Livro de Isaías – Módulo II
Estudo aprofundado do livro do profeta Isaías, abordando a denúncia do pecado, o livramento de Deus, a grandiosidade do Senhor, a salvação messiânica e as promessas para o futuro glorioso de Sião.
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Sumário
- Lição 7 – Denúncia do Pecado e Livramento de Deus
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. Toda Impiedade É Castigada
- 2. A Repreensão e o Livramento de Jerusalém
- 3. O Reinado do Messias e a Libertação do Povo de Deus
- 4. A Ira de Deus Contra as Nações e o Dia da Igreja Triunfante
- Conclusão
- Lição 8 – Deus Não Deixa o Inimigo Vencer
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. Quando Tudo Parece Que Está Acabado
- 2. A Petulância do Inimigo
- 3. Na Hora da Angústia, Consulte a Deus
- 4. Deus Responde e Age
- Conclusão
- Lição 9 – Doença, Cura e Alerta de Deus
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. A Casa Deve Estar em Ordem
- 2. Deus É a Única Solução
- 3. Deus Responde as Orações
- 4. Atenção! Não Baixe a Guarda
- Conclusão
- Lição 10 – Quão Grande És Tu, Senhor!
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. A Majestade de Deus
- 2. Deus Prova Sua Grandeza
- 3. O Senhor É o Único Deus
- 4. Deus É Maior do Que os Nossos Inimigos
- Conclusão
- Lição 11 – A Salvação Vem do Senhor
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. O Servo do Senhor e os Gentios
- 2. O Servo do Senhor Ultrajado, Mas Fiel
- 3. A Redenção e a Restauração de Israel
- 4. O Sofrimento e a Glória do Messias
- Conclusão
- Lição 12 – Promessas e Alertas
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. O Futuro Glorioso de Sião
- 2. Busque a Salvação, Enquanto Pode
- 3. Deus É Contra os Guias Cegos e a Idolatria
- 4. O Jejum Que Deus Quer e a Maldade de Israel
- Conclusão
- Lição 13 – Teu É o Reino e Tua É a Glória
- Objetivo Geral
- Introdução
- 1. A Nova Jerusalém e Sua Glória
- 2. Um Novo Começo
- 3. Um Deus Que Trabalha Para o Que nEle Espera
- 4. Novos Céus e Nova Terra
- Conclusão
- Editorial
Lição 7 – Denúncia do Pecado e Livramento de Deus
Objetivo Geral
Texto áureo: Isaías 30.18
Demonstrar a denúncia do pecado e o livramento de Deus.
Introdução
Encontramos nos capítulos em referência (cap. 28-35) que, naquele momento, o propósito de Deus era evidenciar princípios e aplicações envolvidos no relacionamento entre Ele e o povo de Israel. O povo de Israel, os seus sacerdotes e profetas andavam continuamente ébrios pelo vinho e pela soberba (28.1,7), agindo de maneira rebelde. Assim, foi necessário demonstrar que, quando o povo rejeita a palavra e a aliança, segue-se a destruição, mas a fé que confia em um Deus soberano e amoroso é o único caminho a perseguir.
Porém, assim como um pai amoroso que repreende e corrige o filho, almejando para ele um futuro melhor, Deus age com o seus (Hb 12.5,6; Pv 3.12). O profeta Isaías foi porta-voz do Senhor para repreender e alertar o povo de Israel sobre o juízo vindouro, contudo, Deus preservaria alguns de Judá, o remanescente, e seria seu protetor. Conforme Isaías pregava a mensagem divina aos seus contemporâneos, Deus catalogava palavras de conforto e esperança aos futuros crentes, deixando claro que no grande dia "virá com poder, e o seu braço dominará; eis que o seu galardão está com ele, e diante dele vem a sua recompensa" (Is 40.10).
Assim, nesta oportunidade, você será conduzido a observar os pecados do povo de Israel e Judá outrora denunciados pelo profeta Isaías, e o cogente livramento de Deus, quer seja hodiernamente ou no grande Dia, àqueles que se arrependem e o buscam verdadeiramente.
1. Toda impiedade é castigada
Deus governa a história mundial sendo soberano sobre toda situação. Mesmo diante de tal assertiva encontramos Judá de forma deliberada, se recusando a confiar no caminho do Senhor para confiar no exército do Egito. E de outro lado, Samaria que era conhecida pela sua devassidão, deixando exalar o odor do pecado do orgulho, como bêbados cambaleando em direção da sua própria condenação.
Diante da falta de arrependimento, Deus enviou o rei da Assíria para destruir Efraim e levar as dez tribos cativas (28.2), assim como uma tempestade impetuosa a Assíria arrasa com o povo impenitente (2Rs 17). Da mesma maneira, Judá cometeu os mesmos pecados de Efraim, e mesmo diante dos avisos do Senhor, eles decidiram endurecer sua cerviz (2Rs 17.13,14). Pela sua rejeição à palavra do Senhor, eles mesmos caíram para trás, tropeçando na Pedra preciosa de esquina (Messias) (28.16) recebendo, então, o "dilúvio do açoite" como castigo, que pode referir-se ao exílio quando do ataque babilônio (2Rs 25).
Quando a santificação é negligenciada, o resultado será uma colheita catastrófica (Pv 22.8; Gl 6.6,7), assim, para uma boa colheita é imprescindível uma boa semeadura e é necessária a prática da perseverança. Muitos até iniciam a semeadura para colher em Deus, entretanto abandonam o processo antes da colheita. A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12.14), e a boa semeadura são inegociáveis na vida cristã!
2. A repreensão e o livramento de Jerusalém
No decorrer do reinado de Ezequias, rei de Judá, toda a Palestina estava em uma embaraçosa submissão à Assíria. Além do mais, as atitudes do governo da Babilônia geravam incertezas sobre a manutenção do poder dominador da Assíria. Nesse contexto, Judá se vê prestes a ser invadida pelos Assírios, momento em que o rei Ezequias frente às alternativas que possuía, que eram: a aliança com o Egito; com os Babilônios; ou com o Senhor, toma o caminho do erro, e assim, o rei de Judá firma aliança com os egípcios (30.2). Ou seja, Judá ergue o estandarte da rebelião.
Isaías expõe claramente a condição espiritual de Judá: "Porque este é um povo rebelde; são filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor. Eles dizem aos videntes: 'Não tenham mais visões!' E aos profetas: 'Não profetizem para nós o que é reto; digam-nos coisas agradáveis, profetizem ilusões.'" (Is 30.9,10). É notória a rebeldia, o desprezo e rejeição às advertências que provêm de Deus.
Nos dias atuais, temos encontrado fartamente ensinos que focam nos desejos humanos em detrimento da Palavra de Deus. Isso é o extraordinário querendo ser como o ordinário, o anormal como o normal e a exceção como a regra, são pessoas cheias de si, que não querem se adequar as verdades bíblicas, mas preferem se fartar de mentiras e engodos do inferno (2Tm 3.1-5).
Mesmo extemporâneo, o rei Ezequias toma uma atitude de fé, se arrepende e busca refúgio em Deus, em consequência ele pôde observar que Deus é tão bom quanto sua preciosa palavra (Sl 107.1), e o rei e Judá são salvos.
3. O reinado do Messias e a libertação do povo de Deus
Nesse momento, Isaías retira o foco do ataque iminente da Assíria sobre Jerusalém e vai ao tempo de paz. Em meio às injustiças dos reinos humanos, o profeta expõe que surgirá um tempo de verdadeira paz, momento este que será governado pelo próprio Messias (Reino Milenar).
É cediço que Isaías previu a vinda do Messias e sobre as circunstâncias de seu período na Terra, nenhum outro escrito é tão integralmente messiânico. O livro de Isaías é comumente conhecido como o "Evangelho de Isaías" frente a clareza e tantos detalhes sobre a primeira vinda do Messias e remissões a fatos que ainda irão se cumprir, a exemplo do reinado milenar de Jesus Cristo.
No versículo 22 do capítulo 33 de Isaías identifica-se o ideal perfeito da teocracia, pois o Senhor é encontrado como aquele que possui todos os poderes em sua mão. Ele é o Todo Poderoso (Sl 62.11), nada escapa do Seu controle, sendo ele o legislador, o julgador e executor de todo o mundo. (Lc 1.37).
