornou-se crente. Depois de uma estada de 18 meses em Corinto, Paulo partiu com Áquila e Priscila para Éfeso, onde os deixou, e continuou a viagem à Antioquia da Síria, completando assim a sua segunda viagem missionária.
Conclusão
Nesta lição, tivemos a oportunidade de conhecer o período de expansão da Igreja do primeiro século. Nesse período, a igreja de Antioquia, fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, exerceu papel importante para a criação de outras igrejas na sua região.
Podemos também conhecer, de forma cronológica, a primeira e segunda viagem missionaria do apostolo Paulo e entender como este homem foi importante para a expansão do evangelho em seu tempo, pois com ousadia e intrepidez pregou a Palavra de Deus, mesmo sofrendo grande agruras. Ele sempre teve a preocupação de não só pregar, mas de estruturar a comunidade cristão do local e se dispôs a dedicar um tempo de sua jornada a cada comunidade até que ela tivesse maturidade para caminhar com suas próprias pernas. Tudo isso evidencia que a Igreja cresceu não somente em Jerusalém, como na Judeia e até os confins do mundo, confirmando assim o mandamento de Jesus em Mc 16.15 e At 1.8.
Por isso, devemos trabalhar e pregar o Evangelho a toda criatura, todos nossos familiares, vizinhos, colegas de trabalho e desconhecidos, para que o mundo experimente o quão maravilhoso é andar e ter Jesus em nossas vidas.
Lição 6 – o cuidado por meio das cartas
Objetivo Geral
Conhecer as principais cartas escritas pelo apóstolo Paulo e entender em que contextos históricos foram escritas e enviadas, bem como conhecer a jornada da terceira viagem missionária.
Muitos de nós até conhecemos o conteúdo ou sabemos alguns versículos de algumas cartas que Paulo escreveu, mas poucos conhecem o contexto das igrejas para as quais ele escreveu. Conhecer um pouco do contexto histórico-geográfico e cultural dos tessalonicenses, dos gálatas e dos coríntios irá nos ajudar a ter um melhor entendimento sobre os assuntos que Paulo abordou em cada carta.
Da mesma forma, entender o itinerário e em que contexto se deu a terceira viagem missionária de Paulo, irá nos ajudar a compreender quando ele escreveu cada carta acima mencionada e irá nos dar uma perspectiva dos desafios que ele enfrentou em toda a sua jornada como apóstolo do Senhor Jesus.
Dessa forma, ter uma visão cronológicas desses fatos facilitará nosso entendimento quanto aos desafios que enfrentamos no dia a dia na obra de Deus, que não é algo novo, mas iremos verificar que, até mesmo Paulo, um dos maiores homens de Deus, viveu dificuldades e desafios, assim como nós, e saberemos com ele agiu, que nos orientará no nosso comportamento na jornada cristã.
1. As cartas aos Tessalonicenses
Tessalônica, situada ao noroeste da Tessália, no golfo Salônica, era a capital da província romana da Macedônia. Foi a primeira cidade da Europa evangelizada. Ela cresceu rapidamente devido a sua posição geográfica. Era uma cidade portuária ligando os mares Egeu e Adriático. N o ano 42 a.C. era considerada uma das cidades livres no Império Romano, sendo governada por um procônsul romano. Nela, havia uma comunidade judaica que se dedicava ao comércio portuário.
Devemos relembrar que em Tessalônica Paulo e Barnabé pregaram o Evangelho de Cristo e houve conversão de judeus e de muitos gregos religiosos, e por isso os dois foram perseguidos, quando fugiram para Bereia. Os judeus de Tessalônica, sabendo que os dois estavam em Bereia, foram até lá para persegui-los, em decorrência disso eles passaram em Atenas, onde Paulo enfrentou filósofos epicureus e estoicos. Após, Atenas se destinou a Corinto, onde, aproximadamente no ano 54 d. C., redigiu as duas cartas aos Tessalonicenses.
Paulo escreveu aos crentes da igreja da Tessalônica, cuja fundação ocorreu na sua segunda viagem missionária. Ele as escreveu porque soube, provavelmente por Timóteo, do progresso da igreja e ele desejava elogiá-los por crescerem no Senhor e também para exortá-los a corrigir alguns equívocos. Foi considerada umas das cartas mais pessoais de todas que ele escreveu. Na primeira carta continha: elogios à igreja, recordações de seu ministério, indicação de Timóteo como obreiro, fez exortações,
declarou a esperança futura, e ditou deveres práticos para a vida cristã. Na segunda carta, Paulo buscou esclarecer o mal-entendido causado pela primeira carta, quanto à vinda de Cristo, além das advertências contra o desassossego, e expôs sua confiança na igreja. Aproveitou também para mostrar o exemplo apostólico e fez as admoestações finais.
