# PANORAMA BÍBLICO DO NOVO TESTAMENTO

## SUMÁRIO

- Lição 1 – Entre o Antigo e o Novo Testamento
  - Introdução
  - 1. O período intertestamentário e o propósito de Deus
  - 2. Os impérios persa, grego e o Reinado Macabeus
  - 3. O Império Romano e o domínio sobre a Palestina
  - 4. A influência dos impérios na sociedade judaica
  - Conclusão
- Lição 2 — A vida de Jesus
  - Introdução
  - 1. Antes do início do ministério de Jesus
  - 2. O ano inicial do ministério de Jesus
  - 3. Jesus Se torna conhecido
  - 4. Jesus enfrentando Seus opositores
  - Conclusão
- LIÇÃO 3 – Jesus em seus últimos dias
  - Introdução
  - 1. O que aconteceu nos últimos meses de Jesus
  - 2. Os últimos dias de Jesus enquanto homem
  - 3. A Ressurreição do Senhor e Salvador do mundo
  - 4. O Senhor Jesus como o Messias Glorificado
  - Conclusão
- LIÇÃO 4 – O início da Igreja
  - Introdução
  - 1. Um começo nada fácil
  - 2. Morte e crescimento
  - 3. Começou a perseguição
  - 4. De perseguidor a perseguido
  - Conclusão
- LIÇÃO 5 – A expansão da Igreja
  - Introdução
  - 1. As viagens missionárias de Pedro
  - 2. Os cristãos da Antioquia
  - 3. A primeira viagem missionária de Saulo e Barnabé
  - 4. A segunda viagem missionária de Paulo e Silas
  - Conclusão
- LIÇÃO 6 – o cuidado por meio das cartas
  - 1. As cartas aos Tessalonicenses
  - 2. Terceira viagem missionária de Paulo.
  - 3. A carta aos Gálatas
  - 4. As cartas aos Coríntios
  - Conclusão
- LIÇÃO 7 – Conhecendo a Igreja por meio das cartas
  - Introdução
  - 1. A mais longa epístola de Paulo
  - 2. A epístola de Tiago, irmão de Jesus
  - 3. A prisão de Paulo por seus compatriotas
  - 4. A viagem de Paulo a Itália
  - Conclusão
- LIÇÃO 8 – Os últimos registros inspirados pelo Espírito Santo
  - Introdução
  - 1. As cartas de Paula na prisão em Roma
  - 2. A carta aos Hebreus
  - 3. As cartas pastorais e de despedida
  - 4. A carta do apóstolo Judas
  - 5. Os escritos de João
  - Conclusão
- Editorial

## Lição 1 – Entre o Antigo e o Novo Testamento

### Objetivo Geral

Apresentar o contexto histórico e cultural compreendido entre o Antigo e o Novo Testamento.

### Introdução

Nesta lição, a ideia é apresentar o contexto histórico e cultural compreendido entre o Antigo e o
Novo Testamento, de forma que o aluno entenda a importância desse período para a compreensão de
passagens bíblicas do Novo Testamento.

O período intertestamentário é, provavelmente, o assunto menos ensinado nas igrejas,
principalmente, porque há poucas referências bíblicas sobre ele. Também conhecido como período
negro, interbíblico ou período do silêncio de Deus, esse momento histórico começou após a última
profecia de Malaquias e durou cerca de 400 anos, até os tempos de João Batista – a voz que clama no
deserto (Is 40:3, Mt 3:3; Mc 1:3; Lc 3:4 e Jo 1:23). Então, esse é o período entre o Antigo Testamento (AT)
e o Novo Testamento (NT).

O Antigo Testamento terminou com a reconstrução dos muros de Jerusalém, ou seja, o Estado de
Israel estava sendo reconstruído após a saída do Império Babilônico, que havia sido derrotado pelo
Império Persa. Nessa época, surgiram outras dinastias e, cada uma delas, exerceu um papel importante
na transformação social, cultural e religiosa. Enquanto isso, Deus já preparava a humanidade para
receber o Messias, o Filho de Deus.

Para começar a entender o Novo Testamento, é fundamental conhecer os fatos ocorridos nesses
400 anos do silêncio do Senhor Deus com o povo de Israel. Por isso, o estudo do período
intertestamentário é imprescindível, pois ao compreender os contextos histórico, político, social e
teológico daquela época várias passagens do Novo Testamento ficarão mais claras.

### 1. O período intertestamentário e o propósito de Deus

Em termos etimológicos, interbíblico quer dizer entre a Bíblia, ou entre os dois Testamentos. Daí
surgiu o termo intertestamentário. O período interbíblico começou com a interrupção do ministério
profético para o povo de Deus, por meio da última profecia transmitida por Malaquias, até o início do
ministério de João Batista, compreendendo quatrocentos anos.

No decorrer desses anos, aconteceram grandes mudanças na Terra e na vida do povo de Deus,
bem como na vida e nos costumes das nações existentes naquela época. No entanto, o silêncio de Deus
fez a humanidade sofrer desesperadamente buscando soluções para os problemas espirituais. A filosofia
se perdeu, a imoralidade religiosa atingiu patamares assustadores e comprovamos que, sem Deus, o
homem e suas instituições estão fadados ao fracasso.

Certamente, Deus estava em silêncio, mas não estava inerte. Nesse tempo, diversos
acontecimentos foram cruciais para o cumprimento do propósito maior de Deus, ou seja, a vinda de Jesus
ao mundo para salvar a humanidade. Vale ressaltar que a história escrita no período intertestamentário
está diretamente ligada à última profecia de Malaquias, no Antigo Testamento, e, essa é a principal razão
do estudo desse assunto, pois é preciso compreender cada fato narrado nesse período para entender a
sociedade que testemunhou o nascimento do Senhor Jesus.

### 2. Os impérios persa, grego e o Reinado Macabeus

Após a saída dos domínios do Império babilônico, Israel foi controlado pelo Império Persa. Os
persas permitiram que os judeus voltassem a praticar seus costumes religiosos e a reconstruir o templo.
Isso ocorreu nos últimos 100 anos do A.T. e nos primeiros 100 anos do período interbíblico.

No entanto, Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, derrotou Dário, o rei da Pérsia e, com isso,
introduziu o reino grego ao mundo. Ele começou a promover a cultura grega sobre os povos
conquistados, período que ficou conhecido como Helenismo. Um exemplo disso foi a tradução do Antigo
Testamento para o grego, versão chamada Septuaginta. Esse fato foi muito importante para a vinda de
Jesus. A cultura grega era uma ameaça para Israel, mas felizmente Alexandre permitiu que os judeus
voltassem a cultuar segundo os seus costumes.

Após a morte de Alexandre, o território judeu foi dividido entre os seus generais. Entre eles,
destacaram-se Ptolomeu, que estabeleceu sua dinastia na região do Egito, e o general Seleuco, que reinou
sobre a Síria e a Macedônia.

Dessa forma, os gregos contribuíram muito para a expansão do Evangelho, pois a filosofia deles
se aproximava do monoteísmo e, além disso, enfatizavam a dignidade e consciência humana. A língua
grega se tornou universal e, com isso, a tradução do A.T. para o grego foi essencial para a pregação do
Evangelho a todas as nações da época, bem como para a própria escrita do Novo Testamento.

O domínio grego sobre Israel terminou quando a revolta, liderada pelo sacerdote Matatias e seu
filho Judas Macabeu, se levantou contra as atrocidades do reinado de Epífanes, na Síria.

### 3. O Império Romano e o domínio sobre a Palestina

É importante destacar que o povo de Israel foi dominado por vários impérios. Pelos persas, com
Ciro e Dario. Pelos gregos, com Alexandre, o Grande, e seus generais sucessores, posteriormente
derrotados pela Revolta dos Macabeus. Por fim, pelo império Romano, com César e Herodes, esse como
rei da Judeia já nos tempos do Novo Testamento.

Em 63 a.C., o general Pompeu, de Roma, conquistou a Palestina e colocou o povo judeu sob os
domínios de César, fazendo Herodes se tornar rei da Judeia, província romana. Roma controlava os
judeus cobrando impostos altos, o que tornava o jugo romano extremamente pesado. Diante desse
quadro de exploração e da existência da profecia do Messias, o povo judeu aguardava um libertador.

Por outro lado, Roma concedia certa liberdade aos povos vencidos e, com isso, alguns deles
poderiam ter seu próprio rei. Em cada região conquistada, Roma mantinha um representante, que
poderia ser governador, procônsul ou juiz, além dos publicanos, ou seja, os cobradores de impostos.
Desde o início, Herodes mostrou crueldade para governar a Judeia, burlando as leis dos judeus. Entre os
feitos cruéis, destacaram-se a crucificação de Jesus e a perseguição aos cristãos. Herodes também
desvirtuou o cargo de sumo sacerdote e o transformou em cargo político, para atender interesses
próprios.

Como a maioria dos tiranos, Herodes encobria seus crimes por meio da construção de cidades e
reconstrução de templos e, assim, esperava ganhar a simpatia dos súditos. Ele reconstruiu o Palácio dos
Hasmoneanos, levantou os muros de Jerusalém e construiu uma fortaleza em memória de Marco
Antônio. Além disso, Herodes reconstruiu e expandiu o templo dos judeus.

### 4. A influência dos impérios na sociedade judaica

É impossível falar da composição da sociedade sem mencionar as diásporas judaicas, momentos
em que o povo judeu foi forçado a se espalhar pelo mundo. Tal evento ocorreu, essencialmente, por duas
vezes. A primeira se deu quando o Reino do Norte foi destruído pelos assírios e, com isso, dez tribos de
Israel foram levadas ao cativeiro. A segunda ocorreu em 70 d.C. quando os romanos destruíram
Jerusalém e os judeus fugiram para a Ásia Menor, África ou sul da Europa.

Nesse período, surgiram grupos religiosos e políticos, como os fariseus, os saduceus e os escribas.
Os fariseus apareceram, provavelmente, entre os anos 135 e 105 a.C. Eles elaboravam as próprias leis
considerando-as mais importantes do que as leis de Moisés. Opositores dos saduceus, os fariseus
instituíram as sinagogas, para unir os judeus em questões espirituais. Seria possível, assim, cultivar o
estudo da lei e alimentar a esperança na vinda do Messias. Além disso, buscava-se proteção contra
influências pagãs.

Já os saduceus, considerados como uma seita ou um partido, representavam os aristocratas, ou
seja, o alto escalão social e econômico da Judeia. Eles exerciam o poder por meio da assembleia de juízes
judeus, chamada Sinédrio, que tinha competências de administrar, coletar impostos, cuidar do exército
e mediar queixas domésticas. Durante o período do Segundo Templo, a existência dos saduceus foi mais
marcante, inclusive eles eram responsáveis pela manutenção do Templo, pois possuíam atribuição
sacerdotal, embora nem todo sacerdote fosse um saduceu.

Os escribas eram os doutores ou mestres especializados na interpretação da lei. A origem deles
está associada ao cativeiro babilônico, também conhecido como Exílio na Babilônia. Esse foi um dos
acontecimentos mais importantes da história, visto que houve deportação forçada de hebreus para a
Babilônia. O papel do escriba tem destaque no período intertestamentário, pois a Lei Mosaica assumiu
uma condição ainda mais proeminente. Neemias, por exemplo, era sacerdote e escriba (Ne 8:9). Alguns
deles também pertenciam ao sinédrio (Mt 16:21; 26:3), onde eram responsáveis pela administração da
Lei nos julgamentos. Além disso, os escribas eram resistentes às inovações decorrentes da influência
helenística.

Outros grupos que estiveram presentes na sociedade judaica foram os herodianos, os essênios, os
zelotes, os publicanos e os samaritanos.

Vale reforçar que a tradução do Antigo Testamento para o grego, a língua universal da época,
contribuiu para o alcance das escrituras, pois facilitou a comunicação do Evangelho aos judeus e a outros
povos, aumentando o acesso às profecias sobre o evangelho e a vinda do Messias.

Assim, o Império Romano se tornou um instrumento poderoso para a expansão do evangelho,
mesmo em meio à perseguição. Entre os fatores que colaboraram para esse crescimento, estiveram a
língua grega, as estradas, o sistema legal, o correio e o tamanho territorial.

### Conclusão

Embora seja considerado o período mais obscuro da Bíblia, ele nos trouxe muitos benefícios.
Graças ao período intertestamentário a vinda de Jesus à Terra se tornou mais tranquila e favorável para
os gentios. Também fica evidente a importância de conhecer alguns aspectos do período interbíblico,
pois isso traz mais entendimento sobre passagens bíblicas do Novo Testamento.

