
# Carta aos Efésios

Bênçãos espirituais, graça salvadora, unidade da fé, deveres domésticos e a armadura de Deus na carta do apóstolo Paulo aos efésios.

## Sumário

- Lição 1 – Bênçãos, Graça e a Revelação do Mistério Divino
  - Objetivo Geral
  - Introdução
  - Bênçãos do Pai, do Filho e do Espírito Santo
  - O Mesmo Poder Que Ressuscitou a Jesus Está em Nós
  - Vivos ou Mortos?
  - Isso Não Vem de Nós
  - Os Gentios São Co-herdeiros
  - O Mistério Foi Revelado
  - Dimensões do Amor de Cristo
  - Conclusão
- Lição 2 – União, Santidade e a Vida Cristã
  - Objetivo Geral
  - Introdução
  - A Unidade
  - Os Dons Ministeriais
  - Uma Nova Vida
  - Andando em Amor
  - Abandonando Todo o Mal
  - Sendo Sábio
  - Conclusão
- Lição 3 – Nossa Casa, Como Deve Ser?
  - Objetivo Geral
  - Introdução
  - Marido e Mulher: Sujeição e Amor
  - Pais Cristãos, Filhos Cristãos
  - Servos, Obedeçam!
  - Senhores, Pratiquem a Palavra!
  - Conclusão
- Lição 4 – Atenção, Estamos em Guerra!
  - Objetivo Geral
  - Introdução
  - O Alvo É o Inimigo
  - Nossos Equipamentos de Guerra
  - O Bom Soldado Vigia e Ora
  - Faça Parte do Exército do Senhor
  - Conclusão
- Editorial

## Lição 1 – Bênçãos, Graça e a Revelação do Mistério Divino

### Objetivo Geral

Mostrar que as bênçãos espirituais são concedidas aos cristãos por meio de Cristo e que a salvação é obra exclusiva da graça divina.

### Introdução

Essa epístola do apóstolo Paulo foi escrita a uma das igrejas da Ásia Menor que estava localizada na cidade de Éfeso (Ef 1.1). A epístola é um belíssimo tesouro emanado de Deus aos cristãos de todos os tempos.

Em Éfeso, fluíam multidões devido ao comércio, aos espetáculos e à adoração à deusa Diana. Tanto a cultura quanto a filosofia helenística, aliadas à superstição que existia na cidade, haviam causado um desastre espiritual nas pessoas.

Paulo passou por Éfeso tanto na sua segunda viagem missionária quanto na terceira, quando lá morou por quase três anos (At 18.19; 19.1,10). Deus operou poderosamente nessa cidade por meio da pregação do evangelho (At. 19.2-6,11,12, 18-20, 23-41). O evangelho que entrou na cidade e libertou muitos do domínio de Satanás.

Depois disso, Paulo escreveu aos cristãos de Éfeso durante sua prisão em Roma (At. 27.1; 28.14,16,30; Ef 3.1; 4.1; 6.20), possivelmente entre os anos de 58 a 63 d.C. Na carta, ele trata das bênçãos da trindade; da salvação pela graça; da união entre judeus e gentios; da unidade da fé; dos deveres domésticos; da batalha espiritual e das armas para vencê-la.

Nesta lição, estudaremos acerca das bênçãos divinas concedidas à igreja. Ele descreve a iniciativa do Pai na eleição e predestinação dos santos, o papel redentor do Filho na remissão dos pecados e o selo do Espírito Santo como garantia da redenção final. Além disso, destaca a manifestação do poder de Deus na ressurreição de Cristo, sua soberania sobre todas as coisas e a inclusão dos gentios no plano divino. Com isso, Paulo não apenas reforça a identidade e segurança da igreja em Cristo, mas também desafia os crentes a viverem de maneira digna dessa vocação celestial.

### Bênçãos do Pai, do Filho e do Espírito Santo

No primeiro capítulo, nos versículos de 3 a 6, o apóstolo Paulo refere-se a Deus e à Sua iniciativa de abençoar Seu povo. No versículo 3, ele aborda que a fonte das bênçãos é Deus; que a natureza delas é espiritual; que sua esfera se deu nas regiões celestiais; e que o tempo em que ocorreu está ligado à eternidade. Após isso, ele narra as bênçãos recebidas da parte de Deus: a igreja foi eleita por Deus (v. 4); o autor da eleição é Deus; o objeto dessa eleição são os cristãos; o fundamento é Cristo; o tempo da escolha ocorreu na eternidade; e, o propósito dessa escolha é a santidade, a vida irrepreensível e a comunhão entre os cristãos.

No versículo 5, ele trata da predestinação – chamar de antemão. E no versículo 6, ele mostra o propósito das bênçãos de Deus. Essas bênçãos são para todos os cristãos em todas as épocas e foram predestinadas antes de Deus lançar os fundamentos da Terra.

Paulo prossegue na descrição das dádivas divinas (v. 7-12). O foco agora está em Jesus Cristo, a segunda pessoa da Trindade. Ele afirma que os cristãos foram resgatados da condenação eterna e perdoados (v. 7). A redenção diz respeito ao resgate e à liberdade que um preso ou um escravo recebia mediante pagamento. Cristo nos libertou do império das trevas por intermédio do Seu sangue (Cl 1.13; 2.14). Em Cristo, todos os cristãos são resgatados, perdoados e se tornam a herança divina (vv. 7,11). Tudo isso para louvor de Sua glória (v. 12).

Após abordar as bênçãos de Deus e as de Cristo, o apóstolo Paulo passa a mostrar aos efésios que o Espírito Santo os enriqueceu com dádivas. Depois de receberem o evangelho que os salvou, o Espírito Santo os selou (v. 13). O selo era a garantia de autenticidade de um documento, protegendo-o contra violação e dano, além de denotar direito de posse. Os cristãos possuem um dono (Rm 8.9).

O Espírito Santo tem outra função na vida dos cristãos: a de penhor (v. 14). O penhor, para uma instituição financeira, é uma "linha de crédito". A pessoa que deixa um bem precioso nesse tipo de instituição recebe o dinheiro no ato da entrega, sem necessidade de análise cadastral ou avalista. O bem da pessoa, como joias, canetas, relógios ou qualquer outro objeto de valor, fica no cofre da instituição financeira. Quando se deixa o bem na penhora, significa dizer que o dono voltará para resgatá-lo.