2. Terceira viagem missionária de Paulo
Paulo permaneceu em Corinto por algum tempo. Depois, despediu-se dos irmãos e navegou para a Síria, acompanhado de Priscila e Áquila. Chegaram a Éfeso, onde Paulo deixou Priscila e Áquila, e, como de costume, debatia com os judeus na sinagoga. Partiu de Éfeso, passando pela Cesareia, subiu a Jerusalém para saudar a igreja, e depois desceu para Antioquia, tendo permanecido ali algum tempo. Paulo viajou por toda a região da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos. Em seguida, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso.
Em Éfeso, realizou batismos e impôs as mãos para a descida do Espírito Santo. Entrou na sinagoga, debatendo e convencendo a respeito do Reino de Deus. Com a resistência de alguns judeus, Paulo então passou a ensinar na escola de Tirano durante dois anos. Nesse período, houve a libertação de espíritos imundos. Isso impactou tanto aquela cidade que os moradores queimaram os livros de feitiçaria. Depois dessas coisas, Paulo decidiu no espírito ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia. Naquele tempo houve um grande tumulto por causa do Caminho, uma vez que a doutrina ensinada por Paulo afrontava as práticas comerciais mais comuns, o culto e o comércio de imagens da deusa Diana.
Cessada a confusão em Éfeso, Paulo chamou os discípulos e, depois de encorajá-los, partiu para a Macedônia. Viajou por aquela região, encorajando os irmãos com muitas palavras e, por fim, chegou à Grécia, onde ficou três meses. Quando estava a ponto de embarcar para a Síria, os judeus fizeram uma conspiração contra ele; por isso decidiu voltar pela Macedônia, sendo acompanhado por Sópatro, filho de Pirro, de Bereia; Aristarco e Secundo, de Tessalônica; Gaio, de Derbe; e Timóteo, além de Tíquico e Trófimo, da província da Ásia. Esses homens foram adiante e esperaram em Trôade. Navegaram de Filipos, após a festa dos pães sem fermento, e cinco dias depois reuniram-se com os outros em Trôade, onde ficaram sete dias.
Após esse período, Paulo e alguns discípulos se encontraram em Assôs e navegaram até Mileto, porque Paulo já havia determinado não aportar em Éfeso, não querendo demorar-se na Ásia, porquanto se apressava com o intuito de passar o dia de Pentecostes em Jerusalém. Em Mileto, Paulo chamou os presbíteros da igreja de Éfeso para se despedir deles porque sabia que cadeias e tribulações o esperavam. No mesmo dia, o apóstolo partiu para a Rodes, e dali a Pátara. Achando um navio que ia para a Fenícia, embarcaram nele, chegando a Tiro. Encontrando os discípulos, permaneceu lá durante sete dias; e eles, movidos pelo Espírito Santo, recomendaram a Paulo que não fosse a Jerusalém. Saindo de Tiro, passou em Ptolemaida, onde saudou os irmãos, passando um dia com eles. No dia seguinte, partiu para Cesareia e, entrando na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficou com ele. Neste local, foi advertido do que o esperava em Jerusalém, entretanto, mesmo assim subiu a Jerusalém. Os irmãos de Jerusalém o receberam com alegria e ele contou tudo quanto Deus havia realizado.
3. A carta aos Gálatas
Esta carta foi inicialmente destinada às igrejas da Galácia, região da Anatólia e habitada por um grupo étnico de origem celta, localizada na região central da atual Turquia. Estes celtas eram guerreiros e mercenários, respeitados por gregos e romanos. A população local, formada por capadócios, controlava as cidades e as terras pagando tributos aos celtas. Essa região recebeu este nome por causa dos imigrantes gauleses vindos da Trácia que se assentaram ali. Em 189 a.C., Roma dominou a região após a Guerra Gálata, e manteve o controle por meio de monarcas-fantoches locais. Os gálatas celtas foram povos que mantiveram contato com diversas outras culturas ao longo da história, e construíram muitos de seus próprios costumes, crenças e visões de mundo a partir do contato com outros povos.
A igreja de gálatas foi fundada pelo apóstolo Paulo em uma de suas primeiras viagens missionárias. Segundo a tradição cristã, Paulo fundou igrejas na Galácia para combater judeus que afirmavam que gentios, pessoas que não são israelitas, só poderiam ser salvos se fossem circuncidados e seguissem todas as leis de Moisés.
A Epístola de Paulo aos Gálatas pode ser resumida como uma carta escrita aos judeus cristãos que depositaram a confiança em rituais da lei de Moisés, o que era visto como um afastamento do Evangelho de Jesus Cristo. A carta é valiosa nos estudos cristãos, uma vez que pode nos ajudar a compreender e valorizar a liberdade do Evangelho de Jesus Cristo. Assim, os principais objetivos do apóstolo Paulo, com a epístola à Galácia era denunciar e corrigir os falsos ensinos que tinham infiltrado na igreja, esclarecendo a diferença entre a antiga aliança que Deus fez por meio de Moisés e a nova aliança feita por Cristo, assim como ensinar que todos poderão ter salvação por meio da fé em Deus.