Nesse sentido, entre os aprendizados desta lição, destacam-se: Deus preparou o mundo para
receber seu Filho Unigênito. Roma, pelas armas, trouxe paz ao mundo. A Grécia deu ao mundo a cultura
e a língua. A Judeia contribuiu com o tradicionalismo religioso e a fidelidade ao Senhor. Já o mundo,
estava preparado para receber o Messias. O nascimento de Jesus, em Belém, está ligado a um passado
multissecular de intensa atividade de Deus para preparar todas as coisas para aquele glorioso momento.

Por um lado, percebemos um mundo em constantes lutas, em meio à imoralidade. Um mundo
de escravos e opressores, de ambiciosos. Um mundo de filosofias, ciências, religião, deuses, templos,
sacerdotes, um mundo de crimes e horrores. Por outro lado, percebemos a mão de Deus preparando
tudo para salvar a humanidade errante e perdida. Foi nesse tempo que nasceu o nosso Senhor Jesus
Cristo, na plenitude dos tempos.

## Lição 2 — A vida de Jesus

### Objetivo Geral

Apresentar a vida de Jesus desde a infância até os momentos de oposição enfrentados no ministério.

### Introdução

Nesta lição, o objetivo é contar fatos da vida de Jesus vivenciados na infância, no ministério e nos
momentos de oposição.

O Novo Testamento começa descrevendo o nascimento de Jesus Cristo. A história do Filho de
Deus é marcada por milagres desde o início quando o anjo Gabriel apareceu ao sacerdote Zacarias, para
avisar sobre o nascimento de João Batista, e à Maria, para anunciar que ela daria à luz ao Salvador.
Também houve proteção divina durante o nascimento de Jesus e quando ainda era criança, mas já tinha
sabedoria para ensinar no Templo.

O primeiro ano do ministério de Jesus foi marcado pela obediência aos princípios bíblicos, pelo
cumprimento do batismo e pela consagração e vitória em relação à carne e ao diabo. Além disso, foi nessa
época que Jesus escolheu os discípulos, transformados em grandes homens de Deus e viveram dedicados
ao evangelho devido aos ensinamentos do mestre.

A Bíblia diz que a fama de Jesus se espalhava pelas cidades e as multidões vinham de todos os
lugares para ver, ouvir e viver os milagres. Os ensinamentos, parábolas e exortações de Jesus traziam
cada vez mais pessoas para O seguir, mas, por outro lado, despertavam, principalmente nos religiosos,
inquietação, incômodo e oposição ao Seu ministério. Isso porque as palavras de Jesus confrontavam o
pecado. A vida de Jesus é um assunto empolgante e desafiador, pois revela o quanto Deus nos amou,
desde quando ainda éramos pecadores e distantes da Sua glória.

A cada tópico deste estudo veremos que a Graça de Deus revelada Nele é derramada sobre nós.
Por isso, é importante meditar em cada passagem aqui citada.

### 1. Antes do início do ministério de Jesus

Iniciamos essa narrativa com o primeiro milagre do ministério de Jesus na Terra. Enquanto
cumpria suas obrigações como sacerdote, no santuário do templo, Zacarias recebeu a visita do anjo
Gabriel informando que Deus responderá suas orações e Isabel, a sua mulher, teria um filho, chamado
João Batista. Zacarias não acreditou no anjo, pois ele e Isabel tinham idade avançada para ter um bebê.
O anjo disse ainda que João seria o precursor do ministério de Jesus, ou seja, ele seria um profeta de
Deus.

Entre 6 e 5 a.C., esse mesmo anjo foi à Maria e disse que ela seria a mulher que traria o Messias
ao mundo a partir do milagre de sua concepção pelo Espírito Santo. Alguns dias mais tarde, Maria foi
apressadamente às terras montanhosas da Judeia, à vila onde Zacarias morava, para visitar Isabel. Quando Maria
saudou a prima, o menino de Isabel saltou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, tomada
pelo Espírito Santo Isabel glorificou ao Senhor reconhecendo que o Salvador nasceria de Maria.

A Bíblia também relata o cuidado de Deus com José, pois ele e Maria estavam para se casar. Então,
certa noite, um anjo aparecem a José em sonho para acalmar a sua alma. Ele disse que o bebê de Maria
era o Filho de Deus. Assim seria cumprida a profecia de Isaías sobre a vinda de Jesus Cristo. O profeta
prometeu que Deus enviaria, à Galileia, luz e alegria por meio do nascimento de uma criança que
quebraria o jugo da carne e seria chamada “Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai da Eterno,
Príncipe da Paz”.

O Filho de Deus nasceu em Belém, da Judeia, por volta do ano 4 a.C.. Maria e José, seguindo
orientação do anjo Gabriel, chamaram o bebê de Jesus. Como reconhecimento da Sua divindade os
pastores foram visitá-Lo para adorá-Lo.

Devido à maldade de Herodes, que temia a chegada do messias, porque acreditava que Ele
tomaria seu trono, o rei mandou matar todas as crianças do sexo masculino nascidas naquele período.
Antes do nascimento de Jesus já existia a previsão, segundo a tradição judaica, da vinda do Cristo. Diante
dessa ameaça, José fugiu com sua família para o Egito. Ele foi alertado por homens sábios, que vieram
orientados por uma estrela para encontrar o Rei recém-nascido, sobre a pretensão de Herodes de matar
Jesus.

Após a morte do rei Herodes, José e sua família voltaram à Nazaré, terra natal de José e Maria,
cidade onde Jesus cresceu. Conforme orientação da Torá, a Lei de Moisés, José e Maria levaram Jesus ao
templo, em Jerusalém, para ser apresentado ao Senhor. Neste dia, Simeão, ao ver Jesus disse: “Agora,
Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; pois já os meus olhos viram a tua salvação,
a qual tu preparaste perante a face de todos os povos”; (Lc 2.29-31). Assim, Jesus crescia em estatura e,
principalmente, em sabedoria. Com apenas 12 anos, Ele já ensinava no Templo.

### 2. O ano inicial do ministério de Jesus

Após a aparição de Jesus no Templo aos 12 anos, as escrituras somente relatam novos fatos sobre
a Sua vida na fase adulta. Esse período é compreendido como o primeiro ano do ministério de Jesus.

Enquanto isso, João Batista ensinava às pessoas sobre Jesus Cristo. Ele dizia que elas deveriam se
arrepender dos pecados para serem batizadas, por ele, nas águas do rio Jordão. João Batista, porém,
anunciava que depois dele viria alguém mais poderoso, que batizaria com o Espírito Santo. Muitos
creram em João sendo batizados. Nesse tempo, Jesus veio até João para ser batizado. Ao sair das águas,
veio sobre Ele o Espírito Santo como uma pomba e uma voz do céu disse: _“Esse é meu filho amado, em quem
me comprazo”_. A seguir, Jesus, após ficar 40 dias sem comer, foi ao deserto onde foi tentado por Satanás.
Diante desses fatos João agora pregava que Jesus era o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Com o testemunho de João, André e Simão seguiram Jesus.

Então, Jesus encontrou Felipe e disse: “Siga-me”. Felipe, anunciando haver conhecido o Messias,
chamou a Natanael.

Dias depois, Jesus foi convidado a um casamento e lá realizou o primeiro milagre público
transformando água em vinho. Neste mesmo período, próximo à Páscoa, Ele encontrou vendedores
comercializando no Templo, onde realizou o que é chamado purificação do Templo, expulsando os
comerciantes dizendo: _“não façais da casa de meu Pai casa de vendas”._

Jesus pregou em Jerusalém e muitos creram, devido aos sinais que Ele fazia. Jesus, porém,
conhecia o coração deles e sua natureza. Em uma conversa com um importante judeu chamado
Nicodemos, Jesus Ensinou: _“... aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”,_ mostrando que
aquele que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

Depois disso, Jesus deixou a Judeia em direção à Galileia. Passou por Samaria, na cidade chamada
Sicar, onde encontrou uma mulher samaritana. Esse encontro foi tão transformador que ela foi à sua
cidade e trouxe outros para ouvir Jesus.

Após deixar o avivamento em Samaria, continuou Sua caminhada até a Galileia. Em Caná, foi
procurado por um oficial do rei porque o filho estava doente. Ele creu na palavra de Jesus e o filho foi
curado à distância.

### 3. Jesus Se torna conhecido

Jesus já era conhecido por Seus feitos nas terras ao redor da Galileia, além disso, ensinava na
Sinagoga e era admirado por todos. Ele mostrou a falsidade do povo ao declarar que nenhum profeta
tinha honra em sua própria casa. O povo irado tentou matá-Lo e Ele foi expulso da cidade indo para
Cafarnaum onde continuou realizando muitos milagres e reunindo Seus discípulos. Nessa cidade, Jesus
realizou a pesca maravilhosa, curou a sogra de Pedro e um endemoninhado, demonstrando toda a Sua
autoridade.

O ministério de Jesus foi marcado por milagres por onde Ele passava, como a cura do leproso na
Galileia (Mc 5). Outro marco na Sua trajetória foi a missão de reunir e preparar os discípulos com os Seus
ensinamentos. Mateus foi um dos discípulos que Jesus encontrou ao retornar à Galileia. Jesus ensinou
sobre a Sua divindade, o dia do repouso (Mt 12) e o sermão do Monte (Mt 5). Ali também foi onde Jesus
enfrentou Seus maiores opositores: os Fariseus, a quem Jesus condenava veementemente por sua
religiosidade.

Jesus ensinava por parábolas ilustrando as verdades do Reino dos Céus de forma simples. Na
parábola do rico insensato, por exemplo, Ele ensinava sobre o perigo do amor à riqueza. Já na parábola
das bodas Jesus, Ele mostrava que o Reino também pertence aos gentios, mas somente aos que são dignos
dele. Jesus também ensinou por meio das parábolas do mordomo fiel, do semeador, do joio e trigo, do
fermento e do tesouro escondido. Essa forma de comunicação fazia com que todos entendessem as
verdades das escrituras e, a multidão parava para ouvir Jesus.

### 4. Jesus enfrentando Seus opositores

Apesar de operar milagres, ensinar de maneira extraordinária e possuir tamanha autoridade
vinda do Pai, Jesus enfrentou momentos de oposições, durante o Seu ministério. Algumas foram pessoais
ou circunstanciais, como o desprezo pelo próprio povo de Nazaré, o abandono de alguns discípulos (Jo
6:60), o desprezo dos samaritanos, Suas viagens a cidades onde não havia comunhão com os judeus
(Fenícia, região de Decápolis) e até mesmo a morte trágica de Seu primo João Batista. Mesmo assim, Jesus
permanecia demonstrando o Seu poder, enquanto Filho de Deus, como as multiplicações dos pães para
alimentação de milhares e a Sua transfiguração.

A sabedoria e a liderança marcaram os três anos do ministério de Jesus na terra. O
reconhecimento dos Seus discípulos era latente. Um exemplo foi quando Pedro confessou que Jesus era
o Cristo, o Filho de Deus. Outra demonstração da liderança e inspiração de Jesus está no
comissionamento de setenta discípulos que voltaram maravilhados com tudo o que fizeram sob a
autoridade do Nome de Jesus.

Também vale lembrar dos ensinamentos de Jesus na casa de Marta e Maria, na Festa da Dedicação
e ainda na Festa dos Tabernáculos ou Festa da Colheita.

### Conclusão

Nesta lição abordamos os primeiros acontecimentos antes do nascimento do Messias. É notório o
cuidado de Deus com José e a sua família, desde a anunciação à Maria até as orientações do anjo Gabriel.
Havia a preocupação de preservar a integridade física de todos diante das investidas de Herodes contra
Jesus. Após nascer, o Mestre já demonstrava Sua sabedoria e graça ao ensinar no templo sendo uma
criança de apenas doze anos.

O profeta João Batista, enquanto precursor do ministério de Cristo, já anunciava que Jesus viria
para batizar com o Espírito Santo e com fogo. Jesus, em sinal de obediência, pede para ser batizado por
João Batista. Esse é o início do poderoso ministério de Jesus.

Foram tantos milagres, curas, arrependimento de pecados e salvação! A fama de Jesus foi
espalhada por todos os lugares. Até os gentios foram alcançados pelas palavras carregadas de sabedoria
e autoridade vindas do Pai. A fama, porém, trouxe muitos opositores. Os fariseus, rechaçados com sua
religiosidade, e os próprios judeus que não reconheceram Jesus como o Messias esperado. Mesmo diante
de tantas provas de amor, sabedoria e poder, o nosso Salvador precisou enfrentar muitas situações para
completar o plano de Salvação.