Depois que o contrato é quitado, o bem é resgatado. O Espírito Santo é uma garantia e uma certeza na vida do cristão de que um dia Cristo voltará para levá-lo para o lugar que Ele foi preparar (Jo 14.1-3). Jesus Cristo redimiu os santos do poder do pecado por meio do Seu sangue. A igreja é propriedade dEle. Em breve Cristo voltará. O Espírito Santo é a garantia dessa volta.

### O Mesmo Poder Que Ressuscitou a Jesus Está em Nós

Após Paulo tratar das riquezas que a igreja desfruta (vv. 3-14), ele passa a descrever que ela é o povo mais poderoso do mundo. Os cristãos de Éfeso estavam com sua fé alicerçada em Cristo e na prática do amor uns para com os outros (v. 15). Isso levou Paulo a fazer menção contínua por eles em suas orações (v. 16). A intercessão do apóstolo tinha propósito: o de que Deus pudesse dar-lhes o espírito de sabedoria e de revelação e a iluminação do entendimento para enxergar o que eles têm em Cristo (vv. 17,18a). Por meio disso, os cristãos teriam discernimento espiritual, conhecimento pleno de Deus, compreensão clara da esperança do chamado e das riquezas de Deus que estão à disposição deles (v. 18b).

Nos versículos 19 e 20, Paulo mostra que a igreja de Éfeso não tinha noção do poder de que dispunha para vencer as trevas que permeavam a cidade. O poder à disposição da igreja é como uma dinamite. Com isso, Paulo enfatiza a plenitude e a certeza do poder à disposição dos santos. Esse poder é o mesmo que Deus usou para ressuscitar a Jesus.

O poder que estava à disposição da igreja de Éfeso está também disponível para a igreja atual. Os cristãos de hoje devem ter no coração o Espírito Santo. Ele é o poder vivo de Deus no seio da igreja hoje.

Finalizando o primeiro capítulo, Paulo descreve os efeitos do poder de Deus em Jesus. Essa dinamite entrou no túmulo onde estava o corpo de Jesus e o tirou de lá, ressuscitando-o dentre os mortos (v. 20). O poder de Deus deu vida ao corpo de Jesus, o coração não batia e o sangue já não correria em suas veias. Com a ressurreição, Cristo apareceu aos seus seguidores com um corpo glorificado. Ele retornou ao seu lugar de origem e passou a ter honras diante de Deus (Fp 2. 9-11). Ele está à direita de Deus, com honra e autoridade (Ef 1.20c,21; Mt 28.18).

Paulo revela o domínio universal de Cristo (v. 22) e afirma que Ele é a pedra que foi rejeitada, mas se tornou poderosa e dominou toda a Terra (Dn 2.34,35).

### Vivos ou Mortos?

Qual a sua situação perante Deus? Paulo informa que os cristãos de Éfeso, antes da conversão a Cristo, estavam em estado de morte espiritual devido ao pecado; que andavam conforme o modelo do mundo (vv. 1b,2a); que eram controlados pelo príncipe das trevas (v. 2b); que praticavam os desejos da carne e dos pensamentos (v. 2b); e, que eram vistos por Deus com ira (v.2c.). Esta é a situação do ser humano após a corrupção humana (Gn 3). O pecado deixa a pessoa em estado de morte espiritual, ou seja, separada de Deus (Gn 3.23,24).

Após Paulo descrever a situação tanto dos judeus como dos gentios, ele mostra a nova realidade em Cristo. Por meio da misericórdia e do amor de Deus, eles foram vivificados, ou seja, receberam vida espiritual (vv. 1a,4,5). A fonte desta vida foi a ressurreição de Cristo, pois ela possibilitou vida nova a todos que estavam separados do seu criador (v. 6).

A ressurreição de Cristo concedeu aos cristãos uma posição de destaque e honra nos lugares celestiais (v. 6b). O propósito disso foi exibir na segunda vinda de Cristo as riquezas de sua graça e benignidade para com os que foram redimidos do cativeiro das trevas (v. 7).

Caro leitor, a obra expiatória e a ressurreição de Cristo só terão efeitos na sua vida se você o aceitar como Salvador e Senhor, estabelecendo com Ele uma nova aliança.

### Isso Não Vem de Nós

Na antiga aliança, o fator decisivo na vida da nação de Israel dizia respeito à lei de Deus e às boas obras. Os profetas do Antigo Testamento sempre enfatizavam essa realidade na vida da nação. Para que Deus abençoasse seu povo era necessário estar sujeito às leis de Deus.

O apóstolo Paulo (Ef 2.5, 7 e 8) aborda a graça de Deus em favor dos cristãos de Éfeso na nova aliança (v. 8). Essa graça conduz o povo à salvação por meio da fé. Ela não é de origem humana, também não está ligada às obras, mas vem de Deus (v. 8,9). Em Romanos 5.20 está escrito que "onde abundou o pecado superabundou a graça". Isso significa que a graça de Deus não é mesquinha, mas riquíssima.

A graça de Deus salva o pecador, "libertando-o da maior desgraça" – a condenação eterna – e outorgando-lhe a maior das bênçãos: a vida eterna em Cristo. Ser salvo pela graça é o oposto de ser salvo pelas obras. Assim, a salvação humana está em Deus, e não em nós, ou seja, não temos qualquer mérito no processo dela, pois não podemos fazer nada por nossa própria salvação. Ela é dom de Deus (v. 8c) e tudo o que podemos fazer é aceitá-lo. Mas o que se entende por graça? Ela é compreendida como um favor imerecido por alguém. É isso que ela faz com o pecador, dando-lhe a salvação em Cristo. Você já foi alcançado (a) por essa graça?

### Os Gentios São Co-herdeiros

O mundo bíblico gira em torno de três grupos: judeus, gentios e a igreja. A carta aos efésios faz referência a todos eles. Os judeus são o povo da promessa de Deus a Abraão (Gn 12.1-3). Por meio deles, pela tribo de Judá, nasceu Jesus, que estabeleceu a igreja. Os gentios correspondem às demais nações que não fazem parte das doze tribos de Israel, mas que já estão dentro das promessas de Deus (Gn 12.3; Is 11.10,11; 42.6).

