Romanos
Entendendo as doutrinas cristãs por meio das orientações do apóstolo Paulo aos Romanos.
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Sumário
- Lição 1 – A Necessidade Universal do Evangelho
- Objetivo Geral
- Introdução
- Tópico 1: O Amor de Paulo Pelos Cristãos de Roma
- Tópico 2: A Justificação Pela Fé
- Tópico 3: A Idolatria e a Depravação dos Homens
- Tópico 4: Os Judeus São Indesculpáveis
- Conclusão
- Lição 2 – Cristo É a Propiciação Pelo Pecado do Homem
- Objetivo Geral
- Introdução
- Tópico 1: As Objeções Humanas
- Tópico 2: Todos os Homens na Condição de Pecadores
- Tópico 3: Não Há Exceção Para os Judeus
- Tópico 4: Cristo, a Nossa Propiciação
- Conclusão
- Lição 3 – Cristo e Adão
- Objetivo Geral
- Introdução
- Tópico 1: Adão x Cristo
- Tópico 2: A Eficácia da Morte de Cristo Para o Resgate do Homem
- Tópico 3: Vivenciamos o Amor de Deus
- Tópico 4: A Doutrina da Expiação do Pecado
- Conclusão
- Lição 4 – Uma Vida em Retidão, Vencendo o Pecado
- Objetivo Geral
- Introdução
- Tópico 1: Livres do Pecado Pela Graça
- Tópico 2: Não Podemos Ser Servos do Pecado e Servos de Cristo
- Tópico 3: O Salário do Pecado e o Dom Gratuito de Deus
- Tópico 4: A Lei, a Escravidão e a Graça
- Conclusão
- Editorial
Lição 1 – A Necessidade Universal do Evangelho
Objetivo Geral
Entender o valor da doutrina cristã para nossas vidas.
Introdução
Romanos é uma epístola de importância incomparável. A conversão de Agostinho aconteceu com a leitura de Romanos; a reforma protestante de Martinho Lutero foi por intermédio desta Epístola (Rm 1.17); John Wesley, fundador do metodismo, também se converteu ao ouvir sobre o comentário de Lutero sobre Romanos. Esta epístola é um relato da doutrina da igreja cristã apresentada de maneira sistemática.
Romanos foi escrita pelo apóstolo Paulo, por meio de Tércio (Rm 16.22), no inverno de 57-58 d.C., em Corinto, após a sua terceira viagem missionária e estava prestes a partir para Jerusalém levando ofertas para os crentes pobres (Rm 15.22-27). Paulo ainda não havia visitado a igreja em Roma e somente o fez após três anos depois de escrita esta epístola. A liderança da igreja provavelmente era formada pelos romanos que estiveram em Jerusalém no Dia do Pentecostes (At 2.10). Vários cristãos, no período de 28 anos, de várias partes do Oriente, haviam migrado para a metrópole, alguns deles convertidos através do ministério de Paulo. Outros, através de seus amigos íntimos.
A partir de agora, você é convidado a mergulhar conosco nas doutrinas da igreja primitiva, por meio das orientações do apóstolo Paulo aos Romanos. Deus nos abençoe nessa jornada!
Tópico 1: O Amor de Paulo Pelos Cristãos de Roma
Dois propósitos principais são encontrados na carta aos Romanos. Em primeiro lugar, o apóstolo tinha o propósito de expandir sua área ministerial para o oeste da Europa, como sua intenção de ir à Espanha (Rm 15.28). O segundo, o cuidado pastoral de Paulo para tentar aplacar as primeiras divisões que surgiram na Igreja especialmente entre os gentios e os judeus. Em Romanos 3.8, é mencionado que alguns homens fizeram acusações falsas contra ele.
O amor e o zelo de Paulo para o fortalecimento dos cristãos de Roma são evidenciados na epístola, onde eles são preparados para a visita do apóstolo. Paulo queria ensinar-lhes as doutrinas básicas da fé cristã, a fim de confundir os falsos mestres. Queria demonstrar-lhes a essência do que é ser santo. Por isso, ele os chama de "os santos de Roma" (Rm 1.6,7); queria confirmá-los na fé (Rm 1.11). Paulo desenvolveu em seu coração amor para com aquelas almas, apesar de ainda não os ter conhecido. Esse é um exemplo para nós que vivemos uma frieza em relação ao próximo, nos dias atuais.