4. A ira de Deus contra as nações e o dia da igreja triunfante
A ira de Deus é uma resposta divina à desobediência e pecado do ser humano. O apóstolo Paulo introduzindo o tema de sua epístola aos Romanos define que: "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos seres humanos que, por meio da sua injustiça, suprimem a verdade." (Rm 1.18). Assim, o derramamento da ira de Deus é necessário porque Ele é santo e justo. Logo, não toma o culpado por inocente (Ex 20.7; Ez 18.20; Na 1.2,3) e não faz qualquer acepção de pessoas (At. 10.34).
Nos capítulos 34 e 35, Isaías descreve, respectivamente, a vingança do Senhor sobre Edom como tipificando o inimigo escatológico de Deus e a restauração de Sião para servir como modelo da realização escatológica das promessas. O Senhor virá e salvará o Seu santo povo, e então, os olhos dos cegos serão abertos, os ouvidos dos surdos se abrirão, os coxos saltarão como cervos e a língua dos mudos cantará. (35.4-6) Maranata!
Em breve chegará o momento, não tardará e nem falhará, em que a noiva do Senhor será retirada deste mundo ao encontro do noivo. E aquele que deseja fazer parte desse momento triunfantemente indescritível, basta crer em Jesus Cristo como seu único, suficiente e eterno salvador e mergulhar no oceano da graça de Deus. (Ef 2.8) Você aceita?
Conclusão
Notavelmente, tanto Efraim como Judá se encontravam fora do prumo de Deus, recusaram a palavra de repreensão proferida por Isaías e perceberam o castigo. A lei da semeadura é vigente e não falha, pois o reto Juiz está velando pelos seus princípios.
Judá se mostrou carnal e rebelde quando preferiu a suposta segurança ofertada pelo exército dos egípcios em detrimento às firmes promessas de Deus. Tal atitude revelou o caráter imundo (28.8) de Judá, que se esconde da verdade atrás de mentiras. Mesmo diante dessa atitude, Deus estava atento ao clamor do remanescente, e quando o clamor surgiu e o arrependimento fluiu, Deus se apresentou com seu amor incondicional e livrou Seu povo.
No livro de Isaías encontramos o caráter messiânico e o apocalíptico fluindo de maneira cristalina reiteradas vezes, por influência disso, somos levados a viajar no tempo passado e futuro. Isso nos gera o desejo e a certeza do grande Dia do Senhor.
Assim, devemos refletir se estamos posicionados com os olhos fitos nos preceitos divinos, em transformação diária pela santificação e plantando sementes agradáveis ao Senhor e ao próximo.
Lição 8 – Deus Não Deixa o Inimigo Vencer
Objetivo Geral
Demonstrar que Deus sempre vence.
Introdução
Texto áureo: Isaías 37.20
No décimo quarto ano do rei Ezequias, o Reino de Judá foi invadido e atacado pelo Reino Assírio, então governado pelo rei Senaqueribe. O grande exército de Senaqueribe realizou uma invasão avassaladora que destruiu várias cidades de Judá, seguindo como um rolo compressor rumo à Jerusalém. Ao chegarem em Jerusalém, capital de Judá, o Rei Assírio envia seu conselheiro real para impor medo aos líderes e ao povo, momento em que Deus foi afrontado pelo porta-voz do rei Senaqueribe.
Sabemos que dias maus são inevitáveis na vida do ser humano, não sendo diferente na vida do cristão (Ef. 6.13), que por vezes se depara com momentos que parecem sitiá-lo. Ora, Jerusalém estava em quarentena forçada, não conseguia ver qualquer porta de escape, assim também é o olhar do cristão quando é trincheirado pelo inimigo, que age das formas mais perversas possíveis, zombando e tentando tirar a fé. Entretanto, são nesses momentos que o cristão deve replicar a atitude do rei Ezequias (37.1,2,14) e confiar plenamente do Senhor que nunca perdeu e nunca perderá uma batalha.
Com efeito, ao olhar para a narrativa dos capítulos 36 e 37, o leitor perceberá que Deus não deixa o inimigo vencer. O comportamento do cristão diante das adversidades pode ser moldado com base no exemplo do rei Ezequias. Em vez de ceder ao medo e ao desespero, o cristão deve confiar plenamente no Senhor e na Sua promessa de cuidado e vitória. Ele deve buscar a Deus em oração, buscando Sua direção e força para enfrentar as situações desafiadoras. Além disso, o cristão deve permanecer firme em sua fé, não permitindo que as provocações do inimigo abalem sua confiança no poder de Deus. Assim, "conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor!" (Os 6.3).
1. Quando tudo parece que está acabado
Os capítulos 36 e 37 do Livro de Isaías descreve o cerco de Jerusalém realizado pelo Rei Senaqueribe. Ele subiu ao trono em 705 a.C., depois da morte de seu pai Sargão II. Seu reinado foi marcado por atrocidades e desrespeito à vida humana. Nesse contexto outro personagem nos chama a atenção: Rabsaqué, conselheiro do rei Senaqueribe. Ele foi o porta-voz das afrontas proferidas pelo rei, face o rei Ezequias e ao Senhor.
Jerusalém agora está cercada pelo grande exército de Senaqueribe, que contava com no mínimo cento e oitenta e cinco mil soldados, as cidades circunvizinhas estão destruídas e os sobreviventes levados cativos, o medo e a insegurança tomam conta do coração do povo e de seus líderes. O temor é majorado diante das palavras de Rabsaqué, porta-voz e conselheiro real de Senaqueribe, quando em alta voz, junto ao aqueduto do açude superior, declara petulantemente seu poderio e a suposta pequenez de Jerusalém e de seu Deus. Antes de tudo isso, em 2Rs 18.13.16, o texto bíblico deixa claro que o Rei Assírio havia traído o Rei de Judá quando, aparentemente, aceita a sujeição de Ezequias, contudo repentinamente revigora as investidas contra Jerusalém.
O rei Ezequias vinha agindo diferentemente de seu pai, Acaz, que foi um fantoche nas mãos dos assírios, obedecendo os seus mandos e desmandos, levando o povo de Judá à idolatria e pagando altos tributos. Ezequias reteve os tributos que outrora eram pagos aos assírios e reprimiu a idolatria do meio do povo em Judá, postes-ídolos foram derrubados, destruiu os santuários pagãos, quebrou as colunas, transformou tudo em pedaços. Essas atitudes, fizeram com que o rei Senaqueribe avançasse em uma campanha militar contra Judá. Diante desse contexto deve-se firmar na mente e coração do cristão que, quando a fase está difícil, Deus está no controle de tudo (Is 43.13).
2. A petulância do inimigo
As palavras confrontadoras do rei Senaqueribe, proferidas pelo seu porta-voz Rabsaqué, demonstram a petulância do inimigo. Sua fala expressa que confiar no Egito é se colocar numa posição de desesperança (36.4-7), que, pelo olhar assírio, o próprio Senhor havia se insurgido conta o povo e ordenado o ataque, vez que teve seus altares reduzidos (36.7,10; 2Rs 18.4) e expôs a pequenez quantitativa do exército de Jerusalém (36.8,9). Não sendo suficiente as palavras de arrogância perpetrada face ao rei Ezequias, o porta-voz, agora, dirige-se ao povo e oferece uma oferta de paz, sob a condição de rendição, declarando que o povo não deveria dar ouvidos a Ezequias nem a Deus, pois nem um nem outro teria habilidade para livrar Jerusalém (36.15-20).
O erro de Rabsaqué foi a blasfêmia proferida no verso 18: "Não deixem que Ezequias os engane, dizendo: 'O Senhor nos livrará.' Será que os deuses das nações puderam livrar, cada um a sua terra, das mãos do rei da Assíria?". O Senhor ouviu (37.4,6,7) quando Rabsaqué o igualou aos deuses das demais nações. O Senhor é incomparável, não há nada nem ninguém que se compare ao nosso Deus (Is 40.18,25).