4. As cartas aos Coríntios
Corinto é uma antiga pólis grega, cerca de 48 km a oeste de Atenas. A moderna cidade de Corinto está localizada cerca de 5 km a nordeste das ruínas antigas e é a segunda maior cidade do Peloponeso, com vários locais para turistas. Ela era um rico centro comercial e portuário, abrigando uma população cosmopolita, que realizava comércio com a Ásia, bem como era um ponto de comunicação com a península itálica. Os romanos a destruíram em 146 a.C., mas em 44 a.C., foi reconstruída como uma cidade romana. A nova cidade prosperou e estima-se que tinha cerca de 800 mil habitantes no tempo de Paulo. Ela foi a capital da Grécia romana, habitada principalmente por homens livres e judeus. Essa cidade também ficou conhecida pela sua promiscuidade e pela idolatria.
Estas cartas foram escritas por Paulo provavelmente dois ou três anos após deixar a igreja que havia iniciado em Corinto. Ele estava em Éfeso por mais de dois anos em sua terceira viagem missionária, quando recebeu relatos preocupantes de disputas na igreja de Corinto (1Co 1.11). Nesta igreja que ele havia fundado recentemente (At 18.1) já ocorria conflitos e divisões. Alguns crentes haviam-se tornado espiritualmente arrogantes, causando diversos problemas. Paulo escreveu suas cartas em entre 54 e 55 d.C., quando ele estava planejando deixar Éfeso e ir para Macedônia (1Co 16.5).
Paulo sabendo dos problemas daquela jovem igreja, escreveu a eles na primeira carta para alertá- los dos falsos conceitos do ministério, do orgulho intelectual, dos males sociais, da necessidade da purificação da igreja, da imaturidade existente na disputa da liderança. Aproveitou para descrever como o ministro deve ser visto, e instruiu sobre a doutrina verdadeira, dando diversos conselhos aplicáveis na vida de todos os crentes.
Na segunda carta, o que se depreende de todo o texto, é que ele desejava defender o seu apostolado, pois existia alguém que pretendia desacreditar o seu ministério e sua autoridade. Por isso, essa carta fala mais do seu ministério, revelando seus motivos, sua paixão espiritual e seu amor pela igreja. Nesse sentido, a carta aborda as características do ministério de Paulo, possui exortações e instruções acerca da generosidade, defesa do seu apostolado e instruções gerais sobre ministério, morte, chamado e sofrimento.
Conclusão
Paulo, na sua primeira e segunda viagem missionária, pôde conhecer ou fundar algumas igrejas pelas cidades em que esteve. No entanto, ele não se limitou em abri-las, mas buscava manter contato com todas elas e obter informações do seu nível de desenvolvimento e maturidade espiritual.
Nesse contexto, ele escreveu aos Tessalonicenses, pois era uma igreja que apresentava um bom desenvolvimento espiritual. Já nas cartas enviadas aos coríntios, havia preocupações quanto à imaturidade da igreja e o apego a tradições e costumes mundanos que não condiziam com a vida cristã.
Quanto a sua terceira viagem missionária, o que se pode perceber é que as dificuldades não se limitavam aos fatos presentes que ele tinha que enfrentar, mas durante a viagem precisou parar para escrever e cuidar das igrejas que já haviam sido criadas nas viagens anteriores, o que demostra que a terceira viagem teve um peso maior do que as viagens anteriores.
Com todos esses relatos, podemos aprender com os erros das igrejas a quem Paulo teve que escrever, e aprendemos também com a perseverança e a entrega de Paulo à obra de Deus, pois, sem dúvida, quando conhecemos a sua jornada missionária e o seu cuidado para com as igrejas por onde passou, entendemos que podemos cada vez mais contribuir para o Reino dos Céus.
Lição 7 – Conhecendo a Igreja por meio das cartas
Objetivo Geral
Conhecer os fatos bíblicos após o ano 60 por meio das cartas.
Introdução
Nesta lição, vamos conhecer algumas cartas que compõem o Novo Testamento, o contexto histórico-geográfico, isto é, em que locais e períodos elas foram escritas, as evidências da autoria e os principais temas abordados em cada uma delas. Estas cartas são também chamadas epístolas por se tratarem de mensagens escritas pelos apóstolos e dirigidas às primeiras comunidades cristãs do século I.
A carta de Paulo aos Romanos, por exemplo, traz profundas instruções a respeito do plano de salvação de Deus por meio da graça e mediante a fé para todos os que creem em Jesus Cristo e orientações sobre a vida e a doutrina cristã. A carta de Tiago exorta a perseverança na fé tendo o Evangelho como guia norteador, enquanto as cartas de Pedro trazem advertências sobre os falsos profetas, orientações a respeito do comportamento adequado de um cristão e o estímulo à esperança diante das perseguições iminentes.