Na carta aos Efésios, Paulo mostra Cristo habitando nos corações dos gentios e dos judeus, unidos em um mesmo corpo: a igreja. Para que um gentio se tornasse parte da igreja, co-herdeiro do mesmo corpo e participante da promessa de Cristo (v. 6), precisava aceitar Jesus Cristo como Salvador. A revelação, que não foi manifestada noutros séculos, na inclusão dos gentios no plano da salvação, foi manifestada a Paulo e aos profetas pelo Espírito Santo (vv. 5,6). Assim, judeu e gentio são um em Cristo por meio da igreja.

Somos co-herdeiros, de um mesmo corpo, e co-participantes da promessa em Cristo por meio do evangelho. A cruz de Cristo inclui todos os povos no plano da salvação. Na igreja de Cristo não existem inquilinos, mas filhos e participantes das promessas de Deus. Caro leitor, você já faz parte dessas promessas?

### O Mistério Foi Revelado

Aquilo que estava oculto foi revelado. Paulo descreve o motivo de as verdades divinas se manterem ocultas no passado (Ef 3.9-10). Estiveram ocultas por Deus até o tempo determinado, pois, com a vinda do seu Filho e do Espírito Santo, a igreja seria implantada e, por meio dela, haveria a revelação do mistério. Isso mostra que Deus estava no controle do tempo e que no momento determinado seria revelado pelo seu Espírito.

Com o nascimento da igreja, o mistério passou a ser revelado por meio do evangelho. Ela tem o papel de demonstrar ao mundo as verdades divinas que estavam ocultas, de anunciar essas verdades aos que estão em escuridão e de proclamar a multiforme sabedoria de Deus, além de manifestá-la diante dos principados e potestades nos céus (Ef 3.10). Somos parte da igreja, participantes das insondáveis riquezas de Cristo e do mistério revelado. As promessas à igreja de Éfeso se estendem a nós.

Deus desvendou o seu riquíssimo tesouro a nós, membros da igreja de Cristo. Essas riquezas celestiais são recursos ilimitados da graça de Deus na pessoa de Cristo. São profundas como o oceano, já que não podem ser sondadas e são inesgotáveis por sua extensão.

Esta lição convida você, leitor, a ser participante do mistério revelado e da missão de anunciar entre os povos em escuridão as insondáveis riquezas de Cristo. Você é ciente dessas riquezas que Deus deixou à disposição da igreja de Cristo?

### Dimensões do Amor de Cristo

Ainda no terceiro capítulo, Paulo ora frente à grandeza de Deus. Ele expressa reverência e temor a Deus (v. 14), exultação pela obra dEle na igreja (vv. 14,15), audácia e confiança em Deus e no poder do Senhor à igreja (v. 16). Ele suplica que Deus conceda aos cristãos poder interior (v. 16,17a), aprofundamento no amor fraternal (v. 17b), compreensão do amor de Cristo (vv. 18,19) e que sejam cheios de toda a plenitude de Deus (v. 19b).

Entre as virtudes necessárias à igreja está o amor. Paulo ainda faz súplicas para que os cristãos de Éfeso estejam arraigados e fundados no amor de Cristo e que eles possam ter uma compreensão deste amor (v. 17b). Mas o que é o amor? Há alguns tipos de amor: o ágape, que é o amor de Deus pelos homens – sacrificial, genuíno, puro e santo (Jo 3.16); o dos homens regenerados por Deus; o amor próprio, por meio do qual a pessoa ama a si mesma; o amor ao próximo (Mt 22,39); e o amor romântico, o que existe entre os casais. O amor ágape se sobressai a todos os outros.

Com base nos versículos 18 e 19, o amor de Deus possui algumas dimensões: largura, comprimento, altura e profundidade. O amor de Cristo é largo, por abranger toda a humanidade (Cl 3.11); comprido, por durar por toda a eternidade (Jr 31.3; Ap 13.8; Jo 13.1); profundo, por alcançar o mais vil pecador (Is 53.6,7); e alto, por ser capaz de levá-lo ao céu (Jo 17.24).

### Conclusão

As bênçãos do Pai, do Filho e do Espírito Santo nos mostram que a iniciativa da salvação sempre partiu de Deus. Ele nos escolheu antes da fundação do mundo, nos redimiu pelo sangue de Cristo e nos selou com o Espírito Santo como garantia da herança celestial. Essa verdade nos convida a viver em gratidão e santidade, reconhecendo que nossa salvação não é fruto de nosso mérito, mas do amor gracioso de Deus. Portanto, como prática, devemos nos consagrar diariamente ao Senhor, buscando viver de maneira irrepreensível e em comunhão com os irmãos na fé.

O mesmo poder que ressuscitou a Jesus está em nós, tornando a igreja o povo mais poderoso do mundo. No entanto, assim como os efésios precisavam compreender essa realidade, também precisamos ter consciência do poder que Deus nos concedeu. Esse poder não é para domínio humano, mas para resistência espiritual e avanço do Reino de Deus. Nossa orientação prática é desenvolver uma vida de oração constante e aprofundar nosso relacionamento com o Espírito Santo, permitindo que Ele nos capacite para testemunhar e viver uma vida vitoriosa em Cristo.

A diferença entre estar vivo espiritualmente ou morto em pecado é a experiência da graça de Deus em nossa vida. Não é por obras que somos salvos, mas pela fé em Cristo, que nos vivifica e nos coloca em posição de honra diante de Deus. Essa nova realidade exige de nós um compromisso firme com a vontade do Senhor. Como aplicação prática, devemos examinar nossa caminhada espiritual e garantir que estamos vivendo em obediência a Deus, deixando os velhos hábitos pecaminosos e buscando crescimento na vida cristã.

Por fim, o mistério da salvação foi revelado e inclui todos os que creem em Cristo, sejam judeus ou gentios. Somos co-herdeiros com Cristo, chamados a viver e proclamar as insondáveis riquezas da graça de Deus. O amor de Cristo nos une e nos impulsiona a compartilhar essa mensagem com o mundo. Assim, devemos cultivar um estilo de vida missionário, levando a Palavra de Deus a todos os que ainda não a conhecem, demonstrando, por meio de nossas atitudes, o amor de Deus em todas as suas dimensões.