## LIÇÃO 3 – Jesus em seus últimos dias

### Objetivo Geral

Expor ao leitor os principais acontecimentos do ministério de Jesus que antecederam a crucificação e a
Sua ressurreição

### Introdução

De forma sucinta, vamos rememorar os acontecimentos que marcaram os últimos dias da vida e
ministério terreno do nosso Mestre Jesus e entender um pouco mais do que Ele nos ensinou nesses
últimos momentos.

O Senhor Jesus ressuscitou a Lázaro com o objetivo de preparar a fé da humanidade e mostrar ao
mundo o poder de Deus sobre a morte. Seus feitos milagrosos e Seus ensinamentos fizeram com que
muitos se colocassem em oposição a Ele, a ponto de planejarem a Sua morte.

As parábolas de Jesus trazem consigo riquíssimos ensinamentos que, através de suas analogias,
nos faz compreender a vontade do Pai em relação à nossa postura diante da vida. Parábolas como o Filho
Pródigo, o mordomo infiel, a moeda perdida, e tantas outras, nos fazem refletir sobre a vida cristã
verdadeira que agrada a Deus e que nos torna quem Ele quer que sejamos enquanto representantes do
Seu Reino.

A morte de Jesus e Sua ressurreição é o maior acontecimento da humanidade para aqueles que
creem n’Ele e hoje vivem por causa desse sacrifício. Ele nos redimiu do pecado e nos levou de volta ao
relacionamento com Deus. Tudo o que aconteceu após este grandioso evento mostra o quão maravilhoso
é andar com o Mestre. Jesus, depois de ressuscitar, reapareceu aos Seus discípulos cheio de glória e de
poder, mesmo assim, ainda permaneceu perto deles até a Sua assunção aos céus, quando nos deixou o
Espírito Santo.

### 1. O que aconteceu nos últimos meses de Jesus

Já no final de Seu ministério, Jesus Se concentra na realização de Seus últimos milagres e sinais,
permanecendo ensinando por parábolas e pregando o evangelho pelas cidades próximas. Nesse período,
aconteceu um dos milagres mais marcantes: Lázaro morreu e o Senhor o ressuscitou (Jo 11). A maneira
como Jesus reagiu à notícia da morte de Lázaro mostra claramente que Jesus queria evidenciar o poder
de Deus para ressuscitar e assim nutrir a fé de todos. Mas, por causa disso, Seus opositores já queriam
matar a Jesus. Ele teve que Se refugiar na aldeia de Efraim com Seus discípulos.

Depois desse período de reclusão, Jesus deixou a Galileia e foi para o território da Judeia, além do Jordão. Seguiram-No muitas multidões, e as curou ali. Além da cura, os ensinamentos de Jesus, em
sua maioria foram marcados por uma narrativa alegórica que transmite uma mensagem de forma
indireta. Ensinou a multidão sobre o número de salvos, o perigo da avareza e sobre a solicitude da vida.
Logo depois disso, teve a oportunidade de entrar na casa de um dos principais fariseus daquela região.
Ali, curou um hidrópico, proferiu as parábolas dos primeiros assentos e da grande ceia.

Na mesma região, diante dos publicanos e pecadores abordou a parábola da ovelha perdida, da
moeda perdida, do filho pródigo e do mordomo infiel. Ouvindo os fariseus todos esses ensinamentos
tentavam ridicularizar a Jesus. Porém, o Senhor os afrontou expondo o seu ensinamento errado acerca
do divórcio e do relato sobre “o rico e o mendigo”. Logo depois, Ele Se voltou aos Seus discípulos e
ensinou sobre a indulgência, a fé e a humildade. Persistindo em questioná-Lo, os fariseus interrogaram
sobre a vinda do reino de Deus e Jesus falou sobre a segunda vinda. Para explicá-la, expôs as parábolas
do juiz iniquo, bem como do fariseu e o publicano. Nesse mesmo período, foi abordado pelo Jovem rico,
ocasião em que Jesus aproveitou para alertar sobre o perigo das riquezas.

Ao ensinar sobre a vida eterna e sobre o perigo de amar as coisas do mundo, Jesus também contou
a parábola do homem rico e do mendigo chamado Lázaro. Nesse mesmo contexto, o Mestre nos ensinou
a perdoar quantas vezes fossem necessárias diante de um pedido arrependido; comparou a fé a um
pequeno grão de mostarda e nos ensinou a sermos humildes ao agradecer pelo bem que fazem a nós,
bem como a ter o reino de Deus como o tesouro mais valioso (jovem rico).

### 2. Os últimos dias de Jesus enquanto homem

No domingo, ocorreu a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém onde foi aclamado Rei e saudado
com ramos, cumprindo-se a profecia de Zacarias, pois, a realeza de Cristo foi reconhecida pelo povo.
Esse evento também marcou o início da Paixão de Cristo.

Na segunda-feira, Jesus foi ao templo e o encontrou como um covil de ladrões cheio de cambistas
e vendedores que ocupavam o lugar das orações atrapalhando os cultos e enganando o povo com preços
injustos. No dia seguinte, Jesus estava pregando no templo e teve Sua autoridade questionada a respeito
dos milagres e curas que Ele realizou. O Senhor respondeu que toda autoridade vem do Pai e que o Filho
nada faz por Si mesmo. Também alguns gregos foram ao templo com a intenção de ouvirem as palavras
de Jesus. Nessa ocasião, Ele falou sobre a necessidade de Sua morte para a salvação.

A quinta-feira foi o dia de preparar a última ceia. Nessa ocasião, o diabo já tinha colocado no
coração de Judas o desejo de trair Jesus. Nesse dia, ainda o Mestre praticou o maior ensinamento sobre
servidão, quando lavou os pés de Seus discípulos, prática essa reservada aos escravos.

Na sexta-feira, Jesus foi preso e levado ao sacerdote para ser interrogado, depois foi para o sumo-
sacerdote Caifás, e finalmente para Pilatos. Este tentou se eximir de culpá-Lo, ainda assim, condenou
Jesus à morte de cruz. Após todo o sofrimento inerente a este tipo de morte, Jesus entregou Seu espírito
dizendo: “Está consumado”. José de Arimateia pediu a Pilatos o corpo de Jesus para sepultá-Lo. Com
medo das palavras de Jesus sobre a ressureição, os fariseus pediram a Pilatos para que guardas vigiassem
o túmulo.

### 3. A Ressurreição do Senhor e Salvador do mundo

No domingo, houve um terremoto! A pedra foi removida. Jesus ressuscitou ao terceiro dia! Os
anjos de Deus estavam no sepulcro vazio e anunciaram este feito às mulheres que ali foram com óleos
aromáticos ungir o corpo de Jesus. No entanto, elas foram tomadas de espanto e alegria, pois Jesus não
estava morto. Elas correram para anunciar aos discípulos. Eles, ao virem o sepulcro vazio, se lembraram
das palavras do Senhor. Alguns guardas da escolta que vigiavam o túmulo foram à cidade contar sobre
o terremoto, o aparecimento dos anjos e sobre a ressurreição de Jesus, no entanto, eles foram subornados
pelos fariseus para dizerem apenas que o corpo havia sido roubado pelos discípulos de Jesus.

A primeira aparição de Jesus foi para as mulheres, dentre elas, a Maria Madalena. Logo em
seguida, a Pedro e depois aos discípulos a caminho da cidade de Emaús. Eles não o reconheceram, mas
sentiram seu coração queimar ao ouvir Suas palavras, por isso, resolveram voltar a Jerusalém e acharam
congregados os onzes apóstolos. Depois disso, quando os discípulos estavam reunidos de portas
trancadas, Jesus apareceu no meio deles e para que todos cressem que era realmente o Mestre
Ressuscitado, Ele os mostrou as marcas nas mãos e no lado. Sua terceira aparição foi a mais de quinhentos
irmãos reunidos na Galileia.

Após todos estes episódios de aparições, Jesus se afastou da multidão com os Seus discípulos
para os abençoar e para entregar a eles (e a nós) a “Grande Comissão” prometendo que sempre estaria
conosco. Neste momento, Jesus foi elevado aos céus na presença dos Seus discípulos, quando muitos se
alegraram e tiveram a sua fé fortalecida.

### 4. O Senhor Jesus como o Messias Glorificado

Após a ascensão de Jesus aos céus, Ele ainda foi visto de forma sobrenatural já glorificado ao lado
do Pai. Estevão quando estava sendo apedrejado por pregar o evangelho viu os céus abertos e Jesus à
direita de Deus. Saulo, abordado no caminho de Damasco, viu uma grande luz e ouviu uma voz dizendo:
“Eu sou Jesus a quem você persegue”. João, em sua visão na ilha de Patmos, viu um semelhante ao Filho
do Homem em meio a candelabros de ouro. Jesus foi glorificado no céu e foi preparar a nossa morada
eterna com Ele.

O Senhor nos enviou o Consolador, o Espírito da Verdade que nos guiará. Ele nos ensina a
guardar todas as ordenanças e nos acompanha todos os dias. O Rei Soberano ainda nos prometeu uma
coroa incorruptível quando Ele Se manifestar como o Supremo Pastor.

E quando Ele vier como Rei, em um momento em que ninguém espera, devemos vigiar para não
nos distrairmos, pois nessa segunda vinda os que permanecerem fiéis irão reinar juntamente com Ele.
Neste dia, o Senhor julgará a todos e fará a separação entre os fiéis e os infiéis e receberá em Seu Reino
os escolhidos que O verão dessa vez glorificado com Suas vestes talares, cabelos brancos como a neve e
olhos como chamas de fogo. Essa visão, humanamente não conseguimos dimensionar, mas quando

estivermos com Ele seremos totalmente renovados e O veremos como Ele realmente é: Rei dos reis e
Senhor dos senhores.

### Conclusão

Todos os dias de Jesus entre os homens fez parte do plano de salvação de Deus Pai para todos
nós. Jesus viveu de maneira irrepreensível e incorruptível durante toda a Sua vida e, principalmente, em
Seus últimos dias, mesmo sabendo que se aproximavam os acontecimentos mais angustiantes que um
ser humano seria capaz de vivenciar e suportar. Uma morte terrível e injusta, pois a morte de cruz era a
punição mais severa daquela época e era destinada às piores pessoas.

Sua ressurreição, já profetizada desde o Antigo Testamento e predita por Ele mesmo em várias
ocasiões selou a obra salvadora de Jesus provando que nem a morte é capaz de vencer Aquele que tem
todo o poder nos Céus e na Terra. Esse poder nos foi dado mediante o reconhecimento de que Jesus é o
Senhor e Salvador de nossas vidas. Isso nos dá a certeza de que teremos vida por toda a eternidade.

Seus últimos dias foram marcados por total entrega à vontade soberana de Deus. Em todo o
tempo Jesus esteve com Seus discípulos ensinando-os e preparando-os para a Sua morte e ressurreição.
Este grande acontecimento profetizado por uns, presenciado por outros e crido por muitos nos levou de
volta ao Pai e nos deu a chance de vivermos a eternidade em glória diante do Rei dos reis, Jesus.

## LIÇÃO 4 – O início da Igreja

### Objetivo Geral

Conhecer os primeiros anos da Igreja primitiva.

### Introdução

Iremos conhecer de forma histórica e cronológica o começo da Igreja para entendermos como os
discípulos de Jesus reagiram a sua partida definitiva após a ressureição. A ideia é que entendamos o
contexto histórico em que se deram os primeiros anos da Igreja primitiva. Iremos ver que à semelhança
das sementes, a morte trouxe a multiplicação de novos convertidos.

Essa Igreja primitiva testemunhava a Jesus como o Filho de Deus e tal testemunho afrontava os
principais líderes religiosos e aos partidos que controlavam a Judeia. Esse incômodo provocou as
primeiras perseguições, pois essa Igreja crescia de forma extraordinária. Dessa forma, a perseguição teve
um papel importante.

Vamos ver que o principal líder da perseguição, aquele que possuía cartas de autorização para
perseguir os cristãos até com a morte, teve um encontro com Cristo e, desse dia em diante, mudou
drasticamente a trajetória de sua vida.

Descobriremos os primeiros anos da Igreja cristã, bem como os principais acontecimentos e os
principais atores históricos desse período que irão nos ajudar a entender o propósito da Igreja e isso nos
inspirará a viver o Evangelho de forma exemplar, como foram esses irmãos.

### 1. Um começo nada fácil

O contexto se deu no ano 30 d.C, sob o governo de Herodes Agripa e no Império de Tibério
Cláudio. A Igreja era liderada pelos apóstolos e era formada por homens, na sua maioria, de poucas
letras (At 4.14). Eles sabiam daquilo que Jesus havia ensinado, mas contavam com um enorme aliado, o
Espírito Santo que os capacitavam para pregar as boas novas de salvação. Atos versa que o Espírito Santo
é o centro de todos os movimentos no livro, começando com o derramamento (At 2.4), até surpreender
aos judeus, manifestando-se também entre os gentios.