Cabe ressaltar que, para compreendermos tais mensagens, torna-se necessário também entender como foi as vidas dos apóstolos, em que períodos, circunstâncias e locais eles escreveram, viveram e morreram. Como o apóstolo Paulo escreveu várias destas cartas, vamos estudar mais profundamente sobre sua trajetória, viagens missionárias e momentos nas prisões.
Observe, caro leitor, que não poderíamos obter instruções melhores a mais atuais dentro da realidade que enfrentamos no mundo contemporâneo. Ainda que a sociedade tenha mudado ao longo dos anos, as mensagens contidas nas cartas são de extrema importância na atualidade, afinal sabemos que a palavra de Deus é infalível, inerrante e suficiente, portanto, cabível em qualquer época ou contexto.
1. A mais longa epístola de Paulo
A epístola de Paulo aos romanos é a maior explanação a respeito do Evangelho em uma carta. Ela apresenta, dentre diversos ensinamentos, a justificação pela fé, a aplicação da doutrina cristã na vida diária e a salvação exclusivamente por meio de Cristo Jesus, visto que todos pecaram e são naturalmente destituídos da graça (ver Rm 3.23).
A autoria da carta aos romanos é facilmente identificada logo no primeiro versículo: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1). Segundo historiadores, Paulo a escreveu provavelmente em 56 d.C. enquanto estava em Corinto antes de sua visita à Jerusalém (ver At 20.2).
Paulo não chegou a visitar a igreja em Roma. A hipótese mais provável é que a igreja tenha sido iniciada por judeus e prosélitos, que haviam testemunhado os milagres do Pentecostes ao retornarem para Roma. Apesar dos debates entre teólogos a respeito do destinatário da carta, há a unanimidade de que a igreja em Roma era formada por judeus e gentios, ficando a discussão sobre qual o grupo prioritário. O fato é que um dos propósitos do apóstolo Paulo era defender a comunhão entre judeus e gentios na unidade do corpo de Cristo tendo em vista a justificação pela graça mediante a fé (ver Rm 5.12-21).
Além do ponto central mencionado, temas como a moralidade cristã e a forma com que as doutrinas do Evangelho são aplicadas no cotidiano dos santos são explanados a fim de que todos, em qualquer época e em qualquer contexto, possam compreender o plano de salvação e a importância da comunhão para o crescimento espiritual, para a perseverança e manutenção da esperança pelo poder do Espírito Santo.
2. A epístola de Tiago, irmão de Jesus
O autor desta epístola é Tiago irmão de Jesus, uma vez que o Tiago discípulo já havia sido assassinado por Herodes Agripa antes da produção das cartas que compõem o Novo Testamento. A data provável de sua escrita é por volta de 45 d.C. o que a torna a mais antiga epístola.
Algo relevante é que o autor, ou seja, o irmão de Jesus, converteu-se apenas após a ressurreição, fato evidenciado em “Depois, foi visto por Tiago, depois, por todos os apóstolos” (1 Co 15.7). Após isto, tornou-se “servo de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo” (Tg 1.1) e um dos líderes da igreja em Jerusalém. Os destinatários da carta são os judeus convertidos ao cristianismo que estavam dispersos pela cidade. A mensagem procura explicar o Evangelho, o qual se baseia na fé em Cristo Jesus, para os judeus que se deparavam com o conflito da crença no Deus único e ainda não compreendiam o princípio da trindade, como podemos observar nas palavras do próprio Cristo: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14.1).
A carta de Tiago exorta o leitor a perseverar na fé sendo obediente a fim de receber “a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam” (Tg 1.12). Outros temas importantes são as instruções a respeito da mansidão, da não acepção de pessoas e o cuidado com o poder da língua. Talvez o mais polêmico, entre os teólogos, assunto é a abordagem a respeito das obras, hoje compreendida como um incentivo a realização das obras, consequência natural da fé (ver Tg 2.26).
A epístola é encerrada com uma explanação sobre o que há de melhor na vida do crente: a intimidade com Deus. Segundo o historiador Flávio Josefo, Tiago foi morto por volta de 62 d.C.
3. A prisão de Paulo por seus compatriotas
Em seu ministério o apóstolo Paulo fez muitos amigos e inimigos e, por causa de Cristo, foi preso diversas vezes. Em Jerusalém, os inimigos eram fariseus, saduceus, sacerdotes e prosélitos. Eles acusavam Paulo de pregar contra o povo de Deus, contra as tradições mosaicas e contra o templo além de não aceitarem que Jesus era o Messias.