## Lição 2 – União, Santidade e a Vida Cristã

### Objetivo Geral

Demonstrar que a salvação é pela graça.

### Introdução

A unidade cristã é um princípio fundamental que sustenta o corpo de Cristo e reflete a harmonia presente na própria Trindade. Desde os tempos do Antigo Testamento, Deus já demonstrava Seu desejo de que Seu povo vivesse em comunhão, guiado por um mesmo propósito e sustentado pelo vínculo da paz (Salmo 133:1; Amós 3:3). No Novo Testamento, esse ideal se concretiza plenamente na igreja de Cristo, que é chamada a viver em unidade, como um só corpo, movida pelo mesmo Espírito (Efésios 4:3-6).

O apóstolo Paulo exorta os cristãos a andarem de modo digno da vocação com que foram chamados, preservando a comunhão por meio de virtudes como humildade, mansidão, longanimidade e amor. Esses elementos não são opcionais, mas indispensáveis para que o povo de Deus permaneça unido e fortalecido. Assim como a igreja primitiva vivia em comunhão, compartilhando seus bens e sua fé, a igreja atual também deve manter esse espírito de unidade.

Além disso, Cristo concedeu dons ministeriais para edificação da igreja, permitindo que cada membro desempenhe um papel essencial na construção do corpo espiritual. A diversidade de dons não deve ser motivo para divisão, mas sim um instrumento de crescimento e aperfeiçoamento da igreja. Dessa forma, a unidade cristã se manifesta tanto na comunhão fraterna quanto na diversidade dos ministérios, sempre fundamentada no amor e na paz que vêm de Deus.

Nosso objetivo é compreender que a unidade cristã não é apenas um desejo humano, mas uma expressão da própria natureza de Deus em Sua igreja. Que esta lição nos desafie a viver em comunhão verdadeira, superando barreiras, promovendo a paz e refletindo o amor de Cristo ao mundo.

### A Unidade

Quando alguém se vincula a uma instituição, assume a responsabilidade de manter uma determinada conduta de vida. Da mesma maneira, este tópico descreverá o tipo de vida que o cristão deve ter no corpo de Cristo. A igreja de Cristo tem um importante papel na preservação da unidade. Paulo sugere que os crentes de Éfeso andem de forma digna e atendam ao chamado para o qual foram vocacionados (Ef 4.1).

A forma de se preservar a unidade pelo vínculo da paz é por meio de virtudes que devem fazer parte de nossas vidas: humildade, mansidão, longanimidade e a importância de ser um suporte na vida dos irmãos (Ef 4.2). A humildade está em primeiro plano e não pode faltar no caráter do cristão. A mansidão é entendida como a virtude dos fortes e diz respeito ao relacionamento de uma pessoa com seu próximo, incluindo o fato de aquela não insistir em seus direitos.

Há também a longanimidade, que é a capacidade de quem age com paciência diante de qualquer situação, sem perder o controle, uma vez que essa paciência se prolonga ao máximo (v. 2).

A maneira de se viver e alcançar a unidade é por meio da paz de Cristo, concedida pelo Espírito Santo. O vínculo da paz mantém os cristãos unidos. Por meio do amor e da paz de Cristo é possível viver e preservar a "unidade do Espírito" (Ef 4.2b,3). Este tópico nos convida a andar dignamente e a viver a essência da unidade na igreja, com base nessas virtudes.

A unidade no corpo de Cristo é um princípio que não pode faltar na vida do cristão. Da mesma forma que a trindade divina vive em harmonia, sendo um, assim deve viver a igreja de Cristo. Quando estão em unidade, os cristãos vivem juntos, têm tudo em comum, ajudam uns aos outros, perseveram e se alegram juntos (At 2.44-47). Sem o princípio da unidade, não se pode viver em consonância nem ter condições de praticar as virtudes cristãs (Gl 5.22).

Paulo aborda algumas realidades básicas que unem todos os cristãos. Ele fala de uma só igreja, composta de pessoas regeneradas – embora existam muitas igrejas, mas no corpo de Cristo elas devem ser uma (v. 4a) – de um único Espírito, que mora na vida do cristão - se alguém não tem esse Espírito, não pode ser de Cristo (v. 4b; Rm 8.9); de uma esperança na volta gloriosa de Jesus, que transformará nosso corpo mortal em imortal, porquanto Ele é o único Senhor Jesus, que morreu por nós (v. 5a); de um só batismo, que nos une no corpo de Cristo e na igreja (v. 5; 1Co 12.13). O apóstolo Paulo encerra o tema da unidade apresentando um só Deus, que é Pai de todos os cristãos (v. 6).

### Os Dons Ministeriais

Todo ser humano normalmente se dedica a uma área profissional para a qual se sente habilitado. Jesus Cristo enriqueceu a igreja com variedade de dons ministeriais, visando a unidade e o crescimento. Pode-se conceituar dom como sendo uma dádiva, um presente, cujo objetivo é edificar e unir a igreja.

A finalidade de Jesus, ao conceder os dons ministeriais à igreja, era que ela fosse aperfeiçoada, edificada, perfeita e que seus membros não fossem enganados pelos falsos ensinamentos (Ef 4.11-14). Paulo manifestou o desejo de que a igreja siga a verdade em amor e tenha um crescimento completo, maduro e sadio em Cristo Jesus (v. 15 e 16), que concedeu dons à igreja ao ter vitória sobre a morte e o inferno e ter colocado em liberdade os que estavam aprisionados (Ef 4.8-10).

Estes são os dons ministeriais: o de apóstolo, com base nos doze que foram escolhidos por Jesus e postos como coluna da igreja primitiva (Mc 3.13-19; Ef 2.20); o de profeta, que é o que proclama a palavra de Deus, prevê o futuro e recebe a revelação de Deus (At. 13.1; Ef 3.5); o de evangelista, que são os missionários itinerantes que ganham os perdidos para Cristo; por fim, o de pastor e mestre, cuja função é alimentar, cuidar, ensinar, proteger, exortar e consolar os cristãos. Esses dons visam à unidade e à edificação da igreja (Ef 4.16).