O cristão enfrenta constantemente afrontas do inimigo espiritual. O mundo, com seus valores e ensinamentos centrados no materialismo e na autoconfiança, tenta influenciar os servos de Deus. No entanto, mesmo diante da grandiosidade de Deus, Ele se torna perceptível para aqueles que o buscam sinceramente. É necessário que o cristão esteja atento a essas influências negativas e se mantenha firme na dependência do Senhor. Ao buscar uma comunhão íntima com Deus, ele encontrará força, sabedoria e discernimento para resistir às tentações do mundo e permanecer fiel aos princípios bíblicos.
3. Na hora da angústia, consulte a Deus
O povo de Jerusalém se encontrava em uma situação de extrema adversidade diante do exército assírio que os cercava. Com uma força militar imponente e um clima de medo e tensão, a cidade estava ameaçada de total destruição. A pressão psicológica imposta pelo inimigo era insuportável, afetando profundamente a mente e o coração do povo. Ao observarem as cidades vizinhas totalmente arrasadas e ao olharem para o Egito em busca de esperança, só encontravam desesperança. Diante desse panorama desafiador, surge a questão: qual seria o próximo passo?
Nesse momento crucial, Ezequias toma a melhor atitude possível: ele se prostra diante do Senhor em oração. O rei rasga suas vestes e se cobre de pano de saco (37.1), expressando angústia e arrependimento. Ele se humilha diante do Rei dos reis, reconhecendo sua própria pequenez e fragilidade. Ao mesmo tempo, Ezequias ordena que seus servos informem Isaías sobre as palavras petulantes do rei Senaqueribe, buscando uma resposta de Deus por meio do profeta. E, de fato, Deus responde à oração de Ezequias por intermédio de Isaías.
Em tempos de adversidade, devemos seguir o exemplo do rei de Judá, buscando refúgio no lugar adequado e nos aproximando de pessoas tementes a Deus, que possuam experiência, sabedoria e conhecimento espiritual. Quando a aflição se intensifica, não devemos hesitar em buscar o conselho e a orientação daqueles que são instrumentos de Deus. Como vemos no livro de Isaías 41:13, não estamos sozinhos, pois o próprio Deus nos garante que Ele está ao nosso lado. Portanto, diante de obstáculos difíceis e batalhas árduas, não hesite em buscar ajuda. Lembre-se de que há apoio disponível e você não precisa enfrentar as dificuldades sozinho.
4. Deus responde e age
Quando Ezequias recebe pela segunda vez as palavras de afronta de Senaqueribe, ele age sabiamente ao buscar a Deus através da oração e ao apresentar a carta recebida. O Senhor responde a Ezequias por meio do profeta Isaías, assegurando-lhe que Senaqueribe e seu exército não entrarão em Jerusalém, e que nem mesmo uma flecha será lançada contra a cidade. Além disso, é declarado que Senaqueribe retornará pelo mesmo caminho pelo qual avançou (37.34).
Agora, um ato divino de proporções maciças acontece: o Anjo do Senhor, naquela mesma noite, fere cento e oitenta e cinco mil soldados assírios de uma única vez, criando um cenário de espanto e desespero para os sobreviventes e de êxito pós-batalha para o povo de Jerusalém. Os meios sobrenaturais utilizados pelo Senhor nos relembram a morte dos primogênitos no Egito (Êxodo 12.12). Assim, Deus luta em favor do seu povo, cumprindo sua fidelidade à promessa feita a Davi (37.35).
Mesmo diante daquela visão perturbadora, Senaqueribe persiste com o coração endurecido e retorna a Nínive. Lá, enquanto adorava seu deus, é assassinado à espada por seus próprios filhos, Adrameleque e Sarezer, que fogem deixando como sucessor o filho Esar-Hadom. Enquanto Senaqueribe encontra a morte no templo de seu deus Nisroque, do outro lado, Ezequias encontra a vida no templo de seu Deus!
Conclusão
A Assíria revelou sua prepotência e orgulho devido à sua habilidade na guerra e ao seu poderio militar. Eles confiavam completamente na força humana e nos deuses feitos por mãos humanas, que eram impotentes. No entanto, aqueles que confiam em Deus nunca serão abalados (Sl 125.1), mesmo que aparentemente não possuam habilidades ou forças visíveis.
Às vezes, os caminhos percorridos pelos cristãos podem parecer sombrios, como se não houvesse saída, e o inimigo pode parecer maior do que realmente é. A petulância e a prepotência do inimigo com suas investidas podem afetar psicologicamente aqueles que resistem a tais ataques.
No entanto, Deus nos chama a confiar em Sua Palavra (Sl 127.1,2), a depender exclusivamente d'Ele, lembrando sempre que o Guarda de Israel nunca dorme nem cochila (Sl 121.4). O Senhor tem levantado diariamente pessoas para amar e servir, com o propósito de demonstrar Seu cuidado por meio da união.
Aconteça o que acontecer, independentemente das circunstâncias, a realidade é que Deus nunca perde uma batalha. Portanto, podemos desfrutar de verdadeira segurança e felicidade provenientes da maravilhosa graça do Senhor. Podemos declarar, mesmo sendo fracos: "Eu sou forte" (Jl 3.10).
Lição 9 – Doença, Cura e Alerta de Deus
Objetivo Geral
Destacar a cura do rei Ezequias e a necessidade de se manter alerta.
Introdução
Texto áureo: Isaías 38.16
O rei Ezequias encontra-se agora moribundo, pois padecia de uma enfermidade mortal. Esse prólogo histórico está elencado em 2Rs 20.1-11, 2Cr 32.24-31 e no capítulo 38 de Isaías, texto que estudaremos nesta lição juntamente com o capítulo 39.
Não se sabe ao certo, mas é plausível dizer que tal fato pode ter ocorrido antes do cerco de Jerusalém pelos assírios. Entretanto, o que podemos afirmar é que o rei Ezequias foi acometido por uma doença que fatalmente o levaria à morte, o texto bíblico não expõe qual era a doença, mas sabemos que um dos sintomas era o surgimento de úlcera. É exatamente nesse momento que o Senhor ordena que o profeta Isaías fosse até a presença de Ezequias e lhe avisasse que ele deveria colocar a sua casa em ordem, pois logo morreria. Diante do aviso, Ezequias clama a Deus pedindo socorro e chora copiosamente. Então, antes que o profeta Isaías houvesse saído da cidade (2Rs 20.4), Deus ordena que ele retorne e diga para Ezequias: "Ouvi a sua oração e vi as suas lágrimas" (38.5).
A ordem do Senhor para que o profeta retornasse demonstra que o Senhor ouve o clamor do cristão (Jr 29.12,13). A Palavra de Deus impulsiona os crentes a orarem constantemente (Ef. 6.18), não desanimando, mas confiantes de que no momento certo o Senhor virá com a solução (1Pe 5.7). Ou seja, a oração demonstra confiança em Deus (Sl 20.7; Jr 17.7).
1. A casa deve estar em ordem
O termo "colocar a casa em ordem" remete à vida familiar, ou seja, à prática diária voltada ao discipulado e à vivência da fé no lar. Esse termo nos ajuda a compreender que Deus não se preocupa apenas com nossa vida espiritual, mas também com a vida familiar, incluindo o relacionamento entre marido e mulher e a criação dos filhos (Gn 18.19; Dt 6.2,7; Pv 22.6; Ef 5.22,25; 6.1,4).
O Senhor conhecia a deficiência do rei Ezequias no cuidado com sua família, mesmo sendo um homem de fé (2Rs 18.5). Ele tinha a falha da negligência familiar, um erro que afeta inúmeros lares. O rei deveria se preparar para passar o bastão, realizar uma organização sucessória, mas isso não aconteceu. Após receber a notícia de que viveria mais quinze anos, Ezequias passou a pensar apenas em si mesmo e desprezou as gerações futuras (2Rs 20.19). Como resultado, ele gerou um filho chamado Manassés, que se tornou conhecido como o pior rei de Judá (2Rs 21.1-18; 2Cr 33.1-20). Suas ações foram completamente contrárias às de seu pai, chegando ao ponto de praticar o horrível ato de sacrificar seu próprio filho.
No mundo atual, vivemos em tempos de instabilidade de valores, onde o certo e o errado mudam constantemente e com grande facilidade. No entanto, os valores expostos na Palavra de Deus são imutáveis e constituem a última palavra e o único manual para a vida familiar.