Paulo foi o mensageiro escolhido por Deus para ser o "apóstolo dos gentios" e, mesmo não sendo o fundador da igreja em Roma, considerava ser o responsável para a solidificação da vida cristã dos membros daquela igreja.
Tópico 2: A Justificação Pela Fé
Em Romanos 1.17, Paulo cita Habacuque 2.4: "Mas o justo viverá da fé". Esta passagem bíblica foi a responsável pela Reforma Protestante feita por Marinho Lutero. É um versículo muito poderoso que deve ser muito bem analisado. Como pode um pecador ser chamado de justo? Que fé é essa que alicerça a vida de uma pessoa e pode transformá-la, libertá-la, salvá-la eternamente do fogo e da condenação do inferno?
A resposta à primeira indagação se explica no sacrifício vicário de Jesus na cruz do calvário, onde todo aquele que aceita este sacrifício, confessa a Jesus como Senhor e Salvador pessoal da sua alma, é justificado e se torna justo diante de Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Não há outra opção para a justificação dos pecados e salvação da alma.
Quanto à fé, o escritor aos Hebreus a descreve (Hb 11.1). Ainda assim, convém compreender o que Paulo escreveu em Romanos 10.17: "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus." Fé na Palavra de Deus, fé no sacrifício de Cristo, fé na salvação eterna da nossa alma, fé em Deus, fé no Espírito Santo, fé em Jesus Cristo. Fé é o combustível que move a vida do crente. Em Roma, muitos compreenderam essa revelação e se tornaram cristãos e a sua fé era conhecida no mundo (Rm 1.8).
Tópico 3: A Idolatria e a Depravação dos Homens
A depravação dos homens gentios é descrita em Romanos 1.18-32. A idolatria, que é tudo aquilo que substitui Deus em nossas vidas, é comparada ao pecado de feitiçaria (1Sm 15.23). É demonstrado que a ira de Deus se revela do céu quando o homem adora a criatura ao invés do Criador.
Nos versos 26 e 27 são citadas as práticas sexuais dos homens fora da vontade de Deus, onde homens e mulheres mudaram o seu modo natural de suas relações íntimas por outro, contrariando a natureza, conforme Deus estabeleceu, homens com homens, mulheres com mulheres, através do homossexualismo e do lesbianismo. Diz o verso 26 que Deus os abandonou às paixões infames. Isso não quer dizer que Deus deixou tudo isso de lado. Pelo contrário, o homem além de colher as consequências naturais desses pecados, por meio de doenças, ainda será condenado e prestará contas de todos esses atos malignos, diante de Deus. Não se engane!
Também são reprovados: iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade, inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade, murmuração, detração, aborrecimento de Deus, injúria, soberba, presunção, invenção de males, desobediência aos pais, insensatez, infidelidade, falta de afeição natural, de reconciliação e de misericórdia (Rm 1.29-31).
Tópico 4: Os Judeus São Indesculpáveis
De Rm 2.1 a 3.8, Paulo demonstra que o povo judeu também é pecador diante de Deus, embora seja o povo escolhido. Ele afirma que nem os gentios, nem os judeus são indesculpáveis, todos serão julgados. Israel também será condenado, caso não aceite a Jesus como o Santo, Único e Verdadeiro Senhor.
Os judeus não percebiam que uma coisa é ser somente ouvinte da Lei e outra, totalmente diferente, é ser praticante. Eles pensavam que tinham a posição mais alta entre o povo e Deus, vangloriando-se de seus privilégios, tanto o racial como o religioso; achavam-se superiores aos gentios em tudo; eles se consideravam os favoritos exclusivos do Senhor, porém não enxergavam que esses privilégios exigiam deles um padrão de vida e santidade diferenciado. A quem muito é dado, muito será cobrado (Lc 12.48). Os judeus começaram a valorizar o exterior, ao invés do interior, a viver da aparência ao invés da verdade e sinceridade, abandonando com isso o que era essencial em Deus.