No início deste segundo relato de Lucas, no livro de Atos, após ressuscitar, Jesus disse aos Seus
discípulos que eles seriam batizados com o Espírito Santo, receberiam poder e tornar-se-iam testemunhas
“até a parte mais distante da terra” (At 1.8).

Ao Jesus ascender, desaparecendo da vista deles, dois homens vestidos de branco lhes disseram:
“Este Jesus, que dentre vós foi acolhido em cima, no céu, virá assim da mesma maneira”.

No capítulo 2 aconteceu o maior milagre, o primeiro momento precioso do cristianismo, o
cumprimento da promessa de Jesus, que foi o esperado derramamento do Espírito Santo, que veio como
som veemente e impetuoso, enchendo a todos (v.4) os que estavam dentro da casa com o Espírito e
línguas como que de fogo se assentaram sobre os que estavam presentes. Eles ficaram cheios do Espírito
Santo e começaram a falar em línguas diferentes sobre “as coisas magníficas de Deus” (At 2.11). Os
espectadores, judeus de várias partes do mundo que subiram a Jerusalém para oferecer sacrifícios,
ficaram perplexos. Então, Pedro se levantou para falar. Ele explicou que aquele derramamento do
Espírito era o cumprimento da profecia de Joel (Jl 2.28-32) e que Jesus Cristo, ressuscitado e enaltecido à
destra de Deus, “derramou isto que veem e ouvem”.

A ousadia e intrepidez de Pedro foi novamente vista no seu discurso no templo, logo após a cura
de um homem que desde a sua concepção era coxo. Essa ousadia afrontou aos líderes religiosos, que
enfurecidos, lançaram Pedro e João na prisão e, posteriormente, os liberaram recomendando que
deixassem de anunciar a Jesus. No entanto, eles continuaram pregando e novamente foram levados
perante o Sinédrio, sendo acusados de “encher Jerusalém com o seu ensino”. Eles replicaram: “Temos de
obedecer a Deus como governante antes que aos homens”. Embora chibatados e ameaçados, ainda assim
se recusaram a parar, e “cada dia, no templo e de casa em casa, continuaram sem cessar a ensinar e a
declarar as boas novas a respeito do Cristo, Jesus” (At 5.28-29, 42).

### 2. Morte e crescimento

Juntamente com o crescimento surgiram os problemas na Igreja. Helenistas (judeus que falavam
grego) reclamavam que suas viúvas estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de alimentos e
os apóstolos não achavam razoável deixar de pregar a Palavra para servir as mesas. Então, os apóstolos
convocaram os discípulos e propuseram que fosse formada uma comissão de "sete homens acreditados,
cheios de espírito e de sabedoria" (At 6.3), que se incumbiriam da distribuição. São os sete: Estevão,
Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau.

Estevão era homem cheio de fé e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Mesmo
assim, levantaram-se alguns que eram da sinagoga dos Libertos, composta por judeus helenistas que, na
sua maioria, eram turistas e imigrantes. Estes subornaram alguns homens para dizer mentiras e, com
isso, Estevão foi preso e posto diante Sinédrio. Em sua defesa, Estevão fez uma exposição que começou
no chamado de Abraão até os dias de Jesus, bem como mostrou a dureza dos corações daqueles que o
ouvia. Isso despertou a ira dos ouvintes e o condenou à morte. Em seguida, Estevão, cheio do Espírito
Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, Jesus de pé, à direita de Deus, e disse: "Vejo o
céu aberto e o Filho do homem de pé, à direita de Deus" (At 6.56). Logo em seguida, os que o ouviram o
levaram para fora da cidade, colocando suas roupas aos pés de Saulo, apedrejando-o, quando ainda,
Estevão declarou: “Senhor, não os consideres culpados deste pecado" (At 7.60).

Após a morte de Jesus, Estevão se tornou o primeiro mártir da Igreja, no entanto, isso não foi
suficiente para parar o crescimento da Igreja, seja em Jerusalém, seja fora da Judeia.

### 3. Começou a perseguição

Após a morte de Estevão, o Evangelho foi impulsionado para fora de Jerusalém, por causa das
constantes perseguições e desencadeou o segundo precioso momento para o cristianismo. Nesse tempo,
muitos foram espalhados pelas terras da Judeia e Samaria, exceto os apóstolos que se mantiveram em
Jerusalém. Saulo, após a morte de Estevão, manteve a perseguição à Igreja, entrando em casas e
arrastando homens e mulheres para a prisão. No entanto, quanto mais perseguiam, mais a Igreja se
espalhava por várias regiões.

Nesse contexto, Filipe desceu a Samaria, onde as multidões reunidas ouviram-no, pois viram os
sinais miraculosos que ele realizava, como a libertação de espíritos imundos, a cura de coxos e, por isso,
havia muita alegria naquela cidade. Filipe aproveitou para realizar o batismo de muitas pessoas. Notícias
de Samaria chegaram a Jerusalém, e por isso João e Pedro foram verificar pessoalmente quando tiveram
a oportunidade de orar para que os novos convertidos recebessem o Espírito Santo (At 8.15).

Mesmo diante desse mover do Espírito Santo em Samaria, Filipe foi levado pelo próprio Espírito
para encontrar um eunuco etíope, um oficial importante, encarregado de todos os tesouros de Candace,
rainha dos etíopes. Esse homem viera a Jerusalém para adorar a Deus e, de volta para casa, sentado em
sua carruagem, lia o livro do profeta Isaías. No entanto, não entendia o que lia e Filipe subiu em sua
carruagem para ensiná-lo acerca de Cristo e do batismo.

A tradição afirma que esse eunuco levou o Evangelho e a verdade de Cristo ao Norte da África,
pois, até então, ele subia a Jerusalém para apresentar suas ofertas e sacrifícios no Templo, segundo
estabelecia a Torah. Depois do batismo do eunuco, Filipe apareceu em Azoto e, indo para Cesareia,
pregou o Evangelho em todas as cidades pelas quais passava.

### 4. De perseguidor a perseguido

No ano 37 d.C. durante o governo de Herodes Agripa I e no Império de Calígula, ocorreu a
conversão mais improvável, a conversão de Saulo de Tarso. Sendo que seu chamado foi para o
apostolado. Esse fato pode ser entendido como o terceiro precioso momento para o cristianismo.

Paulo, apesar de ser judeu, nasceu em Tarso, tendo cidadania romana. Sua primeira aparição na
Bíblia foi relatada em Atos 7, durante o apedrejamento de Estêvão. Ele foi batizado como “Saulo”,
possivelmente em homenagem ao rei Saul, que era da Tribo de Benjamim como ele. Paulo e sua família
não viviam como os gentios, pelo contrário, ele se classificava como “hebreu de hebreus”, criado em
Jerusalém, “aos pés de Gamaliel”, o mais ilustre rabino de sua época. Na juventude, mudou-se para
Jerusalém, muito provavelmente, com sua irmã. Ali, ligou-se às tradições judaicas, vendo no cristianismo
uma grande ameaça. Por isso, tornou-se um dos maiores perseguidores da Igreja.

Saulo, “respirando ainda ameaça e assassínio contra os discípulos do Senhor”, empreendeu
viagem para prender os que “pertenciam ao Caminho”, em Damasco. Repentinamente, em volta dele
apareceu uma luz vinda do céu, e ele caiu cego em terra. Uma voz do céu lhe disse: “Eu sou Jesus, a
quem tu persegues”. Depois de três dias em Damasco, um discípulo de nome Ananias veio prestar-lhe

ajuda. Saulo recuperou a vista, foi batizado e ficou cheio de Espírito Santo, de modo que se tornou um
zeloso e habilitado pregador das boas novas. (At 9.1-2, 5). Nessa surpreendente reviravolta de
acontecimentos, o perseguidor passou a ser o perseguido e teve de fugir para salvar sua vida, primeiro,
de Damasco, depois, de Jerusalém.

Após ser batizado, passou alguns dias com os discípulos em Damasco, onde começou a pregar a
Jesus como o Filho de Deus nas Sinagogas. Aqueles que o via diziam: “Não é ele o homem que procurava
destruir em Jerusalém aqueles que invocam este nome? E não veio para cá justamente para levá-los
presos aos chefes dos sacerdotes" (At 9.21). Decorridos muitos dias, os judeus decidiram de comum
acordo matá-lo, mas Saulo ficou sabendo do plano deles. Dia e noite eles vigiavam as portas da cidade a
fim de matá-lo, mas os seus discípulos o levaram de noite e o fizeram descer num cesto, através de uma
abertura na muralha.

Em Jerusalém, tentou reunir-se com os discípulos, mas todos estavam com medo dele, não
acreditando que fosse realmente um discípulo. Então, Barnabé o levou aos apóstolos e lhes contou como,
no caminho, Saulo vira o Senhor, que lhe falara e como em Damasco ele havia pregado corajosamente
em o Nome de Jesus. Assim, Saulo ficou com eles e andava com liberdade em Jerusalém, pregando
corajosamente em o Nome do Senhor. Falava e discutia com os judeus de fala grega, mas estes tentavam
matá-lo também. Sabendo disso, os irmãos o levaram para Cesareia e o enviaram para Tarso.

### Conclusão

Após a ascensão de Jesus Cristo, a Igreja teve os seus primeiros passos sem a presença física de
Jesus. Conhecendo esses dias iniciais percebemos que não foram momentos fáceis para a Noiva do
Senhor, pois a perseguição começou logo nos primeiros anos e de forma implacável. Essa perseguição
foi tão intensa a ponto de ceifar a vida de Estevão, no entanto, quanto mais perseguiram a Igreja, mais
ela cresceu e se espalhou por várias partes. E, por fim, o mais improvável aconteceu, o maior perseguidor
do período tornou-se o perseguido por pregar a Jesus como o Filho de Deus.

Os temas estudados são de vital importância, pois nos mostra como a Igreja conseguiu passar
pelas fases mais dolorosas e, nas aflições, encontrar meios de superá-las, crescendo ao mesmo tempo em
amor e comunhão, sempre orientada pelo poder do Espírito Santo.

Devemos aprender com nossos primeiros irmãos a não desistir da nossa fé, mesmo enfrentando
as maiores dificuldades, rompendo e rumando para o alvo que é Jesus Cristo.

## LIÇÃO 5 – A expansão da Igreja

### Objetivo Geral

Conhecer as principais viagens missionárias que expandiram a Igreja para além da Judeia e Samaria, bem como conhecer o seu início em Antioquia.

### Introdução

É importante para todo cristão conhecer os principais relatos bíblicos sobre a Igreja do primeiro
século, pois por meio deles é possível conhecer as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros do Evangelho
de Cristo.

Nesta lição, buscaremos expor a viagem missionária de Pedro e sua contribuição para a expansão
da Igreja, como bem a importância da igreja em Antioquia e os principais fatos que ali ocorreram na fase
de crescimento do evangelho sobre as regiões mais próximas a Judeia. Vamos também conhecer as
viagens missionárias dos apóstolos Barnabé e Paulo e os desafios que enfrentaram em cada cidade que
visitaram.

Todas essas informações históricas são importantes para entendermos que a Igreja de Cristo sobre
a Terra sempre enfrentou desafios e dificuldades, mas Deus, por Sua infinita misericórdia, capacitou
Seus enviados e os orientou para superar as barreiras e levar o Evangelho a todos que necessitam.

### 1. As viagens missionárias de Pedro

Muito se fala nas viagens missionárias de Paulo, mas as viagens missionárias de Pedro também
obtiveram resultados fundamentais para o crescimento e consolidação do evangelho pelo mundo. Até o
capítulo 13, do livro de Atos dos Apóstolos, Pedro aparece com bastante destaque. Inclusive, durante os
primeiros anos, ele foi o líder da igreja em Jerusalém. Durante seu ministério, ocorreram grandes
milagres ao ponto de até mesmo os doentes serem colocados à beira do caminho para sobre eles passar
a sombra do apóstolo (At 5.15).

Após a morte de Estêvão, houve uma forte perseguição na igreja de Jerusalém, isso por volta do
ano 37 d.C. e se intensificou nos anos seguintes, a ponto dos discípulos deixarem a cidade para ir às
regiões da Judeia, Galileia e Samaria, onde tinha paz (At 9.31). Nesse período, Filipe realizou um grande
trabalho de evangelização em Samaria e a notícia do que ocorria nessa região chegou à Jerusalém e por
isso Pedro e João foram enviados para lá. Já em Samaria, os dois apóstolos oraram por imposição de
mãos para que os membros daquela igreja pudessem receber o Espírito Santo, pois só haviam sido
batizados nas águas. Tendo testemunhado e proclamado a Palavra do Senhor, Pedro e João voltaram a
Jerusalém, pregando o Evangelho em muitos povoados samaritanos.