2. Deus é a única solução
Ao receber a notícia de que morreria, Ezequias vira o rosto para a parede em sinal de dependência exclusiva de Deus, como se dissesse que não existe mais ninguém além do Senhor. Ele ora e, aos prantos, clama fazendo remissão às suas atitudes que expressaram lealdade a Deus, esperando que Ele leve isso em conta ao dar seu veredito.
Nas três passagens bíblicas que relatam a história da doença de Ezequias e sua maravilhosa cura, identificamos que a enfermidade que acometia o rei era mortal (Is 38.1; 2Rs 20.1; 2Cr 32.24). Seu estado de saúde era tão grave que um dos sintomas era uma úlcera (Is 38.21), que provavelmente não conseguia cicatrizar. Ou seja, aos olhos humanos, não havia mais solução, ele estava no leito da morte.
Diante do clamor e das lágrimas de arrependimento de Ezequias, o Senhor ordena que Isaías retorne e libere uma palavra de cura e sobrevida. Quando buscamos respostas na fonte correta, a solução é apenas uma questão de tempo. Aqueles que colocam sua fé em Deus podem descansar seguros, ao ponto de enxergar paz em meio à guerra, sabendo que os milagres são para os dias de hoje tanto quanto foram para o tempo de Jesus Cristo (Is 53.5; Mt 4.23; Tg 5.14,15). Deus é "aquele que cura vocês" (Ex 15.26).
3. Deus responde as orações
Deus fez promessas a Davi e nunca as abandonou, nem mesmo em relação aos seus filhos. Ele sempre cumpre suas promessas e permanece fiel em todos os momentos. A oração de Ezequias mostra que, em tempos de aflição, os seres humanos recorrem ao poder de suas boas ações como uma forma de barganhar com Deus. O rei clama: "Lembra-te de que tenho andado diante de ti com fidelidade, com coração íntegro, e tenho feito o que é reto aos teus olhos" (38.3). No entanto, prevalece a misericórdia amável de Deus, que ouve nossos clamores, mesmo quando baseados em presunções hipócritas.
Ao se render a Deus em oração e se colocar em uma atitude de rendição, o rei Ezequias recebeu uma resposta instantânea ao seu clamor. A resposta foi rápida, pois "Antes que Isaías saísse do pátio central, a palavra do Senhor veio a ele, dizendo: Volte e diga a Ezequias..." (2Rs 20.4,5a). As respostas e soluções de Deus ocorrem no tempo adequado (Rm 8.28), sempre ajustadas a cada situação específica. Portanto, não devemos ficar ansiosos, mas confiantes naquele que tem todo o poder (Fl 4.6).
No cântico de louvor pela restauração de sua saúde (38.9-20), Ezequias reconhece a soberania de Deus. O salmo combina sua oração anterior e a cura recebida com toques de lamento (38.10-14) e gratidão ao Senhor (38.15-20). O cântico revela que seu espírito voltou à posição de humildade (2Cr 32.26).
4. Atenção! Não baixe a guarda
A notícia da cura maravilhosa e do sinal realizado para confirmar o milagre se espalhou rapidamente, chegando aos ouvidos do rei da Babilônia. O Senhor fez o sol retroceder dez graus (Is 38.7,8) para demonstrar a Ezequias que Ele é fiel à Sua palavra. Esse sinal atraiu especialmente a atenção dos babilônios, que eram conhecedores da astronomia (2Cr 32.31).
Em resposta, o rei babilônico Merodaque-Baladã enviou cartas e presentes a Ezequias. No entanto, mesmo com acertos anteriores, o rei Ezequias continuou tomando decisões que revelaram sua instabilidade quando estava sob pressão e tentação. Ele mostrou toda a sua riqueza dada por Deus (2Cr 32.27-29; Is 39.4) e se mostrou aberto à ideia de uma aliança com os babilônios.
Diante disso, Isaías profetizou o exílio babilônico que aconteceria nos próximos anos (39.6,7). Mesmo diante do oráculo de Deus e da acusação profética, Ezequias se mostrou indiferente em relação às gerações futuras, pensando: "Haverá paz e segurança em meus dias" (39.8).
O inimigo espiritual ataca de forma sorrateira nos pontos mais sensíveis de cada cristão, especialmente após uma vitória. Esse é um momento estratégico, pois a euforia pode dominar os sentimentos e o cristão pode se encontrar desprevenido. É necessário estar vigilante durante nossa jornada neste mundo.
Conclusão
A família é uma instituição divina, criada por Deus (Gn 2.24) e consequentemente protegida por Ele. Podemos verificar essa afirmação quando o profeta Isaías recebe a ordem do Senhor para que o rei Ezequias colocasse sua casa em ordem, pois ele iria morrer devido à doença que havia contraído. Diante da iminência da morte, Ezequias toma a atitude correta e busca, exclusivamente em Deus, a solução para sua enfermidade mortal. Quando as lágrimas de arrependimento escorrem pelo rosto do cristão, Deus move os céus e até mesmo o sol para confirmar suas promessas.
Podemos identificar que Deus atendeu ao pedido de Ezequias (não morrer), mas Ezequias não atendeu ao pedido de Deus (colocar sua casa em ordem), pois falhou em preparar uma sucessão pacífica e baixou a guarda diante das sutilezas do inimigo.
Nos relatos bíblicos sobre a vida, morte e sucessão do rei Ezequias, Deus registra ensinamentos valiosos e aplicáveis atualmente, tanto para a esfera individual quanto familiar. Esses ensinamentos frutificarão em justiça (Fl 1.9-11) na vida daqueles que buscam conhecimento na Verdade (Jo 17.17) e a praticam (Tg 1.22).
Lição 10 – Quão Grande És Tu, Senhor!
Objetivo Geral
Demonstrar a grandiosidade do Senhor.
Introdução
Texto áureo: Isaías 40.22,23
O livro do profeta Isaías é comumente conhecido entre os estudiosos como a "mini Bíblia", pois possui 66 capítulos, que se assemelham aos 66 livros da Bíblia. Os primeiros 39 capítulos tratam diretamente da relação entre o Senhor e os judeus, enquanto os próximos 27 falam sobre a graça, a salvação e a segunda vinda do Messias, abrangendo também os gentios. Essa divisão curiosamente reflete o cânon bíblico, no qual o Antigo Testamento possui 39 livros direcionados principalmente aos judeus, e os próximos 27 abordam a graça, a salvação e a volta de Jesus, sendo destinados não apenas aos judeus, mas também aos gentios. Assim, iniciaremos resumidamente os estudos sobre as profecias de salvação, graça e esperança.
Neste momento, o livro revela a supremacia e a grandiosidade de Deus diante de tudo e todos, tanto no passado, no presente quanto no futuro (40.12-41.29). Deus é o perfeito criador (42.5; 45.18), cujas palavras são eternas (40.8), Ele guarda fielmente o Seu povo (40.11), possui todo o poder (onipotência) (40.12) e todo o conhecimento (onisciência) (40.13,14). Nada e ninguém se compara ao Senhor. Portanto, toda adoração deve ser direcionada exclusivamente a Deus, que declara: "Eu sou o primeiro e eu sou o último, além de mim não há Deus" (44.6).
Como não se render diante da majestade de um Deus que demonstra Sua grandeza e sabedoria por meio da criação e da Sua palavra? Portanto, quando o cristão se encontrar diante de inimigos aparentemente insuperáveis, ele deve clamar ao único Deus que tem o poder para derrotar a "Babilônia" como prova de Seu amor e fidelidade.
1. A majestade de Deus
Da mesma forma que a mensagem de desastre chegou no passado (39.5-7), também veio a mensagem de conforto (40.1,2). O livro do profeta Isaías descreve a promessa de libertação para Israel, consolando o povo diante do exílio e antecipando o fim dos cativeiros em Babilônia. Essa mensagem anunciava o fim do sofrimento causado pelo castigo divino e a chegada das bênçãos e da salvação. É evidente a atemporal sabedoria de Deus, revelando que Ele não está sujeito ao tempo, mas é o Criador do tempo (Ap 4.11).