Todos seremos julgados conforme a vida que levamos. Deus é justo e Sua balança é perfeita. Os judeus serão julgados de forma mais severa porque receberam, ouviram a Lei e se recusaram a obedecê-la. O mesmo acontece com os pecadores de hoje que ouvem a Palavra de Deus, mas a ignoram.
Conclusão
A compreensão de Romanos é a chave que desvenda toda a Palavra de Deus para nós.
Assim como a igreja de Roma necessitava constantemente ser alertada para não cair nas ciladas do pecado e de falsos ensinos, a igreja de hoje precisa viver o cerne das doutrinas cristãs e não dar lugar às coisas do mundo. Paulo elencou os padrões da caminhada cristã, enfatizando a justificação através da fé.
A idolatria e as depravações dos homens não passarão desapercebidas diante do julgamento de Deus. Observe o que diz Gálatas 6.7. A humanidade mergulha no pecado e se aproxima cada vez mais do diabo, achando que pode viver distante de Deus.
O julgamento acontecerá, inclusive para o povo escolhido, os judeus. Igreja esteja alerta! Nas próximas lições, teremos várias oportunidades de nos moldarmos à Palavra de Deus, à doutrina cristã e nos decidirmos a viver em santidade e fé, aguardando a volta do nosso Senhor.
Lição 2 – Cristo É a Propiciação Pelo Pecado do Homem
Objetivo Geral
Entender que todos pecaram e somente Jesus pode nos perdoar.
Introdução
No capítulo 3 de Romanos, Paulo enfatiza a natureza pecaminosa de todos os homens, trazendo à tona o estado em que estão mergulhados todos aqueles que não tenham se decidido por Jesus, apesar de declararem, forem ensinados ou crerem de maneira diferente. A Bíblia é clara, "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23).
Deus é justo e todo pecado será punido, não há misericórdia separada de justiça. Dessa forma, o próprio Deus tomou sobre Si a punição pelo pecado do homem, na pessoa de Jesus Cristo. Por conseguinte, pode perdoar todo pecado e considerar que os que, em gratidão, aceitam o sacrifício do Salvador, tomem posse da justiça dEle, passando da condenação para a salvação eterna, do inferno para o céu, da morte para a vida. Cristo é a única propiciação pelo pecado.
Até mesmo o povo judeu, que é o povo escolhido, é pecador e será condenado. Foram privilegiados por primeiramente terem recebido a Lei, as promessas e, deles, nascer o Salvador da humanidade, mas precisam de Jesus para serem salvos.
Embarque conosco nesta lição e aprenda sobre o pecado e a situação da humanidade sem Deus. Aprenda que as obras não nos salvarão, da mesma forma a religião; somente Jesus é quem pode nos perdoar e nos dar acesso ao céu.
Tópico 1: As Objeções Humanas
Se todos os homens pecaram e estão distantes de Deus, se não se decidiram por Cristo, qual a situação dos judeus como povo escolhido por Deus? A nação de Israel, se tivesse recebido a Cristo, crido e obedecido à Sua Palavra, seria salva. Paulo deixa isso muito claro na epístola aos Romanos.
Pelos judeus rejeitarem ao Senhor Jesus, a salvação foi estendida aos gentios. A igreja romana é a prova disso. Paulo, o apóstolo dos gentios, passou a amar os irmãos dessa igreja, apesar de não a haver fundado. Ainda assim, ele foi o instrumento para a solidificação da fé deles que, apesar da sua fé, lutava contra os judeus que se consideravam superiores aos gentios convertidos da igreja.
A grande mensagem de Romanos é que não há diferença no pecado (Rm 3.22), nem na salvação (Rm 10.12,13). Todos são culpados, quer sejam judeus ou gentios (Rm 3.9) para, pela graça, misericórdia e amor de Deus, serem salvos. De forma diferente da que os judeus pensavam, a Lei os condena, não salva, porque ela traz o pleno conhecimento do pecado. Ainda assim, os judeus tiveram o privilégio de primeiramente terem-lhes sido confiadas as Palavras de Deus, conforme Paulo enfatiza em Romanos 3.2. Essa era uma vantagem, desde que a Palavra tivesse sido aceita por eles.