### Uma Nova Vida

Paulo após falar da importância da unidade e da diversidade dos dons ministeriais, ele passa a tratar da necessidade da pureza na igreja e exorta os cristãos de Éfeso a que abandonem os velhos hábitos dos gentios não regenerados, já que aqueles têm um novo estilo de vida em Cristo. As pessoas sem Cristo andam em vaidade de pensamento, cheias de soberba, com seus entendimentos cobertos de trevas (2Co 4.3-6), separados da vida com Deus, insensíveis de coração e em todo tipo de impureza (vv. 17-19).

É preciso entender que, como cristãos, devemos ter um estreito relacionamento com o Cristo vivo (Ef 4.20,21). Nele, temos uma nova vida, já que passamos por uma mudança radical quando deixamos a velha vida e nos renovamos da nova vida em Cristo Jesus (Ef 4.22-24). É preciso também deixar de praticar a mentira (v. 25; Jo 8.44); a ira carnal, injusta e diabólica (v. 26); o furto (v. 27); as palavras depravadas, que prejudicam a nós mesmos e aos ouvintes (v. 29); e outras obras da carne (v. 31; Gl 5.19-21).

Caro leitor, se você já teve um encontro com Cristo, tem nova vida nEle, tudo se faz novo, o Espírito Santo se alegra com você e ministra a vida de Cristo em você (2Co 5.17), e se assim não fosse, você estaria entristecendo o Senhor da sua vida (Ef 4.30). É necessário que andemos em novidade de vida e pratiquemos a benignidade, a misericórdia e o perdão ao nosso semelhante (Ef 4.32).

### Andando em Amor

O capítulo 5 começa orientação direta de Paulo: sejam imitadores de Deus e andem em amor. O ensino sobre imitar a Deus e a Cristo está presente por toda a Bíblia. Somos exortados a ter uma vida pautada no caráter de Deus, a exemplo de alguns personagens bíblicos. O patriarca Enoque tomou a decisão de andar com Deus, agradando-lhe com seu testemunho de vida, e Deus o tomou para si e não permitiu que ele passasse pela morte (Gn 5. 22-26; Hb 11.5). Deus apareceu a Abraão e o exortou a que andasse em sua presença e fosse perfeito (Gn 17.1). Andar nos passos de Deus nos leva à perfeição como perfeito Ele é (Mt 5.48).

Quando andamos com Deus, passamos a amar uns aos outros, e o seu amor se torna perfeito em nós (1Jo 4.11,12). Jesus, em seu ministério, nos deixou o mandamento do amor ao próximo (Jo 13.34). Portanto, só nos tornamos seus discípulos e somos conhecidos como filhos de Deus quando passamos a andar em amor uns com os outros (Jo 13.35).

A Bíblia nos admoesta à prática do verdadeiro amor e afirma que sem ele é vão o dom de profecia, o conhecimento dos mistérios de Deus e da ciência, uma fé sem medida, os recursos financeiros em favor dos pobres, sobretudo o sacrifício da vida em favor do evangelho. Nada disso adiantará se não houver a essência de Deus, o amor (1Co 13.1-3). Quem anda no caminho do amor tem as virtudes dele (1Co 13. 4-8).

### Abandonando Todo o Mal

As Escrituras Sagradas admoestam o cristão a abandonar toda velha prática e a andar em novidade de vida, ou seja, andar na luz divina e a não regressar às velhas práticas das trevas. Outrora éramos trevas, estávamos mortos em delitos e pecados, andávamos segundo o padrão do mundo – nos desejos da carne e dos pensamentos –, éramos regidos por satanás e alvos da ira de Deus (Ef 2.1-3). Porém, Deus em Cristo nos tirou do poder das trevas, nos levou para o reino de Cristo e cancelou todos os nossos pecados (Cl 1.13; 2.14). Diante de Deus não temos dívidas!

Como nova pessoa em Cristo, não podemos ser escravos de satanás, do mundo e da carne. Não devemos praticar pecados como adultério, prostituição, homossexualismo – pecados relacionados à sexualidade – ou até mesmo conversas tolas e palavras vãs – pecados relacionados à língua. É preciso eliminar toda e qualquer prática pecaminosa.

Quem pratica pecados não pode entrar no céu (Ef 5.5; Ap 22.15) e o destino para estes será o lago de fogo, que arde perpetuamente em meio ao enxofre (Ap 21,8,27). Essa é a demonstração da ira de Deus contra todos os que pecam (Ef 5.6). Urge que abandonemos tudo aquilo que nos afasta de Deus e que não sejamos companheiros dos que tais pecados praticam (Ef 5.7). O pecado precisa ser cortado pela raiz. A partir daí, viveremos em novidade de vida.

### Sendo Sábio

Após abordar que o cristão deve andar em amor e na luz e abandonar todo mal, exporemos agora a necessidade de o mesmo cristão andar em sabedoria. Essa necessidade se deve ao fato de a vida ser curta (Ef 5.16a), de os dias serem maus (Ef 5.16b), e de Deus nos ter dado uma mente (Ef 5.17a) e ter um plano para as nossas vidas (Ef 5.17b).

O termo sabedoria, segundo o Antigo Testamento, é compreendido como entendimento, discernimento e prudência. É, ainda, entendido como a arte de ser bem-sucedido e a capacidade de articular planos corretos para se alcançar o que se deseja. Biblicamente, a sede da sabedoria está no coração, o centro da decisão moral e intelectual do ser humano. Sábio é a pessoa que sabe utilizar de forma satisfatória sua habilidade técnica, como foi Bezaleel (Ex 31.3). Para que os reis de Israel fossem bem-sucedidos em suas decisões políticas e sociais, precisavam de sabedoria. No Novo Testamento, a sabedoria possui basicamente a mesma natureza. Alguns personagens bíblicos foram enriquecidos por Deus de sabedoria, como Salomão (Lc 11.31), Estevão (At. 6.10) e Paulo (2Pe 3.15).

A sabedoria divina é oposta à do mundo, e quem a tem anda com prudência, aproveita bem o tempo, entende a vontade do Senhor, é cheio do Espírito Santo, tem cântico espiritual nos lábios, é grato e anda pelo caminho da humildade (vv. 15-21; Tg 1.5).