Estes legalistas estavam à espera de qualquer motivo que pudesse ser usado para condenar Paulo. Quando ele estava no templo com quatro homens que haviam feito um voto, acharam de acusá-lo criando um grande tumulto, o que fomentou uma revolta popular que quase culminou no seu linchamento (ver At 21.28-30). Ao lado do templo, o tribuno da corte, Cláudio Lísias, ouviu a gritaria e resgatou Paulo.
Na ocasião, o apóstolo pediu para falar ao povo. Em língua hebraica, Paulo se dirigiu, contou como tinha se transformado de perseguidor de cristãos a convertido ao Evangelho por meio da aparição de Jesus no caminho a Damasco, sendo, em seguida, batizado e iniciado seu ministério em meio aos gentios. Novamente a multidão iniciou um alvoroço, o que fez o tribuno mandar açoitar Paulo, porém ao saber que ele era cidadão romano voltou atrás e apresentou-lhe ao Sinédrio. Em sua defesa, Paulo conseguiu causar um conflito entre fariseus e saduceus ao declarar que estava sendo julgado por causa da ressurreição dos mortos (At 23.6). Este embate, fez com que o tribuno o tirasse dali. Depois disso, quarenta judeus armaram uma cilada na qual juraram não comerem nem beberem até que o apóstolo fosse morto. Sabendo disso, Lísias resolveu enviar Paulo para Cesareia, junto ao governador Marco Antônio Felix a fim de garantir um julgamento justo.
4. A viagem de Paulo a Itália
Em Atos 27 há o relato sobre a viagem de Paulo a Roma, sobre o naufrágio e sua permanência na ilha de Malta. Segundo estudos, Paulo saiu de Cesareia entre agosto e setembro e só chegou a Roma em março do ano seguinte. A partir do versículo 10, Lucas (o autor do livro) relata uma viagem cheia de perigos. O vento contrário, descrito no versículo 7, atrasou o navio até outono, quando a navegação tornou-se perigosa. Como estavam no final da estação, Paulo pôde prever que a viagem seria trabalhosa. Ainda no versículo 17, Lucas menciona o medo de que o navio fosse até Sirte, que era um banco de areia perto da costa africana.
Como Paulo fez vários alertas e recomendações para que todos sobrevivessem, acabou por assumir certa posição privilegiada na embarcação. Ele garantiu que todos iriam resistir às grandes intempéries, solicitou que comessem – pois estavam desolados e em jejum – e que o restante da carga fosse jogada ao mar com o objetivo de aliviar o navio a fim de que a embarcação se tornasse mais leve e, consequentemente, mais elevada para fora da água, podendo se aproximar da costa o máximo possível, antes de encalhar. Enfim, o lugar onde conseguiram se refugiar foi ao norte da ilha chamada Malta. Lá Paulo foi picado por uma cobra, mas não morreu e ainda curou enfermos. Os moradores daquela ilha se converteram ao cristianismo.
Aproximadamente três meses depois, todos chegaram a Roma, onde Paulo fez sua defesa e ficou em prisão domiciliar por dois anos, quando, então, foi martirizado e decapitado durante o governo do imperador Nero, em 60 d.C.
5. As cartas de Pedro: esperança e firmeza
Entre os anos 60 e 64 d.C., o apóstolo Pedro escreveu duas cartas para as igrejas espalhadas na Ásia Menor. Na primeira, o autor se apresenta como “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo” (1Pe 1.1), na segunda, como “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo” (2Pe 1.1).
A primeira epístola é destinada aos estrangeiros dispersos pelas cinco províncias da Ásia Menor, as quais pertenciam ao Império Romano e hoje estão localizadas na Turquia. Não há uma exatidão a respeito da data em que foi escrita, porém estudiosos estimam que foi no período entre 60 e 63 d.C. Na época, os cristãos estavam padecendo, pois as perseguições estavam se intensificando. Assim, a primeira carta é inspiradora, doutrinadora e instrutiva abordando temas como a obra da salvação, graça, perseguição e sofrimento de Cristo, santidade, vida familiar, relacionamento conjugal, relação com o governo, convivência cristã e liderança.
A segunda epístola foi escrita por volta de 64 d.C. para o mesmo público. Porém, neste caso, a intenção era advertir os cristãos sobre os falsos mestres que haviam sido introduzidos entre os irmãos e estavam distorcendo o Evangelho. Pedro exorta os cristãos a ficarem firmes no chamado de Deus e agirem com diligência e empenho aguardando inabaláveis no cumprimento da promessa do retorno de Jesus.
Conforme teólogos, Pedro foi um apóstolo carismático e poderoso, resultado da transformação promovida por Deus de um pescador temperamental e inconstante em um determinado líder da igreja primitiva. A morte desse apóstolo não foi relatada na Bíblia, mas historiadores indicam que ele tenha sido crucificado em Roma a mando do imperador Nero em 64 d.C.