Tópico 2: Todos os Homens na Condição de Pecadores
É normal uma pessoa afirmar "eu não mato, não roubo, por isso, sou uma pessoa boa". A surpresa lhe é tamanha quando é lido Romanos 3.10: "Não há um justo, nem um sequer"; Romanos 3.12: "Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há um só" e Romanos 3.23: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus".
Não importa tentar fazer o bem sem Jesus. As obras não nos justificam e muitos estão indo para o inferno, apesar de se considerarem "bonzinhos". Em Gênesis 6.5, a Bíblia diz que todo desígnio do coração do homem é mau. Isso, logo após o pecado entrar nas vidas de Adão e Eva. Temos a natureza adâmica, já nascemos com o pecado, está em nosso DNA. Toda a humanidade está contaminada por essa "enfermidade".
A salvação é por intermédio da graça de Deus, do sacrifício único, vicário e perfeito de Jesus na cruz, que morreu e foi condenado em nosso lugar. Estávamos todos condenados ao fogo eterno do inferno e Ele pagou todo o preço do pecado, pelo Seu precioso sangue derramado. Somente quando O recebemos como Senhor e Salvador de nossas almas é que seremos justificados e salvos (Jo 1.12). Não há outro caminho, outra verdade, ninguém pode nos dar a vida, mas somente o Senhor Jesus (Jo 14.6).
Tópico 3: Não Há Exceção Para os Judeus
Quando a Bíblia diz que "todos pecaram", não há exceção. O único ser humano que esteve na Terra, que não conheceu o pecado foi o Filho de Deus, Jesus Cristo. Toda pessoa, de qualquer raça, etnia, língua, idade, sexo, cor, religião é pecadora. São todos mesmo, até os judeus, o povo escolhido que viu milagres de Deus como ninguém jamais viu. A salvação e a Palavra foram a eles primeiramente concedidas. Jesus veio para salvá-los em primeiro lugar, mas foi por eles rejeitado.
Os judeus ainda têm as promessas de Deus, continuam sendo a nação escolhida, deles nasceu o Salvador da humanidade, Jesus é descendente de Davi, está na genealogia dos judeus. Que povo privilegiado! Mas, mesmo sendo judeu, estando envolto em todas as promessas, mesmo sendo o povo primeiramente escolhido, se não houver arrependimento dos pecados e aceitação do Plano de Salvação de Deus, por intermédio de Jesus, haverá condenação ao inferno para eles.
No verso 20 do capítulo 3 de Romanos está escrito: "Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado". A Lei foi dada aos judeus e, através dela, têm-se o conhecimento do pecado. Se eles têm conhecimento de seu estado, precisam da solução: Jesus Cristo.
Tópico 4: Cristo, a Nossa Propiciação
Segundo o dicionário, propiciação é o ato de justificar o pecador ou remover a culpa do pecado por meio de sacrifício, um ritual espiritual oferecido para obter o perdão. No Antigo Testamento a propiciação era feita por meio do sacrifício de animais. Já no Novo Testamento, Jesus se tornou o sacrifício perfeito pelos pecados de todo o mundo.
O propiciatório era o nome da cobertura da arca da aliança, dando ideia do lugar onde ocorriam as expiações. Era de ouro puríssimo e nele havia dois querubins, um de um lado e outro do outro e, com as asas estendidas, se tocavam nas extremidades. No meio deles se manifestava a glória de Deus. Uma vez por ano, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote, depois de ter oferecido o sacrifício por si e outro pelo povo, entrava no Santo dos Santos e queimava incenso. Depois, aspergia o sangue do sacrifício sobre o propiciatório. O sangue era levado para além do véu e Deus aceitava o sacrifício pelos pecados.
Jesus, o cordeiro sacrificado, derramou o Seu sangue, sendo Ele a propiciação pelos nossos pecados. Jesus, como sumo sacerdote, apresentou o Seu sangue diante de Deus que o recebeu como oferta agradável e perfeita. O véu foi rasgado e, agora, por intermédio de Jesus, temos acesso a Deus e à Sua salvação.