No campo da apologética, o escritor Ralph O. Muncaster, em sua obra "Examine as Evidências", apresenta várias afirmações científicas que já foram declaradas pela Palavra do Senhor no passado. Um exemplo notável é o formato da Terra, que, mesmo antes da afirmação de Copérnico no século XV/XVI, a maioria acreditava que a Terra era plana, seguindo o modelo geocêntrico aristotélico. No entanto, a Bíblia já afirmava, por volta de 700 a.C, no livro de Isaías 40.22, o formato circular da Terra. Isso mostra claramente a onisciência de Deus diante do limitado conhecimento humano.
O Senhor é incomparável e superior a qualquer ídolo. Ele não apenas age em favor daqueles que nEle esperam, mas também exerce constantemente Seu atributo de onipotência, renovando as forças daqueles que O aguardam (40.28-31).
2. Deus prova Sua grandeza
"Não tema, [...] não fique com medo, [...] Eu lhe dou forças" (41.10). Essas afirmações revelam claramente a essência do compromisso divino e instruem o povo a renunciar ao medo e se firmar na presença de Deus. O Senhor promete lutar as batalhas e vencer as guerras (2Cr 20.17), libertando assim o Seu povo. Diante dessa promessa, o cristão pode confiar que, à medida que a oposição do mundo aumenta, sua eficácia diminui (41.12). "Pois eu, o Senhor, seu Deus, o tomo pela mão direita e lhe digo: 'Não tenha medo, pois eu o ajudarei'" (41.13).
Portanto, a glória pertence ao Senhor e Ele não a compartilha com nada nem ninguém (42.8), soli deo gloria. Atribuir glória e honra a Deus é uma forma de expressar que Ele é único, eterno, exclusivo, inigualável, poderoso e santíssimo Senhor na vida daqueles que assim O proclamam. A Ele seja a glória para sempre! (Rm 11.36).
O salmista já proclamava que confiar no Senhor é o motivo para permanecer firme continuamente (Sl 125.1). Confirmando essa afirmação, os versículos 2, 6 e 7 de Isaías 43 revelam as promessas de Deus em resgatar Israel e garantir proteção, independentemente do tamanho e do poder do inimigo. O Pai Eterno é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Portanto, lance sobre Ele toda a sua ansiedade (1Pe 5.7), pois Ele te guardará (43.2) e suprirá todas as suas necessidades (Fl 4.19).
3. O Senhor é o único Deus
Nos versículos 2 e 3 do capítulo 44 de Isaías, podemos ver Deus comparando a si mesmo a uma mãe cuidadosa e protetora que concebeu e deu à luz a um filho. Ele promete uma restauração e um avivamento intenso, comparando-os às torrentes de águas derramadas sobre o sedento e sua posteridade. A restauração após o exílio e a profecia do futuro avivamento estavam firmadas pelo único e verdadeiro Senhor de toda a história. As Escrituras Sagradas repetidamente ensinam que há apenas um Deus verdadeiro (Dt 6.4; Is 43.10-11; 44.6; Rm 3.30; Gl 3.20; Ap 1.8), existindo em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo (2Co 13.13; 1Jo 5.7), e elas indicam a relação imutável que o Senhor mantém com seu povo (Tg 1.17).
Portanto, não há como comparar o Senhor aos ídolos, objetos que dependem da força do braço humano para serem confeccionados (44.12) e que não podem fazer nada, exceto serem lançados no fogo e servirem de lenha (44.14-19). O profeta Isaías expõe a loucura e a insensatez da idolatria, mostrando que são obras das mãos humanas, como "espantalhos" que não falam e não podem se locomover (Jr 10.3-5).
A compreensão de que o Senhor é o único Deus nos leva a uma comunhão mais íntima, pois entendemos a necessidade de entregar todos os nossos pensamentos, sentimentos, atitudes e problemas a Ele. É imperativo depositar completamente a nossa vida diante do Senhor.
4. Deus é maior do que os nossos inimigos
O Senhor se apresenta como o criador de todas as coisas e, consequentemente, como aquele que pode dar continuidade aos seus propósitos, sem que ninguém possa detê-lo. Poderia a criatura contender com seu criador? Jamais (45.9)! De forma semelhante ao descrito no livro de Gênesis (Gn 1.1,2), o Senhor reitera seu poder criador (45.18) e demonstra que é capaz de levar adiante o seu plano sem qualquer interrupção (Jó 42.2).
O profeta Isaías anunciou que o tempo de angústia e sofrimento que o povo de Israel passaria na Babilônia chegaria ao fim, que o jugo babilônico seria quebrado e que as bênçãos logo estariam a caminho. As profecias relatam que a Babilônia e seus ídolos seriam derrubados pelo Todo-Poderoso através do rei persa Ciro II (45.1). Toda a altivez e poder babilônico, juntamente com seus deuses impotentes, seriam destruídos diante do infalível plano do Senhor.
O profeta mais uma vez destaca o cuidado e amor do Senhor pelo seu povo, comparando-o ao amor materno (46.3), que é a expressão de amor humano mais gratuita que existe até os dias de hoje. O Senhor é indiscutivelmente superior a todos, e nenhum inimigo pode escapar de suas poderosas mãos. Ele está e continuará cuidando fielmente do seu povo. "Mil poderão cair ao seu lado, dez mil à sua direita, mas nada o atingirá." (Sl 91.7)
Conclusão
Só há um Deus vivo e verdadeiro, o Deus criador dos céus e da Terra (45.18), o mantenedor da vida (Sl 36.9), aquele que sustenta o universo com sua poderosa palavra (Hb 1.3) e que tem o controle dos tempos (2Pe 3.8). Para Deus, não há doença incurável, vida irrecuperável ou casamento sem solução, pois para Ele todas as coisas são possíveis (Mt 19.26). Perseguir o caminho que leva ao conhecimento do Senhor é ser fortalecido, pois aqueles que conhecem a Deus são um povo forte (Dn 11.32).
A sorte de Israel foi mudada, como destacado pelo profeta Isaías, que ressalta o livramento que o povo alcançaria durante o exílio babilônico. Ele revela que o poder de Deus é incomparável e que Seus propósitos sempre se cumprirão, e nenhum inimigo tem poder semelhante para detê-Lo.
Entregue sua vida nas mãos de Deus, pois Ele é suficientemente amoroso, poderoso e sábio para cuidar, guiar, proteger e salvar você. Mesmo que as lutas desta vida cheguem, mesmo que a tempestade desabe sobre você e que o inimigo tente impedi-lo, se sua vida estiver nas mãos do Senhor, você estará sempre protegido! "Guarda-me, ó Deus, pois em Ti me refugio." (Sl 16.1).
Lição 11 – A Salvação Vem do Senhor
Objetivo Geral
Demonstrar que a salvação vem somente do Senhor Jesus.
Introdução
Texto áureo: Isaías 52.7
No verso 16, capítulo 10 do evangelho de João, o próprio Cristo afirma que: "Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco. Preciso trazer também estas. Elas ouvirão a minha voz e, então, haverá um só rebanho e um só pastor.". O texto revela que convém ao Senhor agregar ao seu aprisco ovelhas de outras paragens. Deste modo, o conceito de Povo de Deus foi largueado aos gentios (povos e nações distintos do povo israelita), possibilitando a salvação de todos (Rm 11.1-32). Nesta lição, veremos o profeta Isaías destacando o Messias (Servo do Senhor) como o responsável por encaminhar as nações a servirem a Deus (49.6), sendo essa missão realizada por meio de seu corpo, ou seja, sua igreja (1Co 12.27).
Durante o exílio babilônico, era previsto que o povo de Israel se mostrasse descrente com o livramento do Senhor. Diante disso, Isaías repreende a descrença e demonstra que Deus jamais abandona seu povo, diferentemente do que ocorreria no futuro, quando os judeus rejeitaram a Jesus Cristo (Jo 1.11).
O Cristo rejeitado pelos judeus é apresentado em Isaías como servo sofredor, que padeceria e não seria tratado como ser humano (52.14), sem aparência (53.2), desprezado pelos homens (53.3). Mas, mesmo diante da dolorosa rejeição, Cristo tomou sobre si as nossas mazelas (53.4) e nos curou (53.5), trazendo salvação a todos os homens e tornando-se vitorioso eternamente (53.11).