Conclusão
É certo que todas essas epístolas e fatos descritos em Atos sobre o ministério de Paulo, Tiago e Pedro estão diretamente relacionados à igreja primitiva. No entanto, sabemos que tudo que está na Bíblia Sagrada é aplicável em qualquer contexto, época ou modelo de sociedade uma vez que ela é “viva e eficaz” (Hb 4.12) adequando-se a cada realidade. Cada carta aqui relacionada traz inúmeras lições teológicas e práticas para a vida cristã e o livro de Atos trata de uma das mais belas histórias e traz à luz os desafios inspiradores do estabelecimento da igreja do Senhor em nosso meio.
Enfim, os ensinamentos e exortações, mensagens de esperança e fé são importantíssimos para os cristãos de todo o mundo e de todas as épocas, afinal como está em Isaías, capítulo 55, versículo 11: “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei”.
Seria impossível em tão poucas linhas apresentar toda a riqueza destas epístolas que compõem o Novo Testamento, ficando aqui o incentivo para que os irmãos leiam os textos sugeridos e os livros citados na lição com diligência e desejo de aprender cada vez mais.
Tudo que está na Bíblia é para a edificação do corpo de Cristo, ou seja, da sua Igreja. Cabe a cada um de nós abrirmos os ouvidos, mentes e corações para compreendermos os preceitos contidos na Palavra de Deus e aplicá-los no nosso cotidiano até a volta gloriosa do nosso Senhor Jesus.
Lição 8 – Os últimos registros inspirados pelo Espírito Santo
Objetivo Geral
Conhecer os últimos registros do Novo Testamento, em que contextos históricos eles ocorreram e a relação existente com a atualidade.
Introdução
Chegamos a última lição do panorama bíblico do Novo Testamento de forma sistemática e sequencial, com o objetivo de contribuir para a compreensão dos fatos históricos e dos temas centrais de cada livro, além de apresentar, sucintamente, as circunstâncias vividas por seus escritores. Vale lembrar que tais escritores foram inspirados e receberam a revelação do Espírito Santo de Deus.
Nessa unidade teremos o estudo das epístolas de Paulo aos Efésios, Filipenses, Colossenses, Filemom e a carta aos Hebreus. Identificaremos a particularidade que envolve a produção dessa última, conheceremos as cartas pastorais e despedida e trataremos da conjuntura da morte do apóstolo Paulo, “o apóstolo dos gentios” (Rm 11 .13).
Por fim, faremos uma abordagem da carta de Judas, “servo de Cristo e irmão de Tiago” (Jd 1 .1) e das três cartas de João, o apóstolo, segundo ele mesmo, “aquele a quem Jesus amava” (Jo 13.23). Entenderemos um pouco sobre os aspectos políticos que levaram à queda de Jerusalém e faremos uma pequena abordagem sobre os últimos dias de vida de João e do livro do Apocalipse.
Ufa! Seria impossível esgotar tantos assuntos em tão pouco tempo e espaço. No entanto, com este estudo, temos a oportunidade de ampliar a visão sobre a inexaurível Palavra de Deus.
Afinal, como vimos em cursos anteriores, é preciso buscar instrução para a correta interpretação bíblica. E para entendê-la, é necessário compreender o contexto, analisar o significado das expressões e absorver os ensinamentos para assim aplicá-los em nossas vidas, a fim de crescermos “na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18). O convite está feito! Vamos lá?
1. As cartas de Paula na prisão em Roma
As epístolas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e a Filemom foram escritas por Paulo quando estava preso em Roma por volta do ano 64 d.C.
Na carta aos Efésios, vemos a sua identificação logo no primeiro versículo. Os interlocutores são os cristãos em Éfeso, a principal cidade romana da província da Ásia, que servia de ligação entre as partes ocidental e oriental do Império Romano, o que favorecia a “indústria e o comércio” pagão. Apesar disso, a Igreja do Senhor cresceu e entrou para a história por não abandonar o zelo pela obra (Ap 2). Os principais temas abordados estão relacionados ao próprio funcionamento da única Igreja verdadeira e os diversos ofícios de sua organização.
Na carta aos Colossenses, possivelmente, Timóteo tenha sido o auxiliar e escrevente, já Paulo parece ter feito apenas a saudação de encerramento (Cl 4.18). A Igreja em Colossos, cidade hoje localizada na Turquia, foi o destino da carta. O conteúdo visava alertar os cristãos a não serem soberbos e censurá-los ensinando que a redenção é obtida somente por meio de Cristo (Cl 1.15-23).
A epístola aos Filipenses foi dirigida a Filipos, o primeiro lugar na Europa onde Paulo pregou e estabeleceu uma Igreja (ver At 16.11-40). Os objetivos eram expressar a gratidão pelo apoio financeiro e carinho dispensado a ele durante sua segunda viagem missionária e prisão em Roma (Fp 1.3-11) e ensinar aos irmãos os pensamentos que norteiam uma vida reta (Fp 4.8).