Conclusão
Apesar de algumas religiões fazerem apologia às boas obras e à bondade do homem, afirmando que, por essas ações, o homem é salvo, a epístola aos Romanos derruba por terra tudo isso, alertando que todos são pecadores, que toda a humanidade está condenada e precisa de um Salvador. As boas obras são somente as consequências de uma vida salva por Jesus.
Mesmo o povo judeu precisa se encaixar ao Plano de Salvação de Deus, que é aceitar o sacrifício ímpar de Jesus. Todos os sacrifícios do Antigo Testamento foram substituídos pelo de Jesus.
Quem não O aceita, quem não O recebe, quem O rejeita, será condenado. Nesta lição aprendemos que, enquanto vivos, podemos tomar a decisão por Jesus e ter acesso à salvação. Você quer tomar essa decisão agora? Reconheça que é pecador, arrependa-se, rejeite o pecado, creia em Jesus, ore e O convide para fazer morada em sua vida. Somente assim você será salvo.
Lição 3 – Cristo e Adão
Objetivo Geral
Compreender que o pecado veio por meio de Adão e o perdão, por meio de Cristo.
Introdução
Nesta lição estaremos discorrendo sobre o gênesis da humanidade, sua intimidade perdida em relação a Deus por causa do pecado e o restabelecimento dessa comunhão através de Jesus Cristo, sendo a Sua vinda o Plano Perfeito de Deus para a humanidade, livrando-o da condenação eterna.
Muitas pessoas questionam o fato de Deus "ter deixado" Adão pecar, sendo Deus onisciente e tendo conhecimento de todas os acontecimentos e de todos os tempos. O que elas não sabem é que, juntamente com o atributo da onisciência de Deus, há a presciência. Nesta, Deus, mesmo conhecendo os fatos da história, Ele a deixa ser escrita. Dessa forma, Adão e Eva usaram o livre arbítrio para se decidirem a comer do fruto da árvore que Deus havia dito para não comer (Gn 2.16, 17; 3.1-6). Ao realizarem esse ato de desobediência, o pecado passou a habitar na vida do homem, sendo este condenado ao inferno, desde então.
Deus, como Criador e Pai amoroso lançou o Plano de Salvação para a humanidade pecaminosa, já em Gênesis, dizendo à serpente enganadora: "E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." (Gn 3.15). Deus anunciou, dessa forma, a vinda de Jesus para a salvação da humanidade.
Tópico 1: Adão x Cristo
Em Teologia se estuda uma matéria chamada tipologia bíblica que, em resumo, são as figuras do Antigo Testamento confirmadas no Novo Testamento. Com isso, aprendemos que tudo na Bíblia tem um sentido, nada foi escrito ou aconteceu em vão. Deus tem o domínio de tudo e nada Lhe escapa ao controle, mesmo havendo o livre arbítrio do homem.
Em Romanos 5.1 diz: "Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram." Assim, aprendemos que temos a natureza adâmica, ou seja, pecaminosa. Já nascemos com o DNA do pecado e estamos todos condenados aos três tipos de morte que entraram nas vidas de Adão e Eva: carnal, espiritual e eterna. Esta última refere-se ao fogo eterno do inferno.
Como consequência disso, Jesus Cristo veio em carne e deu Sua vida para nos salvar da condenação. Essa é a graça de Deus diante de pessoas que não merecem perdão, de um mundo corrompido e que faz questão de assim continuar. Nos versículos 20 e 21 do capítulo 5, Paulo demonstra que "...mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor".
Tópico 2: A Eficácia da Morte de Cristo Para o Resgate do Homem
Paulo nos dá base para entendermos a eficácia da morte de Cristo para o resgate do pecado do homem na unidade da raça humana em Adão. Daí surge a seguinte pergunta: Pode um justo morrer por pessoas pecadoras não merecedoras?
O apóstolo explica que não podemos escolher nascer sem o fardo do pecado, nem sermos consultados se queríamos existir. Querendo ou não, a pessoa ao abrir os olhos vê-se num corpo corrompido, condenado, com uma natureza pecaminosa. O fato é se queremos ou não continuar nessa condição. Deus deu uma única alternativa ao homem, um só caminho, uma só verdade, uma só vida (Jo 14.6). Ao rejeitarmos essa natureza e condenação, aceitando o sacrifício de Jesus, a condenação do pecado é substituída pela salvação eterna.