### Conclusão

A unidade da igreja é um chamado divino que exige compromisso e dedicação dos cristãos. Ela se sustenta na paz, no amor e na prática das virtudes ensinadas nas Escrituras. Para que essa comunhão seja verdadeira, é essencial abandonar as práticas da velha natureza, revestindo-se do novo homem criado segundo Deus em justiça e santidade.

Diante desse desafio, cabe a cada cristão examinar sua própria vida e buscar viver conforme os padrões estabelecidos por Cristo. Andar em amor, luz e sabedoria são atitudes indispensáveis para que a igreja permaneça unida e cumpra sua missão no mundo.

No entanto, a unidade não significa ausência de diferenças, mas uma harmoniosa diversidade dentro do corpo de Cristo, onde cada membro cumpre sua função para o bem de todos (1 Coríntios 12:12-27). Nossa responsabilidade é cultivar essa comunhão por meio do amor sincero, do serviço mútuo e da humildade, refletindo assim a natureza de Deus ao mundo. Que cada crente, guiado pelo Espírito Santo, se esforce para manter o vínculo da paz e refletir a glória de Deus através de uma vida íntegra e comprometida com a verdade.

## Lição 3 – Nossa Casa, Como Deve Ser?

### Objetivo Geral

Apresentar princípios bíblicos que devem ser aplicados na nossa casa.

### Introdução

A família é uma instituição sagrada estabelecida por Deus desde o princípio (Gn 1.27,28; 2.21-25). Porém, Satanás tem se esforçado bastante e agido contra ela, tem alterado o modelo do casamento – homem e mulher – e tem trabalhado muito em função do divórcio entre os casais. A família cristã precisa estar atenta às investidas de Satanás.

Nesta lição, aprenderemos sobre os deveres de cada membro da família, deveres esses que não podem ser negligenciados, uma vez que a família é um corpo, cujos membros devem estar interligados. Estudaremos o papel do marido, da mulher, e o dever dos filhos.

Estudaremos, ainda, a relação entre patrão e empregado, já que os que estão sob normas trabalhistas precisam obedecer às leis e ser submissos. Por outro lado, os patrões não devem agir como se os empregados fossem escravos. Cabe salientar que o apóstolo Paulo, ao tratar desses assuntos com a igreja, estava lidando com cristãos que trabalhavam e com patrões que eram cristãos, por isso decidiu expor essas orientações. Por fim, o apóstolo ainda faz uma analogia entre o matrimônio e a igreja: como Cristo ama a igreja, o marido deve amar sua esposa, e esta, por sua vez, deve submissão ao marido.

### Marido e Mulher: Sujeição e Amor

Paulo relata seu dever de submissão da esposa ao marido, porém a sujeição a que o apóstolo se refere não é de inferioridade, nem mesmo de uma obediência cega, servil ou incondicional, já que a autoridade do marido em relação à esposa não é ilimitada. A submissão de que Paulo trata é comparada à que a igreja deve ao Senhor, ou seja, uma submissão em amor e obediência. Isso ocorre para a glória de Deus (1Co 10.31) e para que a palavra de Deus não seja blasfemada (Tt 2.3-5).

O marido também tem seu papel no casamento (vv. 25-29). Enquanto a palavra direcionada à esposa é submissão, a direcionada ao esposo é amar. Mas esse amor deve ser "perseverante, santificador, sacrificial, romântico, protetor e provedor".

O amor do marido para com sua mulher deve ser como o de Cristo para com sua igreja (v. 25): proposital, sacrificial, abnegado e perseverante. O marido deve seguir o exemplo de Cristo e oferecer à esposa um amor devotado (v. 25), que vise ao bem, busque a perfeição e promova a felicidade da esposa. Para um casamento feliz e duradouro, é necessário que a mulher seja submissa ao marido, como a igreja está sujeita a Cristo, e que o marido ame sua esposa, como Cristo amou à igreja.

### Pais Cristãos, Filhos Cristãos

Assim como marido e mulher devem estar dentro dos princípios bíblicos no casamento, a fim de vivê-los, da mesma maneira pais e filhos precisam andar em harmonia e viver segundo a direção de Deus. A recomendação aos filhos em relação aos pais é de obediência e honra. Para a lei romana, o pai tinha direito total sobre o filho, inclusive o de providenciar casamento ou divórcio e o de escravizá-lo, rejeitá-lo, aprisioná-lo e até matá-lo. Era o regime _pater postetas_.

Hoje, os filhos deixaram de praticar a obediência e honra a seus pais. Isso é um sinal de uma sociedade em decadência (Rm 1.30; 2Tm 3.2). A obediência dos filhos aos pais é uma lei da natureza (v. 1), uma vez que é antinatural a desobediência aos pais, além de um sinal de uma sociedade em declínio moral (2Tm 3.1-3). Além de a obediência ser algo da natureza, é também uma lei que está nos dez mandamentos (vv. 2,3; Ex 20.12; Dt 5.16). Por isso, os filhos precisam amar, respeitar e cuidar dos seus pais.

Quando um filho honra os pais, está honrando o próprio Deus. O filho que obedece a este princípio terá como recompensa a prosperidade e a longevidade, e as bênçãos espirituais repousarão sobre ele (Ef 1.3). Em contrapartida, os pais não devem ser ríspidos e levar seus filhos a se irar, mas devem criá-los no ensino e na admoestação do Senhor (v. 4).

### Servos, Obedeçam!

Se estendermos a admoestação de Paulo, sairemos do contexto familiar e chegaremos à relação patrão e empregado. Os servos a que o texto alude eram escravos que exerciam funções domésticas ou faziam trabalhos manuais, também eram médicos, professores, administradores etc. Muitos deles se convertiam ao cristianismo e sua conduta deveria ser diferente da anterior.

Com a implantação do cristianismo no decorrer da história, a escravidão foi banida. No Brasil, ela foi abolida em 1888. Os seres humanos foram equiparados, e houve igualdade entre as pessoas diante de Deus, pois Ele não faz acepção. Hoje os trabalhadores cristãos precisam ter a mesma visão da recomendação de Paulo aos cristãos de Éfeso. É preciso desempenhar a atividade, observando as normas trabalhistas.