Na segunda viagem de Pedro, aproveitando do período de paz em toda a Judeia, Galileia e
Samaria, ele foi a Lida, cidade fundada por um membro da tribo judaica de Benjamim, chamado Samed
(1Co 8 .12). Lida ficava na região de Jope, uma cidade portuária na costa sudoeste da Palestina, tida como
uma das mais antigas do mundo, cujo nome significava “bela”. Nessa região, Pedro orou pela cura de
Eneias, um paralítico há oito anos. Por esse milagre, todos os que viviam em Lida e Sarona o viram e se
converteram ao Senhor. Ainda na região de Jope, Pedro orou por Tabita, que havia falecido e ela voltou
à vida. Esse fato foi amplamente conhecido e, por isso, ele ficou muitos dias em Jope. Nesse período, um
homem chamado Cornélio, centurião do regimento conhecido como italiano, mandou buscar Pedro após
ter uma visão. Assim, Pedro, após receber uma revelação divina, atendeu ao chamado da família de
Cornélio em Cesareia. Nesta cidade, Pedro foi recebido por Cornélio que o esperava com seus parentes
e amigos. Naquele encontro, Pedro falou sobre Jesus e aqueles gentios creram a ponto de receberem o
Espírito Santo e o batismo nas águas.

Após essa viagem, quando retornou a Jerusalém, Pedro enfrentou críticas dos que eram do
partido dos circuncisos, pois estes alegavam que Pedro havia entrado na casa de homens incircuncisos e
havia comido com eles. Em sua defesa, Pedro relatou a visão dos animais impuros e a orientação divina
sobre não chamar de impuro aquilo que Deus purificou. Relatou ainda a orientação divina para ir até
Cornélio e o que Deus havia feito no meio dos gentios. Diante desses relatos, a igreja em Jerusalém
louvou a Deus, dizendo: _"Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios"._

### 2. Os cristãos da Antioquia

Com a perseguição severa em Jerusalém, alguns irmãos foram para Fenícia, Chipre e Antioquia.
A Fenícia, localizada no atual Líbano, era uma faixa estreita à beira-mar no oriente do mar Mediterrâneo
que incluía os portos de Tiro e Sidom. Enquanto o Chipre é, ainda hoje, uma ilha grande no nordeste do
Mediterrâneo. Antioquia, nesse período, era a capital da Síria, e da província romana da Ásia. Estava em
terceiro lugar em importância no império romano, vindo depois de Roma e Alexandria. Nesse momento,
o Evangelho foi levado somente aos judeus (At 11.19). No entanto, alguns cipriotas e cireneus foram a
Antioquia e começaram a falar também aos gregos, contando-lhes as boas novas a respeito do Senhor
Jesus. Por essa atitude, a mão do Senhor os abençoou e houve um grande crescimento do número de
pessoas que se converteram.

Esse mover chegou ao conhecimento da igreja em Jerusalém. Diante disso, a igreja enviou
Barnabé a Antioquia. Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a
permanecerem fiéis ao Senhor, de todo o coração. Desse local, partiu para Tarso à procura de Saulo.
Quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante um ano, inteiro Barnabé e Saulo se
reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez
chamados cristãos (At 11. 26 ).

Naqueles dias, alguns profetas desceram de Jerusalém para Antioquia. Ágabo, pelo Espírito,
disse que uma grande fome viria sobre todo o mundo romano. Isso aconteceu durante o reinado de
Cláudio. Os discípulos, cada um segundo as suas possibilidades, decidiram providenciar ajuda para os
irmãos que viviam na Judeia. Para levar as provisões, enviaram as ofertas aos presbíteros pelas mãos de
Barnabé e Saulo. Ao término dessa missão os dois voltaram a Jerusalém, levando a João Marcos.

Nesse período, o rei Herodes Agripa, o neto de Herodes, o Grande e sobrinho de Herodes
Antipas, aquele que matou a João Batista, prendeu alguns que pertenciam à igreja, com a intenção de
maltratá-los. Ele mandou matar a Tiago, irmão de João. Vendo que isso agradava aos judeus, mandou
prender a Pedro, durante a festa dos pães sem fermento. Herodes Agripa pretendia submetê-lo a
julgamento público depois da Páscoa. No entanto, de forma extraordinária as cadeias onde Pedro estava
foram abertas e um anjo o conduziu à liberdade. Herodes ficou extremamente irado a ponto de mandar
executar os guardas da prisão. Pouco tempo depois, após ser aclamado pelo povo de Tiro e Sidom, por
não glorificar a Deus, um anjo do Senhor o feriu; ele morreu comido por vermes.

### 3. A primeira viagem missionária de Saulo e Barnabé

A igreja de Antioquia se reunia para um período de oração e jejum. Enquanto eles estavam
orando, o Espírito Santo falou para separar Paulo e Barnabé para enviá-los (At 13.2). Depois de ouvir a
voz do Espírito, impuseram as mãos sobre suas cabeças e os consagraram para fazer a obra que Deus.
Paulo e Barnabé, juntamente com João Marcos, partiram para Chipre. Lá, eles pregaram na sinagoga e
depois viajaram por toda a ilha até chegarem a Pafos.

Em Pafos havia um falso profeta chamado Bar-Jesus e o feiticeiro Elimas que tentaram impedir a
pregação do Evangelho por Paulo e Barnabé. Em resposta, Paulo, cheio do Espírito Santo, disse que
Elimas ficaria cego, e no mesmo instante caiu sobre ele uma nevoa e escuridão (At 13.11). O procônsul
Sergio Paulo, que desejava ouvir a Palavra de Deus, viu a cegueira instantânea e creu na doutrina de
Cristo.

Depois que eles deixaram Pafos, navegaram para Perge, na Panfília. Lá, João Marcos, que era
primo de Barnabé, deixou a viagem e voltou para Jerusalém. De Perge, eles seguiram para Antioquia da
Pisídia, o que é hoje a Turquia. Nessa região, buscaram anunciar o Evangelho na sinagoga local. Quando
Paulo e Barnabé estavam saindo da sinagoga, o povo os convidou a falar no sábado seguinte. Muitos dos
judeus e estrangeiros convertidos ao judaísmo os seguiram. No sábado seguinte, quase toda a cidade se
reuniu para ouvir a Palavra do Senhor. Quando os judeus viram a multidão, ficaram cheios de inveja e,
blasfemando, contradiziam o que Paulo dizia. No entanto, os gentios criam cada vez mais e Palavra do
Senhor se espalhava por toda a região. Entretanto, os judeus incitaram algumas mulheres de elevada
posição e os principais da cidade, e provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, que os
expulsaram do seu território.

Em Icônio, Paulo e Barnabé foram à sinagoga judaica. Ali veio a crer uma grande multidão de
judeus e gentios. Entretanto, os judeus que não creram incitaram os gentios contra os eles. Mesmo assim,
Paulo e Barnabé passaram bastante tempo ali, falando corajosamente do Senhor, que realizava sinais e
maravilhas pelas mãos deles. O povo da cidade ficou dividido. Alguns estavam a favor dos judeus,
outros a favor dos missionários. Formou-se, então, uma conspiração de gentios, judeus e seus líderes,
para maltratá-los e apedrejá-los. Quando eles souberam disso, fugiram para as cidades licaônicas de
Listra e Derbe, e seus arredores, onde continuaram a pregar as boas novas.

Em Listra, Paulo curou um homem paralítico dos pés, aleijado desde o nascimento. Ao ver o que
Paulo fizera, a multidão começou a gritar em língua licaônica: _"Os deuses desceram até nós em forma
humana!"_. Eles acreditavam que Barnabé era Zeus e Paulo era Hermes. O sacerdote de Zeus, cujo templo
ficava diante da cidade, trouxe bois e coroas de flores à porta da cidade para sacrifícios. No entanto, eles
não aceitaram e alertaram a multidão que eram homens comuns trazendo as boas novas para eles. Então,
alguns judeus chegaram de Antioquia e de Icônio e mudaram o ânimo das multidões. Em seguida,
apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, pensando que estivesse morto. No dia seguinte,
ele e Barnabé partiram para Derbe.

Em Derbe, eles pregaram as Boas Novas e fizeram muitos discípulos. Então, voltaram para Listra,
Icônio e Antioquia, fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: _"É necessário
que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus"._ Paulo e Barnabé designaram-lhes
presbíteros em cada igreja.

Passando pela Pisídia, chegaram à Panfília e, tendo pregado a Palavra em Perge, desceram para
Atália, navegaram de volta a Antioquia. Chegando ali, reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus
tinha feito por meio deles e como abrira a porta da fé aos gentios.

### 4. A segunda viagem missionária de Paulo e Silas

Alguns homens desceram da Judeia para Antioquia e passaram a ensinar aos irmãos a
necessidade da circuncisão conforme a lei de Moises. Isso levou Paulo e Barnabé a uma discussão com
eles. Assim, os dois foram designados para irem a Jerusalém tratar dessa questão com os apóstolos e com
os presbíteros. Chegando a Jerusalém, os apóstolos e os presbíteros se reuniram para considerar essa
questão. Nessa oportunidade, Pedro relatou toda a sua experiência com os gentios e o fato de obterem a
salvação pela graça. Em seguida, Barnabé e Paulo falou de todos os sinais e maravilhas que, por meio
deles, Deus fizera entre os gentios. Então, a igreja decidiu enviar alguns deles a Antioquia recomendado
somente a abstenção comida sacrificada aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da
imoralidade sexual.

Algum tempo depois, Paulo, que estava ainda em Antioquia, chamou a Barnabe para visitar as
igrejas que haviam conhecido na primeira viagem. Durante essa preparação os dois tiveram um
desentendimento por causa de João Marcos, uma vez que este os havia abandonado na Panfídia. Por
isso, os dois tomaram rumos diferentes.

Barnabé e Marcos embarcaram rumo a Chipre, enquanto Paulo e Silas foram para a Síria e a Ásia
Menor. Timóteo se juntou a Paulo em Listra, e prosseguiram para Trôade, na costa do mar Egeu. Ali,
Paulo viu numa visão um homem que lhe súplicava: _“Passa à Macedônia e ajuda-nos.”_ (At 16 .9) Lucas se
juntou a Paulo e eles tomaram um navio para Filipos, a cidade principal da Macedônia, onde Paulo e
Silas foram lançados na prisão. Ao serem soltos, foram para Tessalônica e ali os judeus, ficando com
ciúmes, incitaram a turba contra eles de modo que os irmãos enviaram Paulo e Silas de noite a Bereia.
Ali, os judeus mostraram ter mentalidade nobre, recebendo a palavra, examinando cuidadosamente as
Escrituras, em busca de confirmação das coisas aprendidas. Paulo, deixando Silas e Timóteo nesta nova
congregação, assim como havia deixado Lucas em Filipos, continua rumo ao sul, para Atenas.

Em Atenas, filósofos epicureus e estoicos chamaram a Paulo de _“paroleiro”_ e _“publicador de deidades
estrangeiras”,_ e o levaram ao Areópago, ou colina de Marte. Paulo argumentou em favor de se buscar o
verdadeiro Deus, o _“Senhor do céu e da terra”,_ que garante um julgamento justo por intermédio daquele a
quem ressuscitou dentre os mortos. A menção da ressurreição divide a sua assistência, mas alguns se
tornam crentes.

A seguir, em Corinto, Paulo fica com Áquila e Priscila, trabalhando com eles na profissão de fazer
tendas. A oposição à sua pregação o obriga a sair da sinagoga e a realizar as suas reuniões numa casa,
no lar de Tício Justo. Crispo, o presidente da sinagoga, tornou-se crente. Depois de uma estada de 18
meses em Corinto, Paulo partiu com Áquila e Priscila para Éfeso, onde os deixou, e continuou a viagem
à Antioquia da Síria, completando assim a sua segunda viagem missionária.

### Conclusão

Nesta lição, tivemos a oportunidade de conhecer o período de expansão da Igreja do primeiro
século. Nesse período, a igreja de Antioquia, fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, exerceu papel
importante para a criação de outras igrejas na sua região.

Podemos também conhecer, de forma cronológica, a primeira e segunda viagem missionaria do
apostolo Paulo e entender como este homem foi importante para a expansão do evangelho em seu tempo,
pois com ousadia e intrepidez pregou a Palavra de Deus, mesmo sofrendo grande agruras. Ele sempre
teve a preocupação de não só pregar, mas de estruturar a comunidade cristão do local e se dispôs a
dedicar um tempo de sua jornada a cada comunidade até que ela tivesse maturidade para caminhar com
suas próprias pernas. Tudo isso evidencia que a Igreja cresceu não somente em Jerusalém, como na
Judeia e até os confins do mundo, confirmando assim o mandamento de Jesus em Mc 16.15 e At 1.8.