Beleza, mas como pode um só morrer por muitos? Paulo explica a doutrina da expiação do pecado, não contrapondo Cristo a cada um de nós em particular, mas contrapondo-O a Adão, o cabeça natural da raça humana. Jesus é o cabeça espiritual. O cabeça natural condenou e o cabeça espiritual salvou. O pecado de um levou toda a raça à condenação pela morte eterna. Portanto, a morte de um é suficiente para possibilitar à raça condenada sair desta condição. Assim, o sacrifício de Jesus é eficaz para salvar o homem.
Tópico 3: Vivenciamos o Amor de Deus
O versículo áureo da Bíblia é João 3.16. A força motriz é o amor de Deus para com a humanidade. O amor vindo do Pai, o ágape (gr.), que é o amor perfeito, incondicional. Quando entendemos nossa condição em relação ao pecado, nos arrependemos e pedimos perdão a Deus por tais práticas e, por esse amor, somos perdoados; ainda nos é ofertada a entrada nos céus pelos séculos dos séculos.
Jesus morreu na cruz por todos, mesmo ainda na condição de pecadores, sem merecermos Sua morte (Rm 5.8). Nossos pecados é que o crucificou, foi por nossa exclusiva causa que Ele morreu. Ele nos amou entregando-Se para pagar o preço, todo o preço, para que tivéssemos uma única porta, estreita (Mt 7.13,14), mas aberta, para habitarmos eternamente com Ele porque Ele não permaneceu morto, mas ressuscitou. Jesus está vivo.
Paulo ainda fez essa pergunta: o que Deus não fará por nós agora que somos seus filhos, se fez tudo isso por nós enquanto éramos seus inimigos? Quando o recebemos, tornamos filhos de Deus, pelo poder da morte de Cristo (Jo 1.12). Se Deus nos amou quando ainda éramos pecadores, muito mais agora que somos Seus filhos. Devemos vivenciar diariamente esse amor, buscando a santidade e nos preparando para uma eternidade ao lado do Rei Soberano.
Tópico 4: A Doutrina da Expiação do Pecado
Uma das sete frases que Jesus falou na cruz do calvário foi "tetelestai", no grego, que significa "está consumado". Naquela época, todo escrito de dívida, como uma nota promissória hoje, ao ser pago recebia um carimbo vermelho dizendo: tetelestai (foi tudo pago). Ao bradar essa palavra, Jesus consumou todo o Plano de Salvação para a humanidade, todo pecado foi pago pelo preço do Seu sangue derramado, ocorrendo dessa forma a expiação dos nossos pecados.
Expiação vem do hebraico "kapper", que significa cobrir. Esta palavra é encontrada poucas vezes na Bíblia, mas está diretamente relacionada a reconciliação, propiciação, remissão de pecados e perdão. No Antigo Testamento era necessário o sacrifício de animais para a expiação do pecado do homem. Havia o Dia da Expiação, onde o sumo sacerdote, uma vez no ano, adentrava ao Santo dos Santos para oferecer esse sacrifício. Hoje não há mais a necessidade e ofertar a Deus sacrifícios de animais porque Jesus já cobriu todos os nossos pecados e já se entregou como o sacrifício vivo para nossa reconciliação com Deus, conforme Romanos 5.11.
O cordeiro foi entregue para ser morto. Jesus é esse Cordeiro. Por tudo o que Ele fez e pelo que passou, devemos ser gratos a Jesus por essa prova de amor.
Conclusão
Adão escolheu o caminho errado, mas Jesus nos deu a possibilidade de acertar esse caminho. Adão foi enganado pelo diabo e a mentira habitou em seu ser, mas Jesus nos deu a verdade da Sua Palavra para não sermos enganados. Adão deixou a morte fazer parte de nossas vidas, mas Jesus nos deu a vida eterna. Adão foi o primeiro homem. Jesus é o último Adão.
Deus nos amou de tal maneira que fez com que Jesus viesse à Terra passando por humilhação, escarnecimento, acusações, mentiras, morte de cruz em nosso lugar. Não há outra prova de amor como esse em qualquer religião. Deus é incomparável. Ele nos amou mesmo quando ainda estávamos envoltos no lamaçal do pecado.