1. O Servo do Senhor e os gentios
Até os dias atuais, não seria impróprio dizer que o amor de mãe é o mais altruísta que existe entre os seres humanos. Sabe-se que existem poucas exceções, mas a regra é a entrega de um amor que não espera nada em troca. Em consideração a isso, o Senhor se assemelha a uma mulher que nunca, jamais se esqueceria do seu filho recém-nascido e que estaria continuamente vigilante, como aquela mãe que vela seu filho durante o sono (49.15,16). Este amor é tão intenso e incomparável que "[..] Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores." (Rm 5.8).
Isaías profetiza sobre o Servo do Senhor (49.3), destacando que ele seria o instrumento pelo qual Deus seria adorado por todos, inclusive pelos gentios (49.6). Sem qualquer dúvida, a profecia diz respeito a Jesus Cristo, o Messias que viria para reconciliar os judeus e levar os gentios a servirem ao Senhor dos senhores. Ora, a profecia revelada por Deus a Isaías demonstra seu amor salvífico tanto por judeus quanto por gentios "[...] Farei também com que você seja uma luz para os gentios, para que você seja a minha salvação até os confins da terra." (49.6b).
A graça do Senhor evidencia a sua misericórdia sobre aqueles que não merecem. Mesmo em situação degradante e flagrantemente imundos pelo pecado, Deus alcança todos os que se rendem ao pé da cruz declarando que Jesus Cristo é o Senhor (Rm 10.9,10).
2. O Servo do Senhor ultrajado, mas fiel
O desrespeito e descrédito de Israel, alinhados com suas iniquidades e transgressões frente à profecia do iminente exílio que sofreriam pelas mãos dos babilônios, foram um prenúncio da posterior rejeição dos judeus a Jesus Cristo. Entretanto, o Senhor não se cansa de alertar o povo de Israel sobre a vinda do Messias e o cumprimento da divina tarefa do Servo, pois assim como as demais nações, Israel também depende do sacrifício de Jesus Cristo para sua salvação.
Isaías revela que o ultraje de Jesus não era suficiente para interromper sua fidelidade para com aqueles que sempre existiram e sempre existirão, os fiéis servos remanescentes, que não se deixam corromper com as imundícias do mundo, mas olham para o alto e clamam incessantemente: Maranata! Pois não são deste mundo (Jo 15.18) e sabem que Deus os amou ao ponto de entregar seu próprio filho para lhes salvar (Jo 3.16).
A narrativa profética antevê que o Cristo seria plenamente obediente a Deus, mesmo diante da terrível morte que padeceria (Fl 2.8), não levou em consideração as afrontas e o desrespeito do seu próprio povo (Sl 69.7-10). Jesus Cristo já sabia antecipadamente tudo o que passaria para trazer salvação (Mc 8.31-33; 9.30-32; Mt 20.17-19; 26.1,2; Jo 18.4) e mesmo assim não retrocedeu, pois olhava com seu incomparável amor para você.
3. A redenção e a restauração de Israel
O termo redenção significa a liberdade alcançada mediante o pagamento de um preço. O ser humano é pecador e, por isso, carece da glória de Deus para alcançar a libertação dessa culpa, sendo obtida mediante a redenção que há em Cristo (Rm 3.23,24). Já o termo restauração é o mesmo que renovar (Mt 17.11) ou restabelecer (Jr 30.17), ou seja, reaver a posição ou estado que foi perdido. O remanescente de Israel (51.1) agora recebe uma palavra de conforto e entusiasmo, deixando claro que Deus não deixaria de redimir e restaurar os fiéis, trazendo regozijo e alegria em lugar da amargura (51.12).
Sobre o tema deste tópico, cabe uma análise escatológica (estudo das últimas coisas) sobre o tratamento do Senhor para com Israel. Nos oráculos de Isaías, é notório que Israel seria o centro de toda a disseminação da Palavra de Deus (Ex 19.5,6), que o Messias nasceria naquela nação e que seu reino duraria para sempre (Sl 145.13). Contudo, Israel falhou diante do chamado do Senhor por causa dos seus vários pecados, sendo necessário estabelecer um "novo concerto" (Jo 1.11,12). Assim, após o arrebatamento da igreja, restarão somente os judeus e os gentios, mas as promessas de redenção e restauração de Israel não serão quebradas ante a fidelidade de Deus.
Hodiernamente, é bem-aventurado aquele que anuncia as boas-novas (52.7), pois apregoa a salvação em Cristo, revelando que os cativos poderão ser libertos, os doentes curados e os aflitos gozarem da paz através da maravilhosa redenção que há em Jesus.
4. O sofrimento e a glória do Messias
Nos versos 2 e 3 do capítulo 53 de Isaías, o profeta registra a impressão externa transmitida pelo Servo do Senhor. O texto isaiano revela que ele teria uma origem humilde (Is 11.1), que não teria beleza que chamasse a atenção das pessoas ou criasse predileção. O texto continua afirmando que ele experimentaria desprezo, ódio, injustiça, dores e morte (Fl 2.7,8). Tudo isso sobreveio sobre Cristo, que se entregou para ser pregado no madeiro por amor.
O cumprimento solitário dessa missão de amor fez Jesus receber sobre si o castigo de todos os nossos pecados, retirando o sofrimento oriundo da queda adâmica e dos pecados pessoais. Sobre Ele desabou a iniquidade de todos nós, foi oprimido e humilhado. Contudo, realizou tal feito como o verdadeiro Cordeiro de Deus, calado e em plena submissão ao Pai (53.4-9).
Jesus agiu através da substituição, lançando sobre os seus ombros o fardo cheio das sanções que nós deveríamos pagar, sofrendo uma punição sobre-humana. Ele foi pagando a pena que era nossa. Por fim, sua obra de sofrimento cumpriu a vontade do Senhor, pois enquanto as pessoas meneavam a cabeça olhando para cruz, Ele, de forma voluntária, dava sua vida por todos. Não obstante, ao terceiro dia, Ele ressuscitou e permanece vivo para todo o sempre!
Conclusão
O autor da narrativa do livro de Jonas exibe em seus escritos que: "Ao Senhor pertence a salvação!" (Jn 2.9b). Resta evidente que a salvação vem única e exclusivamente de Jesus Cristo, o Servo do Senhor, que não fez e não faz acepção de pessoas (At 10.34), quer seja judeu ou gentio, Ele bate à porta, aguardando que seja aberta para entrar com salvação (Ap 3.20).
Isaías profetiza que o Servo do Senhor viria e seria a ponte que religaria os judeus e ligaria os gentios a Deus. O Servo seria ultrajado, mas, mesmo ciente do que iria passar, permaneceria fiel às promessas de Deus, pois tinha os olhos fitos na redenção e restauração de todos aqueles que nEle creem. O sofrimento e morte suportados por Cristo fazem os olhos do coração mais duro marejar, mas, ao final, Ele se apresentou vencedor para nos justificar. (Jo 11.25,26).
Para ser salvo, é preciso reconhecer que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e que ressuscitou ao terceiro dia dentre os mortos (Rm 10.9). O Messias é o único mediador capaz de levar o homem a Deus (1Tm 2.5), ou seja, Ele é o único capaz de lhe dar a vida eterna (Jo 5.24; 10.28).
Lição 12 – Promessas e Alertas
Objetivo Geral
Destacar as promessas de Deus e os alertas sobre o pecado.
Introdução
Texto áureo: Isaías 55.6,7
Deus concede inspiração ao profeta Isaías para que escreva seus alertas e evidencie suas promessas ao povo contemporâneo. Contudo, as mensagens também têm cunho escatológico, servindo como um alerta para aquela geração e para o futuro, apresentando como será glorioso quando chegar o grande Dia.
Ao alertar o povo sobre o pecado da idolatria, Deus deixa claro que não aceita e nem pactua com a atitude daqueles que colocam sua confiança em ídolos e que praticam a imoralidade e a luxúria. Tal estilo de vida leva à morte (Rm 6.23a). O povo de Israel estava ludibriado com os rituais mundanos, ritos cheios de feitiçaria, adultério, depravação e morte. Chegavam ao ponto de sacrificarem os próprios filhos aos deuses pagãos. Assim, o profeta alerta o povo para não colocarem sua confiança nos ídolos, pois com um simples sopro eles seriam destruídos. Em vez disso, devem confiar no Senhor (57.13).