Por isso, devemos trabalhar e pregar o Evangelho a toda criatura, todos nossos familiares,
vizinhos, colegas de trabalho e desconhecidos, para que o mundo experimente o quão maravilhoso é
andar e ter Jesus em nossas vidas.

## LIÇÃO 6 – o cuidado por meio das cartas

### Objetivo Geral

Conhecer as principais cartas escritas pelo apóstolo Paulo e entender em que contextos históricos foram escritas e enviadas, bem como conhecer a jornada da terceira viagem missionária.

Muitos de nós até conhecemos o conteúdo ou sabemos alguns versículos de algumas cartas que
Paulo escreveu, mas poucos conhecem o contexto das igrejas para as quais ele escreveu. Conhecer um
pouco do contexto histórico-geográfico e cultural dos tessalonicenses, dos gálatas e dos coríntios irá nos
ajudar a ter um melhor entendimento sobre os assuntos que Paulo abordou em cada carta.

Da mesma forma, entender o itinerário e em que contexto se deu a terceira viagem missionária
de Paulo, irá nos ajudar a compreender quando ele escreveu cada carta acima mencionada e irá nos dar
uma perspectiva dos desafios que ele enfrentou em toda a sua jornada como apóstolo do Senhor Jesus.

Dessa forma, ter uma visão cronológicas desses fatos facilitará nosso entendimento quanto aos
desafios que enfrentamos no dia a dia na obra de Deus, que não é algo novo, mas iremos verificar que,
até mesmo Paulo, um dos maiores homens de Deus, viveu dificuldades e desafios, assim como nós, e
saberemos com ele agiu, que nos orientará no nosso comportamento na jornada cristã.

### 1. As cartas aos Tessalonicenses

Tessalônica, situada ao noroeste da Tessália, no golfo Salônica, era a capital da província romana
da Macedônia. Foi a primeira cidade da Europa evangelizada. Ela cresceu rapidamente devido a sua
posição geográfica. Era uma cidade portuária ligando os mares Egeu e Adriático. **N** o ano 42 a.C. era
considerada uma das cidades livres no Império Romano, sendo governada por um procônsul romano.
Nela, havia uma comunidade judaica que se dedicava ao comércio portuário.

Devemos relembrar que em Tessalônica Paulo e Barnabé pregaram o Evangelho de Cristo e houve
conversão de judeus e de muitos gregos religiosos, e por isso os dois foram perseguidos, quando fugiram
para Bereia. Os judeus de Tessalônica, sabendo que os dois estavam em Bereia, foram até lá para
persegui-los, em decorrência disso eles passaram em Atenas, onde Paulo enfrentou filósofos epicureus e
estoicos. Após, Atenas se destinou a Corinto, onde, aproximadamente no ano 54 d. C., redigiu as duas
cartas aos Tessalonicenses.

Paulo escreveu aos crentes da igreja da Tessalônica, cuja fundação ocorreu na sua segunda
viagem missionária. Ele as escreveu porque soube, provavelmente por Timóteo, do progresso da igreja
e ele desejava elogiá-los por crescerem no Senhor e também para exortá-los a corrigir alguns equívocos.
Foi considerada umas das cartas mais pessoais de todas que ele escreveu. Na primeira carta continha:
elogios à igreja, recordações de seu ministério, indicação de Timóteo como obreiro, fez exortações,

declarou a esperança futura, e ditou deveres práticos para a vida cristã. Na segunda carta, Paulo buscou
esclarecer o mal-entendido causado pela primeira carta, quanto à vinda de Cristo, além das advertências
contra o desassossego, e expôs sua confiança na igreja. Aproveitou também para mostrar o exemplo
apostólico e fez as admoestações finais.

### 2. Terceira viagem missionária de Paulo.

Paulo permaneceu em Corinto por algum tempo. Depois, despediu-se dos irmãos e navegou para
a Síria, acompanhado de Priscila e Áquila. Chegaram a Éfeso, onde Paulo deixou Priscila e Áquila, e,
como de costume, debatia com os judeus na sinagoga. Partiu de Éfeso, passando pela Cesareia, subiu a
Jerusalém para saudar a igreja, e depois desceu para Antioquia, tendo permanecido ali algum tempo.
Paulo viajou por toda a região da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos. Em seguida,
atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso.

Em Éfeso, realizou batismos e impôs as mãos para a descida do Espírito Santo. Entrou na
sinagoga, debatendo e convencendo a respeito do Reino de Deus. Com a resistência de alguns judeus,
Paulo então passou a ensinar na escola de Tirano durante dois anos. Nesse período, houve a libertação
de espíritos imundos. Isso impactou tanto aquela cidade que os moradores queimaram os livros de
feitiçaria. Depois dessas coisas, Paulo decidiu no espírito ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela
Acaia. Naquele tempo houve um grande tumulto por causa do Caminho, uma vez que a doutrina
ensinada por Paulo afrontava as práticas comerciais mais comuns, o culto e o comércio de imagens da
deusa Diana.

Cessada a confusão em Éfeso, Paulo chamou os discípulos e, depois de encorajá-los, partiu para
a Macedônia. Viajou por aquela região, encorajando os irmãos com muitas palavras e, por fim, chegou à
Grécia, onde ficou três meses. Quando estava a ponto de embarcar para a Síria, os judeus fizeram uma
conspiração contra ele; por isso decidiu voltar pela Macedônia, sendo acompanhado por Sópatro, filho
de Pirro, de Bereia; Aristarco e Secundo, de Tessalônica; Gaio, de Derbe; e Timóteo, além de Tíquico e
Trófimo, da província da Ásia. Esses homens foram adiante e esperaram em Trôade. Navegaram de
Filipos, após a festa dos pães sem fermento, e cinco dias depois reuniram-se com os outros em Trôade,
onde ficaram sete dias.

Após esse período, Paulo e alguns discípulos se encontraram em Assôs e navegaram até Mileto,
porque Paulo já havia determinado não aportar em Éfeso, não querendo demorar-se na Ásia, porquanto
se apressava com o intuito de passar o dia de Pentecostes em Jerusalém. Em Mileto, Paulo chamou os
presbíteros da igreja de Éfeso para se despedir deles porque sabia que cadeias e tribulações o esperavam.
No mesmo dia, o apóstolo partiu para a Rodes, e dali a Pátara. Achando um navio que ia para a Fenícia,
embarcaram nele, chegando a Tiro. Encontrando os discípulos, permaneceu lá durante sete dias; e eles,
movidos pelo Espírito Santo, recomendaram a Paulo que não fosse a Jerusalém. Saindo de Tiro, passou
em Ptolemaida, onde saudou os irmãos, passando um dia com eles. No dia seguinte, partiu para Cesareia
e, entrando na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficou com ele. Neste local, foi advertido
do que o esperava em Jerusalém, entretanto, mesmo assim subiu a Jerusalém. Os irmãos de Jerusalém o
receberam com alegria e ele contou tudo quanto Deus havia realizado.

### 3. A carta aos Gálatas

Esta carta foi inicialmente destinada às igrejas da Galácia, região da Anatólia e habitada por um
grupo étnico de origem celta, localizada na região central da atual Turquia. Estes celtas eram guerreiros
e mercenários, respeitados por gregos e romanos. A população local, formada por capadócios, controlava
as cidades e as terras pagando tributos aos celtas. Essa região recebeu este nome por causa dos imigrantes
gauleses vindos da Trácia que se assentaram ali. Em 189 a.C., Roma dominou a região após a Guerra
Gálata, e manteve o controle por meio de monarcas-fantoches locais. Os gálatas celtas foram povos que
mantiveram contato com diversas outras culturas ao longo da história, e construíram muitos de seus
próprios costumes, crenças e visões de mundo a partir do contato com outros povos.

A igreja de gálatas foi fundada pelo apóstolo Paulo em uma de suas primeiras viagens
missionárias. Segundo a tradição cristã, Paulo fundou igrejas na Galácia para combater judeus que
afirmavam que gentios, pessoas que não são israelitas, só poderiam ser salvos se fossem circuncidados e
seguissem todas as leis de Moisés.

A Epístola de Paulo aos Gálatas pode ser resumida como uma carta escrita aos judeus cristãos
que depositaram a confiança em rituais da lei de Moisés, o que era visto como um afastamento do
Evangelho de Jesus Cristo. A carta é valiosa nos estudos cristãos, uma vez que pode nos ajudar a
compreender e valorizar a liberdade do Evangelho de Jesus Cristo. Assim, os principais objetivos do
apóstolo Paulo, com a epístola à Galácia era denunciar e corrigir os falsos ensinos que tinham infiltrado
na igreja, esclarecendo a diferença entre a antiga aliança que Deus fez por meio de Moisés e a nova aliança
feita por Cristo, assim como ensinar que todos poderão ter salvação por meio da fé em Deus.

### 4. As cartas aos Coríntios

Corinto é uma antiga pólis grega, cerca de 48 km a oeste de Atenas. A moderna cidade de Corinto
está localizada cerca de 5 km a nordeste das ruínas antigas e é a segunda maior cidade do Peloponeso,
com vários locais para turistas. Ela era um rico centro comercial e portuário, abrigando uma população
cosmopolita, que realizava comércio com a Ásia, bem como era um ponto de comunicação com a
península itálica. Os romanos a destruíram em 146 a.C., mas em 44 a.C., foi reconstruída como uma
cidade romana. A nova cidade prosperou e estima-se que tinha cerca de 800 mil habitantes no tempo de
Paulo. Ela foi a capital da Grécia romana, habitada principalmente por homens livres e judeus. Essa
cidade também ficou conhecida pela sua promiscuidade e pela idolatria.

Estas cartas foram escritas por Paulo provavelmente dois ou três anos após deixar a igreja que
havia iniciado em Corinto. Ele estava em Éfeso por mais de dois anos em sua terceira viagem missionária,
quando recebeu relatos preocupantes de disputas na igreja de Corinto (1Co 1.11). Nesta igreja que ele
havia fundado recentemente (At 18.1) já ocorria conflitos e divisões. Alguns crentes haviam-se tornado
espiritualmente arrogantes, causando diversos problemas. Paulo escreveu suas cartas em entre 54 e 55
d.C., quando ele estava planejando deixar Éfeso e ir para Macedônia (1Co 16.5).

Paulo sabendo dos problemas daquela jovem igreja, escreveu a eles na primeira carta para alertá-
los dos falsos conceitos do ministério, do orgulho intelectual, dos males sociais, da necessidade da purificação da igreja, da imaturidade existente na disputa da liderança. Aproveitou para descrever como
o ministro deve ser visto, e instruiu sobre a doutrina verdadeira, dando diversos conselhos aplicáveis na
vida de todos os crentes.

Na segunda carta, o que se depreende de todo o texto, é que ele desejava defender o seu
apostolado, pois existia alguém que pretendia desacreditar o seu ministério e sua autoridade. Por isso,
essa carta fala mais do seu ministério, revelando seus motivos, sua paixão espiritual e seu amor pela
igreja. Nesse sentido, a carta aborda as características do ministério de Paulo, possui exortações e
instruções acerca da generosidade, defesa do seu apostolado e instruções gerais sobre ministério, morte,
chamado e sofrimento.

### Conclusão

Paulo, na sua primeira e segunda viagem missionária, pôde conhecer ou fundar algumas igrejas
pelas cidades em que esteve. No entanto, ele não se limitou em abri-las, mas buscava manter contato
com todas elas e obter informações do seu nível de desenvolvimento e maturidade espiritual.

Nesse contexto, ele escreveu aos Tessalonicenses, pois era uma igreja que apresentava um bom
desenvolvimento espiritual. Já nas cartas enviadas aos coríntios, havia preocupações quanto à
imaturidade da igreja e o apego a tradições e costumes mundanos que não condiziam com a vida cristã.

Quanto a sua terceira viagem missionária, o que se pode perceber é que as dificuldades não se
limitavam aos fatos presentes que ele tinha que enfrentar, mas durante a viagem precisou parar para
escrever e cuidar das igrejas que já haviam sido criadas nas viagens anteriores, o que demostra que a
terceira viagem teve um peso maior do que as viagens anteriores.

Com todos esses relatos, podemos aprender com os erros das igrejas a quem Paulo teve que
escrever, e aprendemos também com a perseverança e a entrega de Paulo à obra de Deus, pois, sem
dúvida, quando conhecemos a sua jornada missionária e o seu cuidado para com as igrejas por onde
passou, entendemos que podemos cada vez mais contribuir para o Reino dos Céus.