O sacrifício de Jesus só tem efeito nas vidas daqueles que verdadeiramente O aceitam, entendem suas relações com o pecado, arrependem-se e se entregam a Ele, passam a viver conforme a Sua Palavra, alheios às ofertas desse mundo pecaminoso.
Lição 4 – Uma Vida em Retidão, Vencendo o Pecado
Objetivo Geral
Conscientizar-nos de que a retidão e a luta contra o pecado devem fazer parte do nosso cotidiano.
Introdução
O pecado traz prazer, temporário, mas traz. Ele vicia, engana, domina, escraviza. O mundo jaz no maligno (1Jo 5.19) e as ofertas do diabo são os prazeres carnais. Com a prática cotidiana do pecado, o temor a Deus acaba, dá lugar à irreverência. Hoje, o que é errado é defendido pela mídia, pela sociedade e, pior, por muitos cristãos. Está comum relativizar a Bíblia e as coisas de Deus. Paulo, no capítulo 6 de Romanos, evidenciou a graça que livra a pessoa da prática contumaz do pecado. É uma luta constante, mas que jamais pode parar de acontecer. Isso enquanto estivermos nesse mundo.
Na teologia, o estudo do pecado é visto na matéria hamartiologia. Este conteúdo tem sido ensinado somente nos seminários. Os púlpitos estão carentes de palavras e mensagens de alerta em relação a esse mal. Na busca por membros, igrejas têm aceitado os costumes do mundo e fechado os olhos diante disso. Há pessoas indo para o inferno estando dentro de igrejas.
Quando uma pessoa se entrega para Jesus, ela deve seguir o Seu testemunho de rejeição ao pecado e aos banquetes malignos. Santidade é uma característica que deve estar arraigada à vida de todo aquele que, um dia, fez uma aliança afirmando que iria ser um cristão, isto é, seguir os passos de Cristo.
Tópico 1: Livres do Pecado Pela Graça
O crente em sua caminhada cristã se depara com um problema que o perseguirá enquanto estiver vivo, que é velha natureza insistindo em prevalecer. Esta somente é vencida quando nossa carne é crucificada com Cristo. Fazendo assim, as obras carnais (Gl 5.19-21) serem subjugadas pelo nosso espírito que vence essa luta que é travada diariamente (Gl 5.16,17). Quando se lê o capítulo 6 de Romanos, três palavras devem estar evidentes para que alcancemos a vitória: conhecimento, reconhecimento e entrega.
Paulo mostra que o verdadeiro cristão morreu para o pecado e essa é a nossa identificação com Cristo. Todos devemos ter esse conhecimento. Fomos sepultados com Ele e o batismo nas águas confirma nossa decisão publicamente. Quando Cristo morreu, morremos com Ele, quando Ele ressuscitou, ressuscitamos com Ele.
Pela fé, devemos reconhecer nossa posição em Cristo. A graça de Deus nos alcança quando dizemos "sim" para Jesus. O reconhecimento é o passo de fé daquele que crê na Palavra de Deus e age de acordo com essa fé.
Por último, há a entrega. Essa entrega é um passo de obediência ao Senhor. Quem peca deliberadamente está se entregando à velha natureza. A entrega deve ser um ato diário para alimentar a nova natureza do novo homem que surgiu.
Tópico 2: Não Podemos Ser Servos do Pecado e Servos de Cristo
Senhor é aquele que tem domínio sobre algo ou alguém. Servo é aquele que se submete às ordens do seu senhor. O pecado tem o poder de domínio sobre o ser humano que não tem Jesus. As formas que ele se apresenta são as mais variadas e sempre são mais ofertadas nas áreas mais fracas de cada pessoa. O diabo tem um dossiê de cada ser humano, desde quando se nasce até a morte. Ele nos conhece bem e sabe quais obras carnais insistem em querer se evidenciar. Dessa forma, ele oferta os manjares malignos para que caiamos no laço do pecado. Quando uma pessoa cai no pecado, ela se torna serva dele e, por consequência, do diabo.