Na carta pessoal de Paulo a Filemom, a intenção é falar sobre o perdão, visto que faz uma intercessão por Onésimo (ver Fl v.17) e mostrar o poder da igualdade do Evangelho para a salvação de todos.
2. A carta aos Hebreus
A autoria da carta aos hebreus não pode ser categoricamente atestada, no entanto, ela é atribuída, pela maior parte dos teólogos, a Paulo, pois foi evidenciado que o autor era instruído no estilo literário helenístico, dominava o grego, conhecia seus leitores originais (Hb 13.22-23), não teve contato direto com Jesus (Hb 2.3-4) e conhecia Timóteo pessoalmente (Hb 13.23). Além de todos esses indícios, a forma de escrever e expressar são coerentes com a do apóstolo Paulo.
Exatamente pela imprecisão da autoria, há uma dificuldade em determinar a data em que foi escrita. Como o templo físico ainda existia e os rituais eram regularmente realizados (Hb 10.11), a data mais provável de sua produção é antes de 70 d.C, ou seja, antes da queda de Jerusalém.
Sabe-se pelo próprio título da epístola que os destinatários eram os hebreus. Cabe ressaltar, que este grupo havia passado por muitas dificuldades, uma vez que tinham sido expulsos das instituições judaicas por confessarem Jesus (Hb 13.12-13) e ainda eram perseguidos pelos romanos, sendo, portanto, tentados a retroceder para o judaísmo (Hb 4.1-11)
Em relação à mensagem, vários estudiosos a caracterizam como um sermão escrito por um exímio pregador do Evangelho, a fim de apresentar argumentos minuciosos sobre o cumprimento do Templo na pessoa de Jesus Cristo e a revelação de que o sistema da lei, dos sacrifícios e do sacerdócio era temporário. O texto incentiva a fidelidade ao Salvador e à Nova Aliança, por ser o Cristo o último e Superior Sumo Sacerdote. A epístola aos hebreus é uma “palavra de exortação”, assim como o próprio autor a denomina em Hebreus, capítulo 13, versículo 22.
3. As cartas pastorais e de despedida
As cartas a Timóteo e a Tito são conhecidas como cartas pastorais, pois são dirigidas aos pastores de Éfeso e Creta, respectivamente.
Foram escritas por Paulo, como podemos verificar no primeiro versículo de cada uma delas sendo difícil precisar a data. Sabe-se que 1 Timóteo e Tito foram escritas no mesmo período. Considerando essa informação, as datas mais prováveis para essas epístolas são: entre 62 e 64 d.C. para 1Timóteo e Tito e entre 64 e 68 d.C para 2Timóteo, esta considerada a carta de despedida, visto que Paulo estava em Roma, preso e prestes a sofrer o martírio.
As três epístolas foram escritas aos líderes da Igreja. Em 1Timóteo, Paulo o aconselhou a assegurar que a sã doutrina fosse ensinada e a não permitir que falsidades populares distraíssem as pessoas dos ensinamentos do Evangelho. Ele orientou sobre os ofícios de bispo e diácono, e debateu as qualificações daqueles que serviam nessas posições (1Tm 3.13).
Na carta a Tito, Paulo escreveu que os santos deveriam aguardar “a bem-aventurada esperança” de exaltação e a Segunda Vinda (Tt 2.13). Paulo também falou sobre “a lavagem da regeneração” e a “renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5), fazendo alusão à ordenança do batismo para que os cristãos fossem “feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.7).
A segunda carta a Timóteo á a última das cartas pastorais, portanto, há uma abordagem e conteúdo diferentes das demais. Prestes a ser morto, Paulo faz uma reflexão sobre sua vida a serviço do Evangelho e expressa sua confiança em Cristo diante do martírio iminente. Nela lemos a inesquecível declaração: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé” (2Tm 4.7).
4. A carta do apóstolo Judas
O autor dessa epístola se identifica como “Judas, servo de Cristo e irmão de Tiago” (Jd v.1). É evidente que não se trata de Judas Iscariotes, mas sim de um membro da Igreja estimado em Jerusalém e missionário (At 1.13-14) que ocupava uma posição de autoridade que lhe permitia fazer aconselhamentos. Crê-se também que Judas era irmão de Tiago e meio-irmão de Jesus Cristo. A data da produção dessa epístola é bastante incerta podendo ser 40 a 80 d.C. O fato que ela é considerada uma carta profética por tratar não daquilo que a comunidade cristã estava vivendo, mas daquilo que seria enfrentado pela Igreja e que antecederia ao arrebatamento. Sua posição na Bíblia é bastante sugestiva, pois é o livro anterior ao Apocalipse.