## LIÇÃO 7 – Conhecendo a Igreja por meio das cartas

### Objetivo Geral

Conhecer os fatos bíblicos após o ano 60 por meio das cartas.

### Introdução

Nesta lição, vamos conhecer algumas cartas que compõem o Novo Testamento, o contexto
histórico-geográfico, isto é, em que locais e períodos elas foram escritas, as evidências da autoria e os
principais temas abordados em cada uma delas. Estas cartas são também chamadas epístolas por se
tratarem de mensagens escritas pelos apóstolos e dirigidas às primeiras comunidades cristãs do século
I.

A carta de Paulo aos Romanos, por exemplo, traz profundas instruções a respeito do plano de
salvação de Deus por meio da graça e mediante a fé para todos os que creem em Jesus Cristo e orientações
sobre a vida e a doutrina cristã. A carta de Tiago exorta a perseverança na fé tendo o Evangelho como
guia norteador, enquanto as cartas de Pedro trazem advertências sobre os falsos profetas, orientações a
respeito do comportamento adequado de um cristão e o estímulo à esperança diante das perseguições
iminentes.

Cabe ressaltar que, para compreendermos tais mensagens, torna-se necessário também entender
como foi as vidas dos apóstolos, em que períodos, circunstâncias e locais eles escreveram, viveram e
morreram. Como o apóstolo Paulo escreveu várias destas cartas, vamos estudar mais profundamente
sobre sua trajetória, viagens missionárias e momentos nas prisões.

Observe, caro leitor, que não poderíamos obter instruções melhores a mais atuais dentro da
realidade que enfrentamos no mundo contemporâneo. Ainda que a sociedade tenha mudado ao longo
dos anos, as mensagens contidas nas cartas são de extrema importância na atualidade, afinal sabemos
que a palavra de Deus é infalível, inerrante e suficiente, portanto, cabível em qualquer época ou contexto.

### 1. A mais longa epístola de Paulo

A epístola de Paulo aos romanos é a maior explanação a respeito do Evangelho em uma carta. Ela
apresenta, dentre diversos ensinamentos, a justificação pela fé, a aplicação da doutrina cristã na vida
diária e a salvação exclusivamente por meio de Cristo Jesus, visto que todos pecaram e são naturalmente
destituídos da graça (ver Rm 3.23).

A autoria da carta aos romanos é facilmente identificada logo no primeiro versículo: “Paulo, servo
de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1). Segundo
historiadores, Paulo a escreveu provavelmente em 56 d.C. enquanto estava em Corinto antes de sua visita
à Jerusalém (ver At 20.2).

Paulo não chegou a visitar a igreja em Roma. A hipótese mais provável é que a igreja tenha sido
iniciada por judeus e prosélitos, que haviam testemunhado os milagres do Pentecostes ao retornarem
para Roma. Apesar dos debates entre teólogos a respeito do destinatário da carta, há a unanimidade de
que a igreja em Roma era formada por judeus e gentios, ficando a discussão sobre qual o grupo
prioritário. O fato é que um dos propósitos do apóstolo Paulo era defender a comunhão entre judeus e
gentios na unidade do corpo de Cristo tendo em vista a justificação pela graça mediante a fé (ver Rm
5.12-21).

Além do ponto central mencionado, temas como a moralidade cristã e a forma com que as
doutrinas do Evangelho são aplicadas no cotidiano dos santos são explanados a fim de que todos, em
qualquer época e em qualquer contexto, possam compreender o plano de salvação e a importância da
comunhão para o crescimento espiritual, para a perseverança e manutenção da esperança pelo poder do
Espírito Santo.

### 2. A epístola de Tiago, irmão de Jesus

O autor desta epístola é Tiago irmão de Jesus, uma vez que o Tiago discípulo já havia sido
assassinado por Herodes Agripa antes da produção das cartas que compõem o Novo Testamento. A data
provável de sua escrita é por volta de 45 d.C. o que a torna a mais antiga epístola.

Algo relevante é que o autor, ou seja, o irmão de Jesus, converteu-se apenas após a ressurreição,
fato evidenciado em “Depois, foi visto por Tiago, depois, por todos os apóstolos” (1 Co 15.7). Após isto,
tornou-se “servo de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo” (Tg 1.1) e um dos líderes da igreja em
Jerusalém. Os destinatários da carta são os judeus convertidos ao cristianismo que estavam dispersos
pela cidade. A mensagem procura explicar o Evangelho, o qual se baseia na fé em Cristo Jesus, para os
judeus que se deparavam com o conflito da crença no Deus único e ainda não compreendiam o princípio
da trindade, como podemos observar nas palavras do próprio Cristo: “Não se turbe o vosso coração;
credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14.1).

A carta de Tiago exorta o leitor a perseverar na fé sendo obediente a fim de receber “a coroa da
vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam” (Tg 1.12). Outros temas importantes são as
instruções a respeito da mansidão, da não acepção de pessoas e o cuidado com o poder da língua. Talvez
o mais polêmico, entre os teólogos, assunto é a abordagem a respeito das obras, hoje compreendida como
um incentivo a realização das obras, consequência natural da fé (ver Tg 2.26).

A epístola é encerrada com uma explanação sobre o que há de melhor na vida do crente: a
intimidade com Deus. Segundo o historiador Flávio Josefo, Tiago foi morto por volta de 62 d.C.

### 3. A prisão de Paulo por seus compatriotas

Em seu ministério o apóstolo Paulo fez muitos amigos e inimigos e, por causa de Cristo, foi preso
diversas vezes. Em Jerusalém, os inimigos eram fariseus, saduceus, sacerdotes e prosélitos. Eles
acusavam Paulo de pregar contra o povo de Deus, contra as tradições mosaicas e contra o templo além
de não aceitarem que Jesus era o Messias.

Estes legalistas estavam à espera de qualquer motivo que pudesse ser usado para condenar Paulo.
Quando ele estava no templo com quatro homens que haviam feito um voto, acharam de acusá-lo
criando um grande tumulto, o que fomentou uma revolta popular que quase culminou no seu
linchamento (ver At 21.28-30). Ao lado do templo, o tribuno da corte, Cláudio Lísias, ouviu a gritaria e
resgatou Paulo.

Na ocasião, o apóstolo pediu para falar ao povo. Em língua hebraica, Paulo se dirigiu, contou
como tinha se transformado de perseguidor de cristãos a convertido ao Evangelho por meio da aparição
de Jesus no caminho a Damasco, sendo, em seguida, batizado e iniciado seu ministério em meio aos
gentios. Novamente a multidão iniciou um alvoroço, o que fez o tribuno mandar açoitar Paulo, porém
ao saber que ele era cidadão romano voltou atrás e apresentou-lhe ao Sinédrio. Em sua defesa, Paulo
conseguiu causar um conflito entre fariseus e saduceus ao declarar que estava sendo julgado por causa
da ressurreição dos mortos (At 23.6). Este embate, fez com que o tribuno o tirasse dali. Depois disso,
quarenta judeus armaram uma cilada na qual juraram não comerem nem beberem até que o apóstolo
fosse morto. Sabendo disso, Lísias resolveu enviar Paulo para Cesareia, junto ao governador Marco
Antônio Felix a fim de garantir um julgamento justo.

### 4. A viagem de Paulo a Itália

Em Atos 27 há o relato sobre a viagem de Paulo a Roma, sobre o naufrágio e sua permanência na
ilha de Malta. Segundo estudos, Paulo saiu de Cesareia entre agosto e setembro e só chegou a Roma em
março do ano seguinte. A partir do versículo 10, Lucas (o autor do livro) relata uma viagem cheia de
perigos. O vento contrário, descrito no versículo 7, atrasou o navio até outono, quando a navegação
tornou-se perigosa. Como estavam no final da estação, Paulo pôde prever que a viagem seria
trabalhosa. Ainda no versículo 17, Lucas menciona o medo de que o navio fosse até Sirte, que era um
banco de areia perto da costa africana.

Como Paulo fez vários alertas e recomendações para que todos sobrevivessem, acabou por
assumir certa posição privilegiada na embarcação. Ele garantiu que todos iriam resistir às grandes
intempéries, solicitou que comessem – pois estavam desolados e em jejum – e que o restante da carga
fosse jogada ao mar com o objetivo de aliviar o navio a fim de que a embarcação se tornasse mais leve e,
consequentemente, mais elevada para fora da água, podendo se aproximar da costa o máximo possível,
antes de encalhar. Enfim, o lugar onde conseguiram se refugiar foi ao norte da ilha chamada Malta. Lá
Paulo foi picado por uma cobra, mas não morreu e ainda curou enfermos. Os moradores daquela ilha se
converteram ao cristianismo.

Aproximadamente três meses depois, todos chegaram a Roma, onde Paulo fez sua defesa e ficou
em prisão domiciliar por dois anos, quando, então, foi martirizado e decapitado durante o governo do
imperador Nero, em 60 d.C.

### 5. As cartas de Pedro: esperança e firmeza

Entre os anos 60 e 64 d.C., o apóstolo Pedro escreveu duas cartas para as igrejas espalhadas na
Ásia Menor. Na primeira, o autor se apresenta como “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo” (1Pe 1.1), na
segunda, como “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo” (2Pe 1.1).

A primeira epístola é destinada aos estrangeiros dispersos pelas cinco províncias da Ásia Menor,
as quais pertenciam ao Império Romano e hoje estão localizadas na Turquia. Não há uma exatidão a
respeito da data em que foi escrita, porém estudiosos estimam que foi no período entre 60 e 63 d.C. Na
época, os cristãos estavam padecendo, pois as perseguições estavam se intensificando. Assim, a primeira
carta é inspiradora, doutrinadora e instrutiva abordando temas como a obra da salvação, graça,
perseguição e sofrimento de Cristo, santidade, vida familiar, relacionamento conjugal, relação com o
governo, convivência cristã e liderança.

A segunda epístola foi escrita por volta de 64 d.C. para o mesmo público. Porém, neste caso, a
intenção era advertir os cristãos sobre os falsos mestres que haviam sido introduzidos entre os irmãos e
estavam distorcendo o Evangelho. Pedro exorta os cristãos a ficarem firmes no chamado de Deus e
agirem com diligência e empenho aguardando inabaláveis no cumprimento da promessa do retorno de
Jesus.

Conforme teólogos, Pedro foi um apóstolo carismático e poderoso, resultado da transformação
promovida por Deus de um pescador temperamental e inconstante em um determinado líder da igreja
primitiva. A morte desse apóstolo não foi relatada na Bíblia, mas historiadores indicam que ele tenha
sido crucificado em Roma a mando do imperador Nero em 64 d.C.

### Conclusão

É certo que todas essas epístolas e fatos descritos em Atos sobre o ministério de Paulo, Tiago e
Pedro estão diretamente relacionados à igreja primitiva. No entanto, sabemos que tudo que está na Bíblia
Sagrada é aplicável em qualquer contexto, época ou modelo de sociedade uma vez que ela é “viva e
eficaz” (Hb 4.12) adequando-se a cada realidade. Cada carta aqui relacionada traz inúmeras lições
teológicas e práticas para a vida cristã e o livro de Atos trata de uma das mais belas histórias e traz à luz
os desafios inspiradores do estabelecimento da igreja do Senhor em nosso meio.

Enfim, os ensinamentos e exortações, mensagens de esperança e fé são importantíssimos para os
cristãos de todo o mundo e de todas as épocas, afinal como está em Isaías, capítulo 55, versículo 11:
_“Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz,
e prosperará naquilo para que a enviei”._

Seria impossível em tão poucas linhas apresentar toda a riqueza destas epístolas que compõem
o Novo Testamento, ficando aqui o incentivo para que os irmãos leiam os textos sugeridos e os livros
citados na lição com diligência e desejo de aprender cada vez mais.

Tudo que está na Bíblia é para a edificação do corpo de Cristo, ou seja, da sua Igreja. Cabe a
cada um de nós abrirmos os ouvidos, mentes e corações para compreendermos os preceitos contidos
na Palavra de Deus e aplicá-los no nosso cotidiano até a volta gloriosa do nosso Senhor Jesus.

## LIÇÃO 8 – Os últimos registros inspirados pelo Espírito Santo

### Objetivo Geral

Conhecer os últimos registros do Novo Testamento, em que contextos históricos eles ocorreram e a
relação existente com a atualidade.

### Introdução

Chegamos a última lição do panorama bíblico do Novo Testamento de forma sistemática
e sequencial, com o objetivo de contribuir para a compreensão dos fatos históricos e dos temas
centrais de cada livro, além de apresentar, sucintamente, as circunstâncias vividas por seus
escritores. Vale lembrar que tais escritores foram inspirados e receberam a revelação do Espírito
Santo de Deus.