A ordem é alargar a tenda, olhando para o futuro glorioso que Deus tem reservado para o povo fiel. Para aqueles que recebem gratuitamente a graça oferecida, que não se dobram diante do mundo, suas práticas e seus inúmeros "ídolos", mas, rasgam seus corações e se doam diariamente em prol do voluntariado, tendo por meta conectar pessoas a Cristo com amor e graça.
1. O futuro glorioso de Sião
Isaías profetiza que, devido ao pecado, Israel e Judá estariam cabisbaixos no exílio babilônico. No entanto, a boa notícia de salvação convida o povo sofrido a se alegrar frente ao futuro que os esperava. Tal convite é universal, o esforço e o incomparável amor do Servo do Senhor revelam o resultado que somente Ele poderia alcançar: a salvação para todo o homem. O escritor aos Hebreus aplica a profecia descrita em Isaías 54.1 à Jerusalém celestial (Hb 12.22), destacando assim o caráter profético do texto, que se cumprirá quando os crentes entrarem nos portais celestes (Gl 4.26).
O profeta Isaías demonstra a beleza do futuro glorioso prometido à Jerusalém. O chamado para que louvem a Deus é anunciado, as bênçãos estavam chegando em grande escala. O temor deverá bater em retirada, dado que a humilhação já é finda e o povo não será mais envergonhado, porquanto o Criador será e é o seu redentor (54.5). Naquele dia, a misericórdia não deixará Jerusalém e a paz reinará em definitivo. (Ap 21.4; 1Co 15.26; Is 35.10).
Sabe-se que muitas são as armadilhas e artimanhas preparadas constantemente pelo inimigo no intuito de derrubar o cristão fiel. É notório o avanço do mundo com seus conceitos e ensinos divergentes à Palavra de Deus, o ataque contumaz com ensinos malignos aos de tenra idade. Sem falar na quantidade crescente de falsos mestres que se intrometem no meio da igreja com doutrinas destruidoras (2Pe 2.1). Todavia, o Senhor nos garante que "nenhuma arma forjada contra você prosperará" (Is 54.17).
2. Busque a salvação, enquanto pode
O tão precioso evangelho é ofertado gratuitamente, pois o preço já foi pago (1Co 6.20; 1Pe 1.18,19). Mesmo o mais pobre e miserável dos homens pode adquiri-lo, não há barreira, basta querer, confessar e crer (Rm 10.9). O ser humano que recebe o evangelho e crer no Cristo ressurreto gozará de satisfação plena no Espírito Santo.
A maldade humana, em todas as suas formas, exige arrependimento. Para tanto, Isaías apresenta nos versos 6 e 7 do capítulo 55, um dos textos bíblicos mais populares, alertando o homem sobre a necessidade de, em arrependimento, buscar a Deus na pessoa de seu Filho Jesus: "Busquem o Senhor enquanto ele pode ser encontrado; invoquem-no enquanto ele está perto. Que o ímpio abandone o seu mau caminho, e o homem mau, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar." (Is 55.6,7). Jesus Cristo se mantém de braços abertos, esperando os que o buscam (Jo 6.37).
A Palavra proferida pelo Senhor sempre cumprirá o desígnio para o qual foi enviada. Ela nunca falha, e seu efeito não será tardio (55.11). O apóstolo Pedro, em sua primeira carta, no verso 23 do capítulo 1, revela que a Palavra de Deus é uma semente incorruptível, viva e eterna, que age no coração humano e produz fruto para glória de Deus. Posto isso, o cristão tem o dever de anunciá-la em tempo e fora de tempo (2Tm 4.2).
3. Deus é contra os guias cegos e a idolatria
O cuidado do atalaia (56.10a) em busca de proteção contra os ataques externos e o zelo do pastor (56.11c) para satisfazer as necessidades internas das ovelhas são dois evidentes aspectos do líder. Tais enfoques são levantados no texto bíblico (56.9-12) para demonstrar que os profetas de Israel estavam andando como cegos, dormindo diante dos alertas divinos, pois não enxergavam, mas continuavam a liderar; e que os gananciosos governantes permaneciam insaciáveis mesmo diante da iminente destruição.
A conduta idólatra do povo e dos líderes é constantemente condenada pelo profeta. Deus os exorta para que não mais se curvem diante de imagens de escultura e lhe prestem cultos e rituais, no entanto que se arrependam, temam e sirvam ao único Deus verdadeiro (57.13), que entra nos mais sinceros e contritos corações (57.15).
É bem verdade que não importa a condição financeira, cultura, etnia, ou qualquer outro estado externo do homem para que Deus demonstre o seu amor e faça morada, mas é necessário um arrependimento sincero, tendo por base a indispensável observância da Palavra do Senhor. Deus ama o pecador incondicionalmente, mas não ignora o pecado, pois não o tolera. (Is 61.8).
4. O jejum que Deus quer e a maldade de Israel
O jejum é a abstenção de alimentos por determinado período, com um desígnio preestabelecido. A Bíblia nos entrega vários exemplos de jejum, podendo ser parcial (Dn 10.2,3), onde o cristão se abstém de determinados alimentos; pode ser o normal, em que se ingere somente água (Mt 4.2); e o total, onde se abstém de tudo (At. 9.9). Tal prática perpetua-se até os dias atuais, sendo uma recomendação bíblica (At 13.3) e poderosíssima ferramenta para o cristão que o exerce com sabedoria (Mt 6.16-18).
Caso o jejum não seja feito da maneira correta, pode se demonstrar uma prática vazia. Isto foi exatamente o que aconteceu com o povo de Israel (58.3). A maneira hipócrita de jejuar do povo foi exposta frente ao orgulho e ódio que eram exteriorizados em seus empregados. A mera religiosidade não agrada a Deus, sendo ineficiente o jejum praticado sem a observância cotidiana das boas atitudes preestabelecidas na Palavra do Senhor. O jejum que o Senhor quer está diretamente ligado às atitudes de justiça do crente, onde deve-se negar a si mesmo em benefício do próximo.
As práticas pecaminosas são responsáveis pelo distanciamento entre Deus e o ser humano (59.2). Isaías, no capítulo 59, denuncia as iniquidades dos filhos de Israel que tornava evidente tal separação. Mas, é certo que a mão do Senhor não está encolhida para que não possa salvar e ouvidos agravados, para não ouvir (59.1).
Conclusão
De tudo que foi analisado na presente lição, pode-se, de maneira sintetizada, dizer que os oráculos escritos por Isaías ensinam que o Senhor continua alertando o ser humano com vistas a salvação. Um futuro glorioso é prometido àquele que nEle crer, que não anda segundo o conselho dos ímpios (Sl 1), que não se rende à idolatria, mas em tempo hábil buscou e encontrou o Senhor que se deixa achar.
Infelizmente, muitas coisas têm se tornado ídolos na vida do ser humano. A veneração, o tempo despendido, a honra e o desprezo aos demais em atenção ao ídolo descortinam a idolatria. Essa atitude é demasiadamente perigosa e desencadeia sanções gravíssimas (1Co 6.9,10; Ap 21.8; 22.15).
Lidar com as pressões da vida moderna não é fácil. Sabendo disso, o Senhor deixou sua santa Palavra como manual de regras de fé e conduta (2Tm 3.16,17), que alerta o cristão dos perigos e também conforta com a promessa de um breve futuro glorioso na Jerusalém celeste. Assim, cante alegremente e alargue o espaço da tua tenda, porque transbordará de grandes bênçãos (54.1-3). Não temas, porque o Santo de Israel é o teu Redentor (54.4,5).
Lição 13 – Teu É o Reino e Tua É a Glória
Objetivo Geral
Demonstrar que do Senhor é o reino e a glória.
Introdução
Texto áureo: Isaías 61.1-3
A grandiosa obra de restauração do povo judeu (60.15-22) ocorrerá plenamente no futuro. Naquele momento, o Messias se apresentará como o desejado das nações e trará salvação ao povo de Israel (60.16). Ele colocará seus pés no monte das oliveiras e livrará Israel (Zc 14.3-5), pois continua sendo alvo do amor de Deus. O cumprimento se completará na Jerusalém celestial (Gl 4.26; Ap 21.9-22.5), onde a igreja estará triunfante e radiante de alegria juntamente com o Noivo (Jo 14.3) e quando o Senhor fizer novos céus e nova terra (66.22).