Um servo de Deus não convive com o pecado. Veja bem, isso não quer dizer que ele não peque! A diferença está na forma pela qual cada pessoa se posiciona em relação ao pecado. Você acha normal pecar, encontrando justificativas infundadas para o mesmo? Você é servo do pecado e do diabo. Em contrapartida, se você mesmo pecando geme e se arrepende de imediato numa luta constante para a eliminação do mesmo, você é um servo de Cristo (1 Jo 2.1).
Impossível é uma pessoa que se diz cristão viver envolto no pecado achando isso normal. Cuidado com o "nada a ver"! Isso tem derrubado muitas pessoas, mesmo estando dentro da igreja.
Tópico 3: O Salário do Pecado e o Dom Gratuito de Deus
Uma das passagens mais fortes de Romanos está no capítulo 6, verso 23: "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso senhor." Vamos analisar este verso.
No tópico anterior, aprendemos sobre quem é servo do pecado, quem o obedece como senhor. Todo servo trabalha e, no final do mês, aguarda o pagamento, seu salário. No verso acima é especificado o salário de quem vive na prática do pecado: a morte. Isso mesmo, é a morte que Deus disse para Adão lá no Éden que se ele desobedecesse, ela entraria em sua vida. Essa morte é dividida em três tipos: carnal, espiritual e eterna. Não se engane, todo aquele que peca, está condenado por essas três mortes!
Mas, existe a graça de Deus que dá uma única saída para todos os que se acham mortos no pecado; é um dom gratuito. Gratuito porque todo o preço necessário já foi pago na cruz do calvário. Jesus Cristo pagou tudo, basta que aceitemos esse sacrifício, o confessemos e declaremos o que o versículo diz em sua última frase: façamos de Jesus Cristo nosso senhor.
Aí você pergunta: se eu agora sou servo de Deus, qual é o meu salário? Irmão, o mesmo versículo responde, é a vida eterna, o maior prêmio que uma pessoa pode almejar. Glória a Deus!
Tópico 4: A Lei, a Escravidão e a Graça
Em Romanos 6.15-18, Paulo fala da lei, da escravidão e da graça: "Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum! Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça." Vamos entender essa passagem.
Se Cristo perdoa nossos pecados, não estamos mais sob a obediência da lei e sim da graça. Se estamos debaixo da graça e sabemos que Cristo nos perdoa, podemos então continuar pecando deliberadamente porque Ele sempre irá nos perdoar? Alguns devem pensar assim, mas estão enganados. O perdão somente ocorre quando há arrependimento sincero. Se a pessoa já premeditou o pecado, não haverá arrependimento, nesse caso. Age dessa forma quem é escravo do pecado, nunca consegue se libertar, não experimentou o poder da graça de Deus. Mas, a pessoa que entendeu o poder da graça, se entregando a ela, é serva de Deus e o pecado não tem mais domínio sobre ela porque os grilhões do pecado foram soltos, ela agora é livre.
Conclusão
Nesta lição falamos bastante sobre o pecado, sendo este um tema que não é mais comumente abordado no meio evangélico, infelizmente. Líderes têm negligenciado os alertas bíblicos e estão conduzindo multidões ao inferno, prometendo o céu. Ministrações sobre o pecado estão até mesmo sendo proibidas nos púlpitos das igrejas.
Nunca se viu uma geração tão voltada ao pecado e à carnalidade como essa de hoje. Pessoas cegas e imersas no erro, no pecado, escravos da carne e do diabo que querem falar sobre moralidade. Nós somos luz, fomos alcançados pela graça de Deus e, como Seus servos, devemos ter uma posição nesse mundo, devemos lutar contra o pecado, contra as ofertas malignas.
Não podemos jamais querer servir a Deus e ao pecado. Assim como é céu ou inferno, luz ou trevas, morte ou vida, sim ou não, devemos tomar uma decisão que irá impactar toda a nossa eternidade. A decisão mais sábia é Jesus.
Editorial
Curso: Romanos
Ano: 2025
1ª Edição
Conselho Editorial:
Pr Sinval Júlio de Souza
Pr Lúcio Andres
Braitner Lobato
Revisão:
Pr Lúcio Andres
Projeto Gráfico e Diagramação:
Wagner Monteiro
Comentarista:
Pr Lúcio Andres