Os servos precisam ser obedientes aos seus senhores e trabalhar com sinceridade de coração, como se estivessem servindo a Cristo (vv. 5-7). Os empregados devem respeitar tanto seus patrões quanto as pessoas a que atendem, no desempenho das funções. É preciso cumprir as obrigações como empregados e executar as atividades com integridade, sem fingimento, sem hipocrisia e sem segundas intenções. Os empregados não podem se esquecer de ter coerência sobretudo espiritual e precisam servir como se estivessem servindo a Cristo (v. 5). Portanto, é necessário ser íntegro em todos os momentos (v. 6), além de ter uma conduta ilibada, seja em órgãos públicos ou privados.

### Senhores, Pratiquem a Palavra!

Após Paulo falar aos servos cristãos, ele se dirige aos patrões cristãos, uma vez que as obrigações não se voltam apenas para os empregados, mas também para os empregadores. Estes não podem se dirigir àqueles com ameaças, por exemplo, porque ambos têm o Senhor acima de todos (v. 9). Segundo a lei da época, os senhores tinham direito de castigar, confinar, torturar e até matar os servos.

O texto Bíblico aborda o princípio da igualdade entre empregado e empregador cristãos diante de Deus (v. 9a). Quem espera receber respeito precisa oferecê-lo, já que deve haver reciprocidade nessa relação de trabalho (Lc 6.31). O espírito de superioridade nesse caso não deve existir entre os irmãos, pois todos são servos de Cristo.

Paulo expõe um ponto negativo dos patrões para com seus servos: as ameaças (v. 9b). Nos dias do apóstolo, os escravos viviam sob ameaças por parte dos seus senhores, por isso ele orientava que esse tipo de atitude não deveria haver entre eles. Ao contrário, eles precisavam ser tratados com respeito, bondade, sem violência e sem humilhação. O respeito dos empregadores não se adquire por meio de imposições, mas se conquista por meio do exemplo. A motivação e o respeito no campo da gestão de pessoas fazem com que os empregados produzam mais.

### Conclusão

No decorrer desta lição, tratamos de dois assuntos importantes: a conduta que os membros de uma família precisam ter e a relação de respeito que deve haver entre empregado e empregador. São dois assuntos importantíssimos para a época em que vivemos. Os lares cristãos e as instituições jurídicas regidas por cristãos precisam aplicar os princípios aqui abordados.

No contexto familiar, observamos que a esposa deve ser submissa ao esposo, assim como a igreja está sujeita a Cristo; não uma sujeição de inferioridade, com uma obediência cega e servil, mas segundo o exemplo de submissão da igreja a Cristo. Assim, a mulher deve reconhecer o papel de liderança do esposo no lar, como o cabeça da casa. Ao marido foram dados dois deveres: o de amar sua esposa, como Cristo amou sua igreja e, assim, se entregou por ela (v. 23), e o de amar sua esposa como ama a si mesmo (v.28).

Aos filhos também foram dadas algumas incumbências: a obediência aos pais, por ser isso justo diante de Deus (Ef 6.1), e a honra a eles, por ser um mandamento com promessa. Fazendo isso, terão vida abençoada e longevidade. Por fim, abordou-se a relação empregador/empregado. A orientação neste último caso é para que haja entre eles consideração da posição de cada um no campo trabalhista.

## Lição 4 – Atenção, Estamos em Guerra!

### Objetivo Geral

Demonstrar ao leitor que há uma guerra espiritual constante ao seu redor.

### Introdução

Durante toda a trajetória humana na terra, houve guerras. E ainda haverá, enquanto houver esse ciclo natural da vida humana. Trataremos nesta lição da maior e mais demorada guerra de todos os tempos, a guerra espiritual. O termo guerra diz respeito a "conflitos armados entre grupos ou nações, entre partidos de uma mesma nacionalidade ou de etnias diferentes, com o fim de impor supremacia ou salvaguardar interesses materiais ou ideológicos". Guerra é combate, peleja e conflito. Em regra, as guerras envolvem destruição e morte.

Abordaremos nesta lição uma batalha que não está no campo visível e material, em que de um lado está Satanás e do outro, a igreja. É o maior conflito de toda a história que se possa imaginar. O inimigo da igreja é invisível e as armas para vencê-lo não são materiais ou carnais.

A guerra que a igreja enfrenta é constante e só terminará quando o general da igreja, Cristo, vencer Satanás para sempre (Ap 20.7-10). A vida do cristão não é uma "colônia de férias", mas uma batalha constante. Paulo descreve esta realidade e expõe as armas para vencermos o inimigo. Precisamos estar revestidos do poder de Deus, equipados com a verdade, com a couraça da justiça, calçados os pés com a preparação do evangelho, ter o escudo da fé, o capacete da salvação, a espada do Espírito e a oração. Não se vence Satanás com armas materiais, mas espirituais. O inimigo é real e tem um alvo que pretende alcançar.

### O Alvo É o Inimigo

O inimigo que levou o primeiro casal ao pecado é o mesmo que atua neste século. Por isso, nunca devemos subestimá-lo e encará-lo como "uma lenda, um mito ou uma energia negativa". Ele é real, perigoso, feroz e não brinca com os seus "alvos". No entanto, também é importante ressaltar que não devemos superestimá-lo a ponto de lhe atribuir tudo o que acontece de negativo na nossa vida, já que não devemos fazer dele o protagonista de tudo de ruim que acontece.

Satanás é o arqui-inimigo da igreja de Jesus, porém muitos cristãos têm disparado suas munições no alvo errado. O apóstolo Paulo esclarece que não devemos lutar contra o ser humano, mas contra a cadeia hierárquica infernal: principados, potestades, príncipes das trevas e hostes espirituais da maldade (v. 12). Essa força demoníaca estava atuando na cidade de Éfeso por meio dos deuses, ou seja, da religião, da cultura e de toda forma de imoralidade, além de que estava influenciando a vida de alguns cristãos de Éfeso. Essa atuação não é diferente dos dias atuais.

Não se vence as forças das trevas com as armas usadas pelas Forças Armadas. Para vencermos Satanás e suas legiões, é preciso nos fortalecermos no Senhor e na força do Seu poder (v. 10), revestimo-nos de toda a armadura de Deus e permanecermos firmes contra as ciladas do diabo (v. 12). Contra quem você tem lutado nas suas guerras?