O apóstolo João recebeu a revelação de que o Senhor é o Alfa e o Ômega, o Todo-Poderoso (Ap 1.1,8), sendo Ele o Senhor do passado, presente e futuro. O término da oração do "Pai Nosso" (Mt 6.9-13) deixa claro que a Deus pertence o Reino, o poder e a glória. Assim, veremos nos escritos do profeta Isaías a ratificação de tais afirmações, para que o leitor possa sossegar no Senhor.
Ouvimos a voz do Senhor ao lermos Sua Palavra, e Ele vela por Sua Palavra para cumpri-la (Jr 1.12). Com efeito, o leitor enxergará que a salvação em Cristo o levará à Nova Jerusalém, mesmo sendo um caminho imerecido pelo ser humano. A bondade de Deus em favor daquele que nEle espera ultrapassa nossa compreensão, concedendo tal benefício. Por derradeiro, o leitor compreenderá a renovação da criação e a formação de novos céus e nova terra.
1. A nova Jerusalém e sua glória
É anunciado por Isaías que, passado o período de aflição de Jerusalém no exílio, o povo gozaria de um futuro glorioso em uma nova Jerusalém. O anúncio é escatológico e revela a "Jerusalém lá de cima" (Gl 4.26), preparada para todos aqueles que deram ouvidos às palavras do Servo do Senhor.
O alerta contínuo do profeta Isaías para que o povo torne a buscar ao Senhor enquanto é dia e dê ouvidos à mensagem do Servo (Is 55.6) mostra o cuidado e zelo do Senhor para com seu povo, pois revela sua longanimidade para com aqueles que permanecem sob o jugo do pecado. Deus, em demonstração de amor, por reiteradas vezes levantou profetas que alertaram o povo a deixar o pecado, pois as consequências oriundas da prática do erro seriam desastrosas (Rm 8.13).
No entanto, os servos que permanecem com olhos fitos no Senhor e andam na luz segundo o Espírito em breve caminharão pelas ruas da Nova Jerusalém e contemplarão sua glória. A Jerusalém celestial será iluminada eternamente pela luz que emana do Senhor (60.19), sendo um lugar extremamente precioso e símbolo da glória de Deus, onde será possível o acesso face a face com o Criador. A profecia revela a imponência e realeza da nova morada, um lugar de paz, segurança e salvação (60.18), pois nela congregarão todos os salvos em Cristo Jesus (60.21).
2. Um novo começo
O Servo sofredor, aquele que carregaria a pesada carga de pecados que não era sua, tomando o lugar miserável que pertencia ao povo, traria a graça de Deus anunciada nas Boas-Novas. Ora, tudo o que outrora aconteceu durante o período desolador no exílio babilônico, não poderia se comparar com a glória da salvação que viria através do Messias. Um novo começo é proclamado, o ano aceitável do Senhor, o favor de Deus chegará como resposta ao arrependimento do povo e trará bênçãos incomensuráveis (61.1-3).
O profeta, descrevendo as promessas feitas ao povo (61.6-9) diante de um novo começo, revela a forma como os cristãos serão conhecidos, a saber: "família bendita do Senhor" (61.9b). Os privilégios ministeriais dos sacerdotes (1Pe 2.5,9; Ap 1.6; 5.10), assim como o regozijo de saber que brevemente irão à pátria (Fl 3.20), fizeram e fazem com que o povo de Deus mantenha a cabeça erguida olhando para o alto (Cl 3.1-3) e continuem o caminho à Jerusalém celestial.
Os momentos de tribulação, lutas e desafios enfrentados pelo povo de Deus durante sua passagem neste mundo, não se comparam ao gozo da glória futura da nova Jerusalém. De maneira enfática, o profeta Isaías relata o contraste entre o estado atual (desamparada e desolada) e o futuro glorioso de Jerusalém (62.4), destacando que o Salvador virá e trará o seu galardão e a glória de Jerusalém serão ainda maior por causa dEle (62.11,12).
3. Um Deus que trabalha para o que nEle espera
A mensagem profética em Isaías apresenta um Deus com atributos comunicáveis (ex: benignidade (Is 63.7; Sl 86.5)) e incomunicáveis (ex: onipotência (Is 44.24; Ap 1.8)). Tais atributos são qualidades atribuídas ao caráter divino que ajudam a entender quem é Deus. Percebe-se que Deus não está distante, Ele está presente e pronto para se relacionar com aquele que busca conhecê-Lo (Jr 9.23,24). O profeta Isaías em sua última oração (63.7-19; 64) evidencia a bondade e misericórdia de Deus e afirma que celebrará as benignidades do Senhor em favor da casa de Israel.
Diante de um Deus tão poderoso, mas que trabalha em favor dos seus (64.4), frente ao maior amor do mundo, o profeta se constrange e expõe a condição humana dizendo que: "Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças são como trapo da imundícia. Todos nós murchamos como a folha; e as nossas iniquidades nos arrastam como um vento." (64.6). Ou seja, é necessário o sangue de Cristo para limpar e purificar o homem manchado pelo pecado.
A ansiedade é um mal que tem afligido um expressivo número de pessoas atualmente. As preocupações cotidianas e os imprevistos são situações que podem tirar o sossego de qualquer pessoa. Apesar disso, deve-se acreditar que existe um Deus sem igual, que trabalha para aquele que nele espera (64.4; Fl 4.6-8).
4. Novos céus e nova Terra
Diz o Senhor, e sua promessa é fiel e verdadeira, que seus servos terão mantimentos, terão a sede saciada, cantarão de alegria, pois serão bem-aventurados (65.13,14). Essas promessas garantem segurança e esperança mesmo em momentos conturbados e de esmorecimento.
Os últimos versos do capítulo 65 de Isaías, igualmente ao capítulo 21 de Apocalipse, vêm encorajar o povo a permanecer firme e constante, pois logo viriam novos céus e nova terra, onde a vida será significativamente abençoada para todos. Haverá uma restauração de todo o universo, onde toda a terra será transformada (2Pe 3.7,13).
Assim conclui-se o estudo proposto na presente revista, incitando ao cristão a entender que o Senhor alertou o seu povo a respeito da desobediência e sempre esteve pronto a ajudá-los quando existia arrependimento. Quando Israel decidiu permanecer sob rebelião, isso lhe custou muito caro, pois logo sobreveio o jugo dos assírios e posteriormente o exílio babilônico. No entanto, a maior esperança do profeta Isaías era uma nova Jerusalém purificada, onde o reino de Deus seria restaurado pelo Servo do Senhor e a sua luz surgiria alcançando todas as nações. O Servo seria rejeitado pelos seus e morto pelo pecado de toda a humanidade, contudo, viveria novamente e declararia justo os que desejam um relacionamento com Deus.
Conclusão
Por tudo que estudamos até aqui ficou demonstrado que do Senhor é o reino e a glória para todo o sempre! O domínio pleno de tudo e sobre todos está nas mãos daquele que reina eternamente. A sua grandeza e soberania nos constrange a render-lhe glória, pois é o único digno de receber toda a honra e glória. Mas, mesmo diante de tamanha magnificência ele olha para o cristão e diz "E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos." (Mt 28.20b).
Deus revela sua misericórdia e bondade ao se colocar disposto a trabalhar em favor daqueles que nEle espera, demonstra seu amor e cuidado ao preparar uma nova Jerusalém para que sua igreja esteja com Ele eternamente, por fim, estabelece um novo começo com novos céus e nova Terra.
Com a graça de Deus e anseio de "quero mais", chegamos ao fim desse módulo, entretanto, findamos seguros de que estamos melhores do que éramos quando iniciamos. Assim, busquem a Cristo enquanto é possível (Is 55.6) e Ele te susterá, "Porque eu, o Senhor, seu Deus, o tomo pela mão direita e lhe digo: 'Não tenha medo, pois eu o ajudarei.'" (Is 41.13).
Editorial
Curso: Livro de Isaías
Ano: 2021
1ª Edição
Conselho Editorial:
Pr Sinval Júlio de Souza
Pr Lúcio Andres
Braitner Lobato
Projeto Gráfico e Diagramação:
Márcio Rezende
Wagner Monteiro
Comentarista:
Wagner Monteiro