Nessa unidade teremos o estudo das epístolas de Paulo aos Efésios, Filipenses,
Colossenses, Filemom e a carta aos Hebreus. Identificaremos a particularidade que envolve a
produção dessa última, conheceremos as cartas pastorais e despedida e trataremos da
conjuntura da morte do apóstolo Paulo, _“o apóstolo dos gentios”_ (Rm 11 .13).

Por fim, faremos uma abordagem da carta de Judas, “servo de Cristo e irmão de Tiago” (Jd
1 .1) e das três cartas de João, o apóstolo, segundo ele mesmo, “aquele a quem Jesus amava” (Jo
13.23). Entenderemos um pouco sobre os aspectos políticos que levaram à queda de Jerusalém
e faremos uma pequena abordagem sobre os últimos dias de vida de João e do livro do
Apocalipse.

Ufa! Seria impossível esgotar tantos assuntos em tão pouco tempo e espaço. No entanto,
com este estudo, temos a oportunidade de ampliar a visão sobre a inexaurível Palavra de Deus.

Afinal, como vimos em cursos anteriores, é preciso buscar instrução para a correta interpretação
bíblica. E para entendê-la, é necessário compreender o contexto, analisar o significado das
expressões e absorver os ensinamentos para assim aplicá-los em nossas vidas, a fim de
crescermos _“na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”_ (2Pe 3.18). O convite está
feito! Vamos lá?

### 1. As cartas de Paula na prisão em Roma

As epístolas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e a Filemom foram escritas por Paulo quando
estava preso em Roma por volta do ano 64 d.C.

Na carta aos Efésios, vemos a sua identificação logo no primeiro versículo. Os interlocutores
são os cristãos em Éfeso, a principal cidade romana da província da Ásia, que servia de ligação entre
as partes ocidental e oriental do Império Romano, o que favorecia a “indústria e o comércio” pagão.
Apesar disso, a Igreja do Senhor cresceu e entrou para a história por não abandonar o zelo pela obra
(Ap 2). Os principais temas abordados estão relacionados ao próprio funcionamento da única Igreja
verdadeira e os diversos ofícios de sua organização.

Na carta aos Colossenses, possivelmente, Timóteo tenha sido o auxiliar e escrevente, já Paulo
parece ter feito apenas a saudação de encerramento (Cl 4.18). A Igreja em Colossos, cidade hoje
localizada na Turquia, foi o destino da carta. O conteúdo visava alertar os cristãos a não serem soberbos
e censurá-los ensinando que a redenção é obtida somente por meio de Cristo (Cl 1.15-23).

A epístola aos Filipenses foi dirigida a Filipos, o primeiro lugar na Europa onde Paulo pregou
e estabeleceu uma Igreja (ver At 16.11-40). Os objetivos eram expressar a gratidão pelo apoio financeiro
e carinho dispensado a ele durante sua segunda viagem missionária e prisão em Roma (Fp 1.3-11) e
ensinar aos irmãos os pensamentos que norteiam uma vida reta (Fp 4.8).

Na carta pessoal de Paulo a Filemom, a intenção é falar sobre o perdão, visto que faz uma
intercessão por Onésimo (ver Fl v.17) e mostrar o poder da igualdade do Evangelho para a salvação
de todos.

### 2. A carta aos Hebreus

A autoria da carta aos hebreus não pode ser categoricamente atestada, no entanto, ela é atribuída,
pela maior parte dos teólogos, a Paulo, pois foi evidenciado que o autor era instruído no estilo literário
helenístico, dominava o grego, conhecia seus leitores originais (Hb 13.22-23), não teve contato direto com
Jesus (Hb 2.3-4) e conhecia Timóteo pessoalmente (Hb 13.23). Além de todos esses indícios, a forma de
escrever e expressar são coerentes com a do apóstolo Paulo.

Exatamente pela imprecisão da autoria, há uma dificuldade em determinar a data em que foi
escrita. Como o templo físico ainda existia e os rituais eram regularmente realizados (Hb 10.11), a data
mais provável de sua produção é antes de 70 d.C, ou seja, antes da queda de Jerusalém.

Sabe-se pelo próprio título da epístola que os destinatários eram os hebreus. Cabe ressaltar, que
este grupo havia passado por muitas dificuldades, uma vez que tinham sido expulsos das instituições
judaicas por confessarem Jesus (Hb 13.12-13) e ainda eram perseguidos pelos romanos, sendo, portanto,
tentados a retroceder para o judaísmo (Hb 4.1-11)

Em relação à mensagem, vários estudiosos a caracterizam como um sermão escrito por um exímio
pregador do Evangelho, a fim de apresentar argumentos minuciosos sobre o cumprimento do Templo
na pessoa de Jesus Cristo e a revelação de que o sistema da lei, dos sacrifícios e do sacerdócio era
temporário. O texto incentiva a fidelidade ao Salvador e à Nova Aliança, por ser o Cristo o último e
Superior Sumo Sacerdote. A epístola aos hebreus é uma “palavra de exortação”, assim como o próprio
autor a denomina em Hebreus, capítulo 13, versículo 22.

### 3. As cartas pastorais e de despedida

As cartas a Timóteo e a Tito são conhecidas como cartas pastorais, pois são dirigidas aos pastores
de Éfeso e Creta, respectivamente.

Foram escritas por Paulo, como podemos verificar no primeiro versículo de cada uma delas sendo
difícil precisar a data. Sabe-se que 1 Timóteo e Tito foram escritas no mesmo período. Considerando
essa informação, as datas mais prováveis para essas epístolas são: entre 62 e 64 d.C. para 1Timóteo
e Tito e entre 64 e 68 d.C para 2Timóteo, esta considerada a carta de despedida, visto que Paulo
estava em Roma, preso e prestes a sofrer o martírio.

As três epístolas foram escritas aos líderes da Igreja. Em 1Timóteo, Paulo o aconselhou a
assegurar que a sã doutrina fosse ensinada e a não permitir que falsidades populares distraíssem as
pessoas dos ensinamentos do Evangelho. Ele orientou sobre os ofícios de bispo e diácono, e debateu as
qualificações daqueles que serviam nessas posições (1Tm 3.13).

Na carta a Tito, Paulo escreveu que os santos deveriam aguardar _“a bem-aventurada esperança”_ de
exaltação e a Segunda Vinda (Tt 2.13). Paulo também falou sobre _“a lavagem da regeneração”_ e a _“renovação
do Espírito Santo”_ (Tt 3.5), fazendo alusão à ordenança do batismo para que os cristãos fossem _“feitos
herdeiros segundo a esperança da vida eterna”_ (Tt 3.7).

A segunda carta a Timóteo á a última das cartas pastorais, portanto, há uma abordagem e
conteúdo diferentes das demais. Prestes a ser morto, Paulo faz uma reflexão sobre sua vida a serviço
do Evangelho e expressa sua confiança em Cristo diante do martírio iminente. Nela lemos a
inesquecível declaração: _“Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé”_ (2Tm 4.7).

### 4. A carta do apóstolo Judas

O autor dessa epístola se identifica como _“Judas, servo de Cristo e irmão de Tiago”_ (Jd v.1). É evidente
que não se trata de Judas Iscariotes, mas sim de um membro da Igreja estimado em Jerusalém e
missionário (At 1.13-14) que ocupava uma posição de autoridade que lhe permitia fazer
aconselhamentos. Crê-se também que Judas era irmão de Tiago e meio-irmão de Jesus Cristo.
A data da produção dessa epístola é bastante incerta podendo ser 40 a 80 d.C. O fato que ela é
considerada uma carta profética por tratar não daquilo que a comunidade cristã estava vivendo, mas
daquilo que seria enfrentado pela Igreja e que antecederia ao arrebatamento. Sua posição na Bíblia é
bastante sugestiva, pois é o livro anterior ao Apocalipse.

Esta carta foi escrita para os cristãos fiéis, _“aos chamados santificados pelo Deus Pai e preservados por
Jesus Cristo”_ (Jd v.1), com a finalidade de incentivar os leitores a batalharem pela fé contra os falsos
mestres que haviam se infiltrado na igreja para propagar comportamentos imorais e ideias que iam
contra os ensinamentos do Senhor Jesus.

Mesmo sendo um dos menores livros do Novo Testamento, a epístola de Judas traz informações
únicas. Elder Bruce R. McConkei destacou o enfoque dos seguintes pontos: o conceito de existência pré-
mortal como nosso primeiro estado, o conhecimento acerca da disputa entre Miguel e Lúcifer pelo corpo
de Moisés e a profecia de Enoque a respeito da Segunda Vinda do Filho do Homem.

Ainda que esses temas sejam novidades comparadas às demais epístolas, a mensagem central baseia-se na “batalha pela fé” (Jd v. 3 ) contra os mestres ímpios que haviam entrado na Igreja e estavam promovendo comportamento imoral e enganosos ensinamentos que negavam o Senhor Jesus Cristo.

### 5. Os escritos de João

Além do Evangelho, João, o apóstolo, foi autor de três epístolas, possivelmente escritas entre 80
e 95 d.C e do livro do Apocalipse, escrito na década de 90 d.C.

No ano 70 d.C. soldados romanos sob comando de Tito, ocuparam e saquearam a cidade de
Jerusalém e incendiaram o Templo. A partir de então, os judeus ficaram sem o seu centro de referência
religioso. Neste contexto, não é possível afirmar por quanto tempo o apóstolo João permaneceu em
Jerusalém. Mas provavelmente ele deixou a Palestina no início da Guerra Judaica. Nesse tempo, ele se
mudou para Éfeso, onde teria escrito suas obras literárias, com exceção do Apocalipse. Em algum
momento durante o reinado do imperador romano Domiciano (81-96 d.C.), João foi banido para a Ilha
de Patmos, onde recebeu as revelações registradas no Apocalipse. Estudiosos afirmam que João morreu
durante o começo do governo de Trajano, depois de 98 d.C., com idade avançada.

Em relação às três cartas, elas abordam temas como: o estabelecimento da verdade sobre questões
relevantes, entre elas a identidade de Jesus Cristo; o amor para com o próximo; o cuidado com certas
doutrinas falsas e o incentivo à fidelidade aos líderes da Igreja.

O livro do Apocalipse teve como destinatários as sete Igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira,
Sardes, Filadélfia e Laodiceia. Apesar das referências explicitas às igrejas mencionadas, em Apocalipse
1 .19 fica claro que a mensagem, cheia de simbologias, abrange não só os acontecimentos daquela época,
mas também daqueles que ainda vão ocorrer. Assim, o conteúdo do livro mostra o reinado de Deus sobre
o passado, o presente e o futuro, culminando em um final triunfante em Cristo.

### Conclusão

Assim chegamos ao fim de mais um curso da Oceano Academy! Sabemos que todos os assuntos
aqui abordados são inesgotáveis, afinal, a palavra de Deus é “viva” (Hb 4.12), ou seja, capaz de renovar-
se e adequar-se a cada realidade vivenciada em todo o mundo e em todas as épocas.

As cartas dissertadas nesta lição em especial apresentam as últimas revelações do Espírito Santo
e, portanto, falam de temas essenciais para os cristãos. É notório que vivemos o período da graça, porém,
esse é o mesmo período que antecede ao arrebatamento da Igreja e a tão esperada Segunda Volta de
Cristo. Assim, é imprescindível que cresçamos “na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo” (2Pd 3.18) a fim de não sejamos pegos no engano ou na apostasia. O próprio Senhor nos
alerta: “Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir” (Mt 25.13).

Mas, além da necessidade do conhecimento, é fato que é um grande privilégio e uma indescritível
alegria estudar a Bíblia. Cada livro, neste caso, cada uma das cartas derradeiras e o livro do Apocalipse
nos traz “à memória aquilo que nos dá esperança” (Lm 3.21) e nos renova dia após dia na fé e na graça
de Deus. Esperamos que os leitores compreendam a importância do aprendizado da Palavra e que juntos
_“conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor”_ (Os 6.3) até a volta de Jesus! “Aquele que testifica estas
coisas diz: Certamente, cedo venho. Amém! Ora, vem, Senhor Jesus!”(Ap 22.20).

## EDITORIAL

Curso: Panorama bíblico do Novo Testamento
Ano: 2022
1ª Edição

Coordenação Editorial:

- Márcio Rezende
- Wagner Monteiro

Conselho Editorial:

- Pr. Sinval Júlio de Souza
- Pr Lúcio Andres
- Braitner Lobato

Revisão Teológica

- Pr Lúcio Andres

Projeto Gráfico e Diagramação

- Márcio Rezende

Comentaristas

- Ciro Webb – Lições 1, 2 e 3.
- Anderson Rocha – Lições 4, 5 e 6.
- Rejane Rosa – Lições 7 e 8.
    