### Nossos Equipamentos de Guerra

Um soldado que vai à guerra deve estar preparado, bem equipado e armado. Normalmente, um soldado romano era equipado com capacete, couraça, cinto, escudo, espada e com sandálias adequadas. Cada um desses equipamentos tinha uma função. O texto bíblico exorta os cristãos a tomarem toda a armadura de Deus, pois com ela é possível resistir a tudo, quando o dia mau chegar (v. 13,14a).

Paulo associou simbolicamente ao cristão as mesmas armaduras utilizadas pelo soldado romano. O cinto, equipamento que segurava as outras partes da armadura, diz respeito à verdade (v. 14), pois a linguagem do cristão precisa girar em torno dela, caso contrário pertencerá a Satanás, o pai da mentira (Jo 8.44). A couraça, que servia para proteger o soldado do pescoço à cintura, representa tanto a justiça que temos em Cristo (2Co 5.21), como o caráter justo que precisamos exercer diariamente (Ef. 4.24). O cristão tem, ainda, o dever de estar calçado com a preparação do evangelho da paz (v. 15), uma vez que é embaixador e portador das boas novas de salvação (2Co 5.18-20). Felizes são os que anunciam as boas novas de salvação (Is 52.7)!

O cristão deve, também, embraçar o escudo da fé (v. 16), a fim de se proteger das flechas inflamadas do inimigo; usar sempre o capacete da salvação (v. 17a), para proteger a mente dos ataques do inimigo (Fl 4.8); e, por fim, empunhar a espada do Espírito (v. 17b), que é a palavra de Deus para vencer Satanás, como fez Jesus no deserto.

### O Bom Soldado Vigia e Ora

Além das armas e dos equipamentos que o cristão precisa utilizar para sair vitorioso na luta constante contra Satanás, veremos aqui que duas coisas são necessárias na nossa caminhada cristã: a vigilância e a oração. Jesus deixou-nos o exemplo de vida de oração desde o início do seu ministério, uma vez que, logo após o seu batismo, foi para o deserto e orou. Durante todo o seu ministério, observa-se que Jesus orava. Ele disse aos seus discípulos que vigiassem e orassem.

A oração é o meio de fortalecimento do cristão para lutar e vencer o inimigo, pois ela o capacita a usar a armadura e a manusear a espada do Espírito. Não se pode lutar na guerra espiritual com as próprias forças. A oração é o meio para a vitória contra Satanás, contra a carne e também o mundo. Ela é como o oxigênio: sem ela morremos. A oração é o canal que nos une ao trono de Deus. Enquanto Moisés levantava as mãos, Josué brandia a espada contra os amalequitas (Ex 17.8-16). A oração precisa ser constante (v. 18b), com toda a súplica, intercessão e ações de graças.

Mas o bom soldado de Cristo não deve deixar de ser vigilante, caso contrário sua vida de oração será inútil. O cristão precisa fazer como Neemias na reconstrução dos muros de Jerusalém. Ele orava, mas colocava guardas para os proteger contra seus inimigos (Ne 4.9).

### Faça Parte do Exército do Senhor

Toda pessoa que se entrega a Cristo como salvador e Senhor da sua vida passa, automaticamente, a ser inimiga de Satanás, a fazer parte do exército de Jesus e a entrar em uma guerra contra a hierarquia satânica. Essa luta é constante. Deus convida você a fazer parte do Seu exército e coloca à sua disposição armas espirituais para vencer o seu adversário, porquanto ele não pode ser vencido com armas materiais e carnais.

Os cristãos de Éfeso estavam em um campo minado por Satanás e precisavam entender que Deus tinha deixado à disposição da igreja os equipamentos necessários para o combate. Satanás estava jogando pesado e os cristãos precisavam estar armados completamente.

Cada cristão precisa entender que, na condição de soldado de Cristo, está diante da maior batalha de todos os tempos – a espiritual – e que tem à sua frente três inimigos: a carne, o mundo e Satanás. Muitos têm sido vencidos por um desses inimigos e tem desertores do exército divino. Não podemos nos mostrar frouxos no dia da angústia. Quem se alistou no exército do Senhor não pode retroceder, mas precisa ser corajoso e lutar contra as suas guerras. Enfrente o inimigo como Davi enfrentou Golias em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel e nosso. Davi não venceu o Gigante com as armas de Saul, mas com aquela com que ele tinha habilidade. Maior é Deus que está conosco e nos dá vitória sobre todo poder satânico.

### Conclusão

Chegamos ao final do estudo da carta de Paulo aos Efésios. Nela, abordaram-se não só as bênçãos da trindade à igreja, como também o poder de Deus, que está à disposição dela; a graça salvadora de Cristo Jesus; a revelação do mistério que estava oculto; a importância de andar em união e santidade, imitando a Deus na caminhada cristã; a postura que cada membro deve ter no seio familiar e no trabalho; e, por fim, o alerta da guerra em que o cristão está envolvido.

Vimos também que há uma guerra espiritual constante ao nosso redor e que nessa batalha temos um alvo. A guerra que a igreja tem de enfrentar no dia-a-dia não é contra o governo humano estabelecido, não contra pessoas, mas contra Satanás e seus súditos: principados, potestades, príncipes das trevas, hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais.

Por fim, entendemos que o alvo da nossa guerra é Satanás e que, para vencê-lo, é necessário estar bem-preparado e bem equipado com o capacete da salvação, a couraça da justiça, o cinto da verdade, o escudo da fé, a espada do Espírito, além de estar calçado com a preparação do evangelho da paz. Para se alcançar a vitória completa e constante, é necessário andar vigilante, jamais deixar de orar, sempre se fortalecer no Senhor e na força do seu poder e ficar firme contra as astutas ciladas do diabo.

## Editorial

Curso: Carta aos Efésios
Ano: 2025
2ª Edição

Conselho Editorial:

- Pr Sinval Júlio de Souza
- Pr Lúcio Andres
- Braitner Lobato

Revisão Teológica:

- Pr Leverson Eustáquio

Revisão Textual:

- Rose Viana

Projeto Gráfico e Diagramação:

- Márcio Rezende
- Wagner Monteiro

Comentarista:

- Pr. Josué Figueredo
      