Esta carta foi escrita para os cristãos fiéis, “aos chamados santificados pelo Deus Pai e preservados por Jesus Cristo” (Jd v.1), com a finalidade de incentivar os leitores a batalharem pela fé contra os falsos mestres que haviam se infiltrado na igreja para propagar comportamentos imorais e ideias que iam contra os ensinamentos do Senhor Jesus.
Mesmo sendo um dos menores livros do Novo Testamento, a epístola de Judas traz informações únicas. Elder Bruce R. McConkei destacou o enfoque dos seguintes pontos: o conceito de existência pré- mortal como nosso primeiro estado, o conhecimento acerca da disputa entre Miguel e Lúcifer pelo corpo de Moisés e a profecia de Enoque a respeito da Segunda Vinda do Filho do Homem.
Ainda que esses temas sejam novidades comparadas às demais epístolas, a mensagem central baseia-se na “batalha pela fé” (Jd v. 3 ) contra os mestres ímpios que haviam entrado na Igreja e estavam promovendo comportamento imoral e enganosos ensinamentos que negavam o Senhor Jesus Cristo.
5. Os escritos de João
Além do Evangelho, João, o apóstolo, foi autor de três epístolas, possivelmente escritas entre 80 e 95 d.C e do livro do Apocalipse, escrito na década de 90 d.C.
No ano 70 d.C. soldados romanos sob comando de Tito, ocuparam e saquearam a cidade de Jerusalém e incendiaram o Templo. A partir de então, os judeus ficaram sem o seu centro de referência religioso. Neste contexto, não é possível afirmar por quanto tempo o apóstolo João permaneceu em Jerusalém. Mas provavelmente ele deixou a Palestina no início da Guerra Judaica. Nesse tempo, ele se mudou para Éfeso, onde teria escrito suas obras literárias, com exceção do Apocalipse. Em algum momento durante o reinado do imperador romano Domiciano (81-96 d.C.), João foi banido para a Ilha de Patmos, onde recebeu as revelações registradas no Apocalipse. Estudiosos afirmam que João morreu durante o começo do governo de Trajano, depois de 98 d.C., com idade avançada.
Em relação às três cartas, elas abordam temas como: o estabelecimento da verdade sobre questões relevantes, entre elas a identidade de Jesus Cristo; o amor para com o próximo; o cuidado com certas doutrinas falsas e o incentivo à fidelidade aos líderes da Igreja.
O livro do Apocalipse teve como destinatários as sete Igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. Apesar das referências explicitas às igrejas mencionadas, em Apocalipse 1 .19 fica claro que a mensagem, cheia de simbologias, abrange não só os acontecimentos daquela época, mas também daqueles que ainda vão ocorrer. Assim, o conteúdo do livro mostra o reinado de Deus sobre o passado, o presente e o futuro, culminando em um final triunfante em Cristo.
Conclusão
Assim chegamos ao fim de mais um curso da Oceano Academy! Sabemos que todos os assuntos aqui abordados são inesgotáveis, afinal, a palavra de Deus é “viva” (Hb 4.12), ou seja, capaz de renovar- se e adequar-se a cada realidade vivenciada em todo o mundo e em todas as épocas.
As cartas dissertadas nesta lição em especial apresentam as últimas revelações do Espírito Santo e, portanto, falam de temas essenciais para os cristãos. É notório que vivemos o período da graça, porém, esse é o mesmo período que antecede ao arrebatamento da Igreja e a tão esperada Segunda Volta de Cristo. Assim, é imprescindível que cresçamos “na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pd 3.18) a fim de não sejamos pegos no engano ou na apostasia. O próprio Senhor nos alerta: “Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir” (Mt 25.13).
Mas, além da necessidade do conhecimento, é fato que é um grande privilégio e uma indescritível alegria estudar a Bíblia. Cada livro, neste caso, cada uma das cartas derradeiras e o livro do Apocalipse nos traz “à memória aquilo que nos dá esperança” (Lm 3.21) e nos renova dia após dia na fé e na graça de Deus. Esperamos que os leitores compreendam a importância do aprendizado da Palavra e que juntos “conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os 6.3) até a volta de Jesus! “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente, cedo venho. Amém! Ora, vem, Senhor Jesus!”(Ap 22.20).
Editorial
Curso: Panorama bíblico do Novo Testamento
Ano: 2022
1ª Edição
Coordenação Editorial:
Márcio Rezende
Wagner Monteiro
Conselho Editorial:
Pr. Sinval Júlio de Souza
Pr Lúcio Andres
Braitner Lobato
Revisão Teológica:
Pr Lúcio Andres
Projeto Gráfico e Diagramação:
Márcio Rezende
Comentaristas:
Ciro Webb – Lições 1, 2 e 3.
Anderson Rocha – Lições 4, 5 e 6.
Rejane Rosa – Lições 7 